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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Caetano Veloso - Caetano Veloso (1969)


Êh tropicális
Salve Salve meus caros.
Nasceu em 1942 na Bahia, mais especificamente em Santo Amaro da Purificação, Caetano Veloso. Conhecido pela dupla com Gilberto Gil, é, em comparação com o parceiro, muito menos apaixonado por aquilo que foi feito na Inglaterra e nos EUA, sua música traz mais sonoridades brasieiras, apesar de não isentar-se das influências anglo-americanas (e olhe que esse é um dos cd's mais pesados em gringolância).
Em 1960 se mudou para Salvador onde aprendeu a tocar violão. Fez companhia a Tom Zé, a sua irmã Maria Bethânia e a Gilberto Gil em alguns eventos na sua juventude, eventos esses que o aproximaram da música. Seu primeiro trabalho musical foi a trilha da peça Boca de Ouro do escritor Nelson Rodrigues.
Foi lançado ao mundo da música por sua irmã Maria Bethânia e por Gal Costa, com a canção "Sol Negro". Em 1965 lançou seu primeiro EP com as músicas "Cavaleiro" e "Samba em Paz", o primeiro LP foi Domingo (1967), em parceria com Gal Costa, disco este de sonoridade bossa novista, de onde saiu seu primeiro clássico, "Coração Vagabundo". Nesse mesmo ano (1967) ficou em terceiro lugar no Festival da Música Brasileira da TV Record com "Alegria, Alegria", atrás apenas de "Ponteio" de Edu Lobo e "Domingo no Parque" de Gilberto Gil. Em 1968 lança o LP Caetano Veloso com algumas brilhantes músicas como "Tropicália", "Alegria, Alegria", "Clarice" e "Êles" entre outras.
Então em 1969 lança o álbum branco, pois é Caetano Veloso (1969) é essa capa branca aí em cima, nas gravações o violão era de Gilberto Gil, a guitarra de Lanny, o baixo de Sérgio Barroso, a Bateria de Wilson das Neves, no piano e órgão de Chiquinho de Moraes, tudo isso com arranjos e direção musical de Rogério Duprat.
O disco foi gravado por Gil pois o desempenho de Caetano no violão era considerado abaixo do profissional, foi gravado de forma completamente reclusa, dentro de casa. O disco trás músicas como "Irene" composta na prisão, "Os Argonautas", que entrou no álbum por indicação de Bethânia e traz uma certa sonoridade lusitana, presente em todo o álbum, "Atrás do Trio Elétrico", que parece um convite a todos que queiram juntar-se à tropicália e "Alfômega" a biruta, futurística e meio de garagem música de Gilberto Gil.
Belo disco do Caetano Veloso, um senhor cartão de visitas para quem acaba de chegar ao Saqueando.

Faixas:
  1. "Irene" 3:49
  2. "The Empty Boat" 4:15
  3. "Marinheiro Só" (Tradicional, versão: Caetano Veloso) 3:30
  4. "Lost In Paradise" 3:28
  5. "Atrás do Trio Elétrico" 2:46
  6. "Os Argonautas" 2:48
  7. "Carolina" (Chico Buarque) 2:38
  8. "Cambalaché" (Enrique Santos, Discépolo) 2:32
  9. "Não Identificado" 4:03
  10. "Chuvas de Verão" (Fernando Lobo) 2:51
  11. "Acrílico" (Caetano, Rogério Duarte, Rogério Duprat) 3:01
  12. "Alfômega" (Gilberto Gil) 5:58
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sábado, 17 de julho de 2010

Gilberto Gil - Gilberto Gil (1968)


Eu acho que fiquei devendo um aqui.
Gilberto GIl nasceu em 26 de junho de 1942 em Tororó, um bairro de Salvador e cresceu em Ituaçu, uma cidadezícula de menos de mil habitantes. Aos oito anos de idade volta a Salvador, ganha um violão etc e tal, típico progresso de músico brasileiro, influenciado por João Gilberto, na faculdade de administração conhece um grupo peculiar: Caetano Veloso, a irmã de Caetano, Maria Bethânia, Gal Costa e Tom Zé. Formou-se na faculdade em 1965 e se manda para SP com a mulher Belina.
Em 1967 estoura com os Mutantes numa apresentação para o III Festival da Música Popular Brasileira na qual tocaram "Domingo No Parque".
Em 1968 Gilberto Gil lança um dos melhores discos de sua carreira. E ei-lo!
Algo que se aproxima do disco perfeito. Gilberto Gil, acompanhado pelos Mutantes (Serginho Cabeludo Danado) e arranjado pelo maestro Rogério Duprat. Como poderia dar errado? Pois é, não deu. Deu certíssimo e o que temos é um dos maiores discos da música popular brasileira.
Mas hoje sim, julguemos um livro pela capa. Entramos em Sgt. Peppers e em Axis: Bold As Love. Sem medo as capas nos trazem a essa psicodelia do rock'n'roll inglês e americano, que misturadas à tropicália resultam nisso aí. Um disco capaz de definir o tropicalismo do Gil.
Como diz o baterista Dirceu em "Pega a Voga Cabeludo" "o som psicodélico é redondo que só uma gota".

