terça-feira, 27 de abril de 2010

Rafael Castro - Estatuto do Tabagista (2009)


Boa tarde meus queridos.
"Pra que se meter com o tesão que nós sentimos?" diria o nosso novo disco.
A peça que eu lhes ponho à disponibilidade é um disco de um sujeito que é, na minha opinião um dos melhores músicos de São Paulo (estado, no caso) da atualidade. Saindo de São Paulo (agora cidade) pela Rodovia Castelo Branco, passando por Osasco, Barueri e Botucatu, e mais algumas dezenas de quilômetros à frente, pela Rodovia Marechal Rondon você chega à Lençóis Paulistas, cidade onde reside Rafael Castro, compositor e produtor, baixista, baterista, guitarrista e cantor que faz tudo isso em casa. Um roquenrou ácido, de humor satírico e carregado em influências sessentistas e setentistas, melodias cheias de groove e soul são libertadas por letras leves e cômicas dos mais diversos temas que irão no mínimo te intrigar se não lhe fizerem gostar demais desse cara. Trabalhos que oscilam do sertanejo no disco Raiz (2009) ao Rock&Roll influenciado por Hendrix e Page mostram a variedade de sons e conhecimentos desse cara que pode nos dar muitas outras alegrias com o tempo.
O disco que vou tentar ler aqui é o Estatuto Tabagista de 2009 o mais recente trabalho do artista do interior. A primeira música é "Gente de Quem?" cujo a guitarra te faz lembrar dos guitarristas já citados aqui, os solos do inglês dos Yardbirds e do Zeppelin e batidas funkeadas do americano da Experience e da Band of Gypsies. Os vocais misturando agudos e graves são uma marca desse brilhante sujeito de Lençóis Paulista. A seguir uma música chamada "Inimigo" que fala em sua letra sobre o medo de alguém que pode te assustar, uma sonoridade bem brasileira, e ao mesmo tempo características dos Beatles fluem em solos de guitarra e nos vocais. "Canapés" é um roquenrou também "beatliano", o órgão lembra "Don't Let Me Down" do disco Past Masters vol. 2, e ao mesmo tempo é conservado um vocal bem calmo, brasileiro na língua, a música também conserva as tradicionais mudanças de toada de música brasileira que Os Mutantes usavam e abriram os olhos do mundo para poder fazer esse tipo de brincadeiras, como, por exemplo, uma música da qual eu falei nesse blog posts atrás, "Hey Boy".
Peço atenção de todos vocês, meus caros para as letras que não serão decorridas nesse post por pura preguiça de quem lhes fala. Além disso, gostaria de ressaltar a qualidade das composições que entre melodias bonitas e jeitosas enredam histórias brilhantes de uma mente genial do cenário musical atual.
A música em seguida "Culpa, Abraço, Roupa, Coca-Cola" é um roquenrou de bateria invocada e guitarras funkeadas e tropicalistas que hão de lembrar o som dos Secos & Molhados, no latinismo, mas ao mesmo tempo quebra a moleza do som da banda de Ney Matogrosso e forma uma sonzeira setentista sensacional e irradiante, pesada de tanto groove e soul que leva, misturada com o vocal único do compositor formando talvez a melhor música do álbum que encerra em um senhor grito e solo. Mais adiante "Esse Negócio de Se Preocupar" fala dos esforços desperdiçados de alguém em um roquenrou bem maluco que parece ter um acordeon ao fundo, uma música brilhante de fraseados que ficam presos na memória, um solo que parece remeter à década de 80 mas muda e fica classudo, junto ao riff e ao som do acordeon ventando ao fundo. Em seguida "Ser" é um Jazz roquenrou, um jazzinho, para