Mostrando postagens com marcador Grupo Rumo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Grupo Rumo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Grupo Rumo - Caprichoso (1985)




"Nascido em 74 com uma história singular/Levava a bandeira de ser um grupo novo/Já tinha uma biografia razoável/O tempo passava e o grupo continuava novo/É singular/(Em que ano que foi?)//Por volta de 77 uma dica despertou/Um grande interesse pelos precursores/E foi um tal de ouvir 78 rpm/E foi uma mania de Noel e Lamartine/Um porre de música antiga todo dia/Que alegria! Que alegria!/E quando acabava o dinheiro/Daquele jeito que nem pro consumo/Um dizia: "eu arrumo"/(E ficou RUMO)//". 
O trecho faz parte da última faixa desse disco, Release, composta por Luiz Tatit e retratando melhor do que ninguém a trajetória do Grupo Rumo, que ao lançar seu quarto álbum, já tinha onze anos de existência. 
Caprichoso foi lançado em 1985, e é um disco mais animado do que os anteriores do grupo, e com presença mais forte dos instrumentos (como guitarra, bateria, sax, flautas e cavaquinho). Desde o início o ritmo é mais agitado, com a introdução instrumental dramática de Delíro, meu! que Ná Ozzetti canta, e dessa maneira se mantém ao longo das outras músicas. Nessa primeira faixa, com direito a gritos e ovações dos próprios músicos, a letra fala de um rapaz "com uma voz enorme" por quem seus fãs deliravam, e a relação entre o público e o apresentador acompanha várias canções. Porém, o álbum não perde a cara do Rumo, e continua com letras descontraídas nas quais a interpretação dos músicos é cuidadosa, e beira ao teatro.
Esse é o último disco com a formação original do Rumo. Depois dele, a pianista Ciça Tuccori saiu, e entraram os músicos Ricardo Breim e  Fábio Tagliaferri, que se mantiveram nos dois álbuns seguintes: o infantil Quero Passear (com selo da Palavra Cantada, co-criado pelo integrante do grupo Paulo Tatit) e Rumo Ao Vivo. Diferente do que o grupo prevê no final da letra de Release, nem depois de trinta anos da criação do Rumo suas músicas enfeitaram a programação das rádios, e eles se desfizaram muito antes disso, em 1991. Mas sua discografia vale a pena ser escutada, e Caprichoso talvez seja sua melhor produção. 

Faixas:
1. Delírio, meu!
2. Esperança Ribeiro
3. Vrum
4. Revelações
5. Noite inteira com você
6. O apito
7. Salve a vítima
8. Caprichoso
9. Sombra
10. Bem alto
11. 1800 e pouco
12. No decorrer da madrugada
13. Olhando a paisagem
14. Release

Link nos comentários.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Grupo Rumo - Diletantismo (1983)



Em 1974, alguns anos antes do início do movimento cultural vanguarda paulista, dez estudantes da Escola de Comunicação e Artes da USP se juntaram para formar o Grupo Rumo. Como eles mesmos explicitam no termo que dá título ao álbum, eram apaixonados por música que se dedicavam à ela por prazer, e tal qual outros grupos da mesma cena, chegaram a gravar pelo selo que o teatro Lira Paulistana, na praça Benedito Calixto, criou - como é o caso de Diletantismo. Na formação original, a que está presente no disco em questão, alguns nomes ganharam relativa fama hoje em dia, mas os integrantes da época eram Ná Ozzeti, Luiz Tatit, Hélio Ziskind, Paulo Tatit, Pedro Mourão, Geraldo Leite, Akira Ueno, Ciça Tuccori, Gal Oppido e Zé Carlos Ribeiro, privilegiando a voz sobre as cordas, sopros e percussão. De fato, as letras compostas em sua maioria por Luiz Tatit tem um papel marcante no som produzido pelo Rumo, tanto pelo ar informal quanto pela poesia sem maneirismos que as canções trazem.
Algumas delas, por exemplo, são quase declamadas, como na décima primeira faixa Falta Alguma Coisa, em que Ná Ozzetti parece pensar alto sobre sua sensação de vazio, num momento antes de sair de casa para o trabalho. Mas logo depois da música tornar-se mais melodiosa, a faixa chega ao fim e dá lugar à agitada Sob o Domínio do Frevo, iniciada pela voz da cantora em diálogo com Geraldo Leite, encerrando de vez a reflexão solitária de Ná. Porém, todas as músicas tendem a aproximar o ouvinte do enredo, ou pelo cunho quase voyeurístico sobre uma cena (como Ladeira da Memória), ou pelo tom de conversação reforçado pelos cantores. Aliás, Ladeira da Memória talvez seja uma das faixas mais interessantes nesse disco pois, como em muitas letras do Rumo, ressalta cenários e passagens de São Paulo.
 Infelizmente, como aconteceu a vários produtos da vanguarda paulista, o sucesso do grupo não atingiu grande público, pela linha independente e experimental que não interessava a tantos ouvidos na época. Contudo, como o foco das suas experimentações é mais ligado ao destaque aos versos do que aos arranjos e melodias, as letras pedem aos ouvintes que as acompanhem, pois está aí a maior graça do Rumo. E em Diletantismo, boas histórias têm de sobra, cantadas por estudantes que desde a formação da banda já eram pra lá de ótimos músicos.

Faixas:
1. A banda de cá e o bando de lá
2. Ladeira da Memória
3. Saudade Moderna
4. Aceita a Serenata
5. Sorriso
6. Hora da Vida
7. Início
8. O que é que você fazia
9. Fundação da Cidade
10. Diletantismo
11. Falta Alguma Coisa
12. Sob o Domínio do Frevo
13. Mesmo Porque
14. Quem é?
15. Nego, nega

Vide comentários para link.