Faixas:
  1. "Frevo Rasgado" 1:54
  2. Coragem Pra Suportar" 2:55
  3. "Domingou" 2:55
  4. Marginália 2" 2:40
  5. "Pega A Voga, Cabeludo" 4:44
  6. "Ele Falava Nisso Todo Dia" 2:33
  7. "Procissão" 2:56
  8. "Luzia Luluza" 4:04
  9. "Pé De Roseira" 3:03
  10. "Domingo no Parque" 3:43
  11. "Barca Grande" 2:42
  12. "A Coisa Mais Linda Que Existe" 3:59
  13. "Questão de Ordem" 5:32
  14. A Luta Contra a Lata ou A Falência do Café" 2:50
Dita a tradição do link no comment

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Os Mutantes - Jardim Elétrico (1971)

Direto de Johannesburgo trago-lhes um novo disco ao Saqueando!
Pediram! então, com atraso de alguns meses, talvez, lhes trago outra pérola dessa grandíssima banda brasileira. Lhes trago, direto de 1971 o espetacular Jardim Elétrico dos Mutantes.
Um disco singular, como todos os outros álbuns da banda que merece mais elogios que eu posso oferecer. O Jardim Elétrico foi lançado em 1971, é o quarto álbum dos Mutantes, sem contar o Tecnicolor que, apesar de ter sido gravado antes, em Paris, no Mesmo ano foi lançado apenas em 1999 ou 2000, se não me engano. É nessa época que a banda corria por viagens psicodélicas e fez um som brilhante, bastante inspirado na música americana e inglesa. Quatro das músicas que aqui estão foram originalmente gravadas no estúdio La Dame de Paris para serem lançadas no Tecnicolor. Todas as músicas foram gravadas por Rita Lee nos vocais, Sérgio Dias na guitarra, Arnaldo Baptista no teclado, Dinho Leme na bateria e Liminha no baixo, tem ainda a participação do grande Rogério Duprat que fez os arranjos orquestrais.
O disco começa com "Top Top", um roquenrou famoso, os conhecidos vocais agudos no início e os versos cantados mais agudos ainda parecem o sarcasmo da banda, uma guitarra muito funkeada de Sérgio Dias e um solo sensacional. Aula de música com os Mutantes. Continua com "Benvinda" que podia ser mais uma música meio melosa do Tim Maia tal como é dito no verso do disco: "Qualquer semelhança com Tim Maia não é mera coincidência", mas sobra musicalidade verde e amarela com os backingvocals e arranjo de metais. "Tecnicolor" mostra a psicodelia brasileira no que pode ser seu auge. É uma das músicas que seriam lançadas no disco gringo, toda cantadada em inglês, um baixo lindo e guitarra brilhante, bateria de samba e muito sabor para algo que nao devia ser meramente escutado. "El Justiceiro" uma música puramente latina, cantada em espanhol e inglês é a letra sarcástica sobre o herói que cobra dinheiro. "It's Very Nice Pra Xuxu" começa com um timbre de órgão de igreja é outra peça singular da banda com vocais que começam lamentando e mudam para a voz rasgada de Arnaldo esganiça as palavras precisamente. "Portugal de Navio" tem um baixo e voais pesados e reconhecíveis até por quem é surdo a tons. Mas o que começa como uma história de jazz, blues pesado vira um roquenrou brazuca de vocais agudos e transformam uma sobriedade grave em psicodelia aguda, É também uma das poucas músicas que Os Mutantes incluem um solo de gaita, termina com o piano de Arnaldo solando perfeitamente, talvez seja a música de menos sonaridade brasileira do grupo. "Virgínia"é outra música pouco brasileira, mas curiosamente agradável a quem a escuta. A faixa título a seguir é um compulsivo roquenrou com órgão pesado e guitarra incansável de Sérgio Dias, brilhante, psicodélica, brazuca invocada. "Lady Lady" é quase Beatles, a canção traz muita sonoridade de Liverpool, se não fosse a flauta e o solo, a sutil flauta logo no começo e a mudança de ritmo para algo acelerado e novamente impetuoso não assustaria ser gringa e estar no Revolver, Saravá. "Saravá" é mais roquenrou incansável e pesado em cima de uma típica expressão brasileira, cheia de distorção a música se contrasta com o final. "Baby" do Caetano Veloso cantada em inglês é outra pérolinha que os mutantes dão para a gente relaxar ao final de muita intensidade sonora.
Bem, é essa a minha forma de lhes dizer o que é esse disco, estou meio cansado agora e não tenho a mesma disposição que eu tive para outros álbuns, só que o que eu trago é uma pérola da música brasileira que é impossível de não ter no seu computador.
Grande abraço, e logo mais Gal - Fa-Tal

