quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Karen Dalton - In My Own Time (1971)


              Olá! Fui convidado recentemente a participar desse blog, e aqui está meu primeiro post: Karen Dalton – In my own time.
             Foi díficil escolher um primeiro albúm para postar aqui: tantas possibilidades, tanta coisa para ser mostrada, mas deixei o coração escolher e esse disco toca fundo na alma.
            Karen Dalton é uma cantora, violonista e banjoísta folk, nascida no Oklahoma, em 1937, e que ficou “famosa” em Nova Iorque, nos anos 60, junto com a turma do Greenwhich Village.
            Chegou lá em 1961, com uma filha pequena, sem muito dinheiro; e com seu violão e sua voz passou a fazer parte da cena que lá acontecia. Dividiu palco com Bob Dylan, Fred Neil, entre outros que lá se apresentavam. Sua voz é muitas vezes comparada com a de Billie Holiday (embora não gostasse dessa comparação), algo como uma versão rural da cantora de jazz. Uma voz que retrata o sofrimento que viveu, suas dores, seus vícios e com um timbre bastante peculiar.
            Ela não gostava de estúdios, nem de shows muito grandes, seu lance eram os shows pequenos, coisas intímas, com os amigos. E pelo fato de só tocar covers e versões,  e ter uma voz que não era bem reconhecida pelo público, seu primeiro disco foi gravado apenas em 1969 (It's So Hard to Tell Who's Going to Love You the Best), embora fosse conhecida desde o começo da década. Mas deixemos esse aí para um futuro post.
            In My Own Time foi gravado e lançado em 1971, quem produziu e arranjou ele foi Harvey Brooks, e para quem não sabe (como eu não sabia), ele foi o baixista do Bitches Brew, de Miles Davis; do Highway 61, do Dylan e do Mixed Bag, do Richie Havens: coisa séria. Esse disco é muito bem feito, com começo, meio e fim, um pouco de blues, um pouco de folk, um pouco de soul, um pouco de tudo. “Something On Your Mind”, primeira faixa do é uma música folk que beira o psicodelismo, começando com um baixão grave, entrando logo em seguida as cordas e a bateria, criando o clima para a entrada da voz melancólica de K.D. Toda vez que ouço essa música fico arrepiado, ela toca em algum lugar que não sei direito como lidar. Um amigo meu disse que a mãe dele chorou ao ouvir essa música pela primeira vez, depois de lhe apresentar o disco.
             A segunda faixa é uma versão de “When a Man Loves a Woman”, uma baladinha-soul-romantica (e a melhor que já escutei até hoje). Mas tem de tudo por aqui: “How Sweet It Is” e “One Night of Love” são alegres e dançantes, com uma pegada soul; não tem como não mexer o corpo, balançar a cabeça ou menos bater o pé marcando o ritmo. “Katie Cruel” e “Same Old Man” são mais tristes, mais pesadas, sendo a base delas o banjo e não mais uma banda arrumadinha.
“In My Own Dream”, “In a Station” e “Take Me” são músicas mais tranquilas e leves, com um certo balanço, mas incríveis do mesmo modo que todas as outras. A última faixa “Are You Leaving For The Country” é a que melhor podia fechar esse disco, um pouco saudosista, um pouco triste, um pouco alegre, é uma música que te deixa tranquilo, para seguir por aí.
              Lançou apenas 4 disco em vida, e em 2012 saiu um novo disco, 1966, gravado em sua casa, onde um amigo de seu marido levou um gravador e fez uma sessão de 14 músicas, algumas solo, outras acompanhadas do marido. “Sweet Mother K.D.”, como é muitas vezes referida, teve sérios problemas com drogas e bebidas, somando isso à uma carreira de poucos discos, teve uma vida bem dura, chegando até à ser moradora de rua, falecendo em 1993, depois de anos 8 lutando contra AIDS.
Uma prévia do que pode ser esse disco: Something on Your Mind, com direito à um vídeo bacana-bacana dos anos 50, ou 60 ou 70.

Faixas (como se tratam de versões, coloco aqui os seus autores):
1.      Something on Your Mind (Dino Valenti)
2.      When a Man Loves a Woman (Calvin Lewis, Andrew Wright)
3.      In My Own Dream (Paul Butterfield)
4.      Katie Cruel* (arranjado por Karen Dalton)
5.      How Sweet It Is (To Be Loved by You) (Lamont Dozier, Brian Holland, Eddie Holland)
6.      In a Station (Richard Manuel)
7.      Take Me (George Jones, Peon Payne)
8.      Same Old Man* (arranjada por Steve Weber)
9.      One Night of Love (Joe Tate)
10.  Are You Leaving for the Country (Richard Tucker)
           
*Músicas tradicionas americanas, de autoria desconhecida.

Isso aí! Espero que gostem. O link para download está no comentários.

Um comentário:

Nicholas Rabinovitch disse...

Link para download:
http://www.4shared.com/rar/VQUdzy9u/1971_-_In_My_Own_Time.html?