Faixas
  1. "Top Top" (Os Mutantes) 2:27
  2. "Benvinda" (Os Mutantes) 2:48
  3. "Tecnicolor" (Os Mutantes) 3:57
  4. "El Justiciero" (Os Mutantes) 3:55
  5. "It's Very Nice Pra Xuxu" (Os Mutantes) 4:49
  6. Portugal de Navio" (Os Mutantes) 2:43
  7. "Virginia" (Os Mutantes) 3:27
  8. "Jardim Elétrico" (Os Mutantes) 3:14
  9. "Lady Lady" (Os Mutantes) 3:33
  10. "Saravá" (Os Mutantes) 4:25
  11. "Baby" (Caetano Veloso) 3:40
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terça-feira, 4 de maio de 2010

Gal Costa - Gal Costa (1969)


Salve salve meus caros! Como vão todos?
Aparentemente eu sou o único saqueador que sobrevive ao passar do tempo nesse blog onde ninguém mais posta. (Quem sabe com essa pequena afronta meus colegas trabalham mais...).
Bom, novamente vou tomar como ponto de partida um dos maiores marcos da história da música brasileira, a tropicália, e, em especial, o disco Tropicália ou Panis et Circencis (1967). Normalmente não é preciso dizer, mas como este é um blog informativo, nada didático e que gosta de divulgar música boa, vou dizer. Esse álbum (Panis et Circencis) é um marco porque é a concretização da tropicália, participaram do disco os maiores gênios da música popular brasileira, Gilberto Gil e Caetano Veloso, comparados normalmente a Lennon e McCartney pela wikipedia em português, Os Mutantes, dos quais eu não preciso falar para quem me acompanham há algum tempo, Rogério Duprat, o nosso George Martin (Produtor do disco Sgt Peppers) e, por fim, e de quem eu gostaria de falar nesse post, a cantora Gal Costa.
Nascida em 1945 em Salvador é uma das cantoras mais influentes da música brasileira, talvez a de maior alcance vocal e uma das maiores intérpretes que esse pobre país sob o Equador já produziu.
Depois do lançamento do Panis et Circencis cada músico participante do projeto partiu para a sua idéia, e não podia ser diferente com a menina baiana. Em 1969 Gal Costa lança o seu primeiro disco solo de estúdio, intitulado Gal Costa, que seria um disco cheio até a última faixa de influências do movimento Tropicalista e a cantora que dois anos atrás encantou o público com um jeitinho de cantar a là João Gilberto explodiu.
O disco começa com a música "Não Identificado" que diz ao ouvinte como será o disco, cheio de psicodelias e belíssimos arranjos feitos por Rogério Duprat e Gilberto Gil. A seguir o roquenrou brasileiríssimo "Sebastiana" é uma sonzeira com percussão de xaxado (é assim que se escreve isso?), violão pegado, bateria invocada e um vocal que não tem como ficar mais nordestino quando a cantora cita cada vogal do alfabeto. A próxima faixa é "Lost in Paradise" uma letra em inglês de Caetano Veloso que é um jazz tupi guarani sem igual, os arranjos de Duprat são sensacionais, transforma jazz em funk e em jazz.
"Namorinho de Portão" do gênio Tom Zé começa com uma guitarra digna dos Mutantes e olha, vou dizer aqui, de saqueador para quem lê, puta merda que lição de arranjo, em comparação com o Duprat só dá o George Martin e olhe lá, enfim, a música é um baita roqenrou, só baixa pra curtir, que isso infelizmente não se vê mais no Brasil. "Saudosismo" é mais uma famosa letra de Caetano Veloso arranjado também pelo gênio Duprat, brilhantemente cantada pela Gal, é um samba cantado como se nascesse uma flor, a voz linda de Gal Costa que desponta como uma das mais brilhantes cantoras do Brasil. Em seguida dois roquenrous barato total, "Se Você Pensa" do Rei Roberto e do Tremendsão é tocado aqui com um Crying Baby alucinante e arranjos de metais sensacionais com um invocado vocal da Gal Costa e também "Vou Recomeçar" uma incrível versão também da dupla da Jovem Guarda que foi reinventada pelos gênios do Brasil. "Divino Maravilhoso" é outro grande som brasileiro, os backing vocals e os arranjos de violão fazem uma sonzeira que é exatamente aquilo que busca a tropicália, a música brasileira perfeitamente mesclada com as influências americanas e britânicas, perfeito. A próxima faixa é "Que Pena", o dueto com Caetano Veloso se repete após a incrível sintonia que rolou no Panis et Circencis (1967). Em seguida vem "Baby", música que ficou famosa na voz da grande Gal Costa, de baixo pegado e violão bem marcado, percussão brasileiríssima e um arranjo de cordas de Duprat que sai de baixo meu caro. "A Coisa Mais Linda Que Existe" é a penúltima música do disco; uma bateria de samba com os metais fazendo as vezes do jazz e a guitarra de samba formam a perfeita união do dois estilos musicais típicos, só que os fraseados dos saxofones, trombones e trompetes também pesam um soul à música e por final o baixo continua bem marcado. Deus e o Amor é um sambaço, cara.. eu escuto cada disco enquanto eu faço o post, e é sensacional a sensação, eu to demorando pra fazer esse post por que eu tenho vontade de pular da cadeira, dançar, aprender a tocar a música... como diria Gal Costa na última música, eu vou me molhar, é de genialidade sem igual.
E aqui eu me toco, que eu praticamente não falei sobre a Gal Costa cantando, e acho que isso é desnecessário, eu falei sobre os arranjos e digo mais, a Gal CANTA PRA CARALHO, em todas as faixas, dos mais diversos jeitos.
"A Coisa Mais Linda Que Existe" é ter esse disco perto de mim, acho que depois de tudo o que eu disse você deve estar cansado e sem dar a mínima para o download, mas... isto é, se é que você leu... só que eu acho que é uma obra prima, enfim, merece por ser de uma brasilidade incrível, eu pelo menos cresci ouvindo a Gal, só que cantando as músicas do mano Tom Jobim, aqui ela é mais Gal Costa, aqui ela é mais Brasil.

Faixas:
  1. "Não Identificado" (Caetano Veloso) 3:19
  2. "Sebastiana" (Rosil Cavalcanti) 2:25
  3. "Lost In The Paradise" (Caetano Veloso) 2:25
  4. "Namorinho de Portão" (Tom Zé) 2:34
  5. "Saudosismo" (Caetano Veloso) 3:10
  6. "Se Você Pensa" (Roberto Carlos e Erasmo Carlos) 3:15
  7. "Vou Recomeçar" (Roberto Carlos e Erasmo Carlos) 3:25
  8. "Divino Maravilhoso" (Caetano Veloso e Gilberto Gil) 4:20
  9. "Que Pena" (Jorge Ben) 3:35
  10. "Baby" (Caetano Veloso) 3:33
  11. "A Coisa Mais Linda Que Existe" (Gilberto Gil e Torquato Neto) 4:00
  12. "Deus e o Amor" (Jorge Ben) 3:05
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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Os Mutantes - A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970)

Em 1967 um conjunto de rock&roll despertou o interesse de todos no III festival de música popular brasileira da Record ao acompanhar Gilberto Gil numa versão de Domingo no Parque, arranjado pelo maestro brasileiro, comparado a George Martin (produtor de um dos maiores clássicos da música britânica e quiçá (quiçá o escambau) mundial, o álbum Sgt Pepeprs Lonely Hearts Club Band)Rogério Duprat. Esse conjunto, formado em 1966 por Sérgio, um virtuoso guitarrista, Arnaldo, o mais brilhante nome da música brasileira (e mundial) gênio dos teclados e alma da banda e Rita Lee a invocada vocalista. Eram Os Mutantes, o trio paulista da Pompéia.

Em 1970 depois de estourarem junto à tropicália com o álbum Panis et Circensis (1968), depois do lançamento do disco homônimo (Os Mutantes, 1968) e de Mutantes (1969) o trio grava o disco “A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado de 1970 e será a este álbum que eu arriscarei uma homenagem no meu segundo saque.

Acompanhados por Raphael Villardi nos violões, Naná Vasconcelos na percussão, Liminha no Baixo, Dinho Leme na bateria e orientados pelos arranjos de Rogério Duprat, Os Mutantes lançam seu terceiro álbum de estúdio e aprofundam-se na psicodelia do final da década de 60 com arranjos de teclado, vocais e baixos complexos.

O disco começa com a faixa título ”Ando Meio Desligado” uma linha de baixo pegada e marcante, com a bateria levando a cozinha brasileira a outro nível, posteriormente a guitarra virtuosa de Sérgio Dias se mescla aos sons da percussão num embalo à psicodelia que obviamente não tem volta. Continuando vem a graciosa e satírica “Quem tem Medo de Brincar de Amor” onde começam as brincadeiras típicas e molecagens que mesclam-se ao som funkeado da banda nos apitos e ao cantar o refrão nas vozes de piadas infantis, a quebra sonora, que há também quando o funk conduz a um rock&roll com bateria de samba e tudo isso é abençoado com um solo espetacular de Arnaldo Baptista. Em seguida a enigmática “Ave Lúcifer” uma música que “piração” talvez não seja uma expressão suficiente para falar sobre a embriaguez sonora e lírica produzida. Em seguida a canção “Desculpe Baby” é uma carta de alguém buscando ser livre, com um fraseado de guitarra que irá te enlouquecer. “Meu Refrigerador Não Funciona” é um Blues que se sustenta no órgão de Arnaldo Baptista e na compassada linha de baixo e no apaixonado vocal de Rita Lee. Seguida pela carinhosa “Hey Boy” imita swingues com backing vocais graves seguindo o baixo alternando a graciosidade e o invocado mix de personalidades da guitarra de Sérgio Dias que leva até a um pequeno Honky Tonk blues. “Preciso Urgentemente Encontrar um Amigo” é uma versão da letra do Rei Roberto Carlos e do Tremendão, o Erasmo. Mais Adiante fica a dúvida que ronda “Chão de Estrelas” e se esclarece em seguida quando o cantarolar melancólico de Arnaldo contrasta com os sons de brincadeiras, da cômica bateria e da brincante toada regida por Duprat. “Jogo de Calçada”, por sua vez traz uma mistura de baião na guitarra com música sertaneja do vocal e roquenrou no mais bruto do que há da bateria e da guitarra que, mais adiante na faixa, leva o grupo para um profundo banho de rock&roll inglês, e eu na minha admiração me estendo demais nesse post, mas a culpa é do disco.

Que ainda não acabou. Ainda bem. “Haleluia” do coro de igreja e música barroca, com o baixo de R&B e os orquestramentos de Duprat começam a embolar a música que cresce ao ouvido de todos com a bateria de Rock&Roll e o órgão que antes era macio e carinhoso torna-se algo rasgado e frito para acompanhar o solo, que leva a música para uma acelerada batida de cheia de soul. O solo de bateria que vem a seguir dá a abertura de “Oh! Mulher Infiel” de fraseado inimaginável. Inimaginável como toda a música que se desenrola e encerra este magnífico álbum da melhor amostra da banda que fez o Rock&Roll virar roquenrou.

Inimaginável mesmo é você não baixar esta piração, roquenrou, brazuca e sinistra que eu acabo de descrever aqui.

Faixas

  1. "Ando Meio Desligado" - (Arnaldo Baptista / Rita Lee / Sérgio Dias) 4:48
  2. "Quem Tem Medo de Brincar de Amor" - (Arnaldo Baptista / Rita Lee) 3:44
  3. "Ave, Lúcifer" - (Arnaldo Baptista / Rita Lee / Élcio Decário)2:20
  4. "Desculpe, Babe" - (Arnaldo Baptista / Rita Lee) 2:50
  5. "Hey Boy" - (Arnaldo Baptista / Élcio Decário) 2:47
  6. "Meu Refrigerador Não Funciona" - (Arnaldo Baptista / Rita Lee / Sérgio Dias) 6:23
  7. "Preciso Urgentemente Encontrar Um Amigo" - (Roberto Carlos / Erasmo Carlos) 3:50
  8. "Chão de Estrelas" - (Orestes Barbosa / Sílvio Caldas) 4:45
  9. "Jogo de Calçada" - (Arnaldo Baptista / Wandler Cunha / Ilton Oliveira) 4:08
  10. "Haleluia" - (Arnaldo Baptista) 3:38
  11. "Oh! Mulher Infiel" - (Arnaldo Baptista) 3:19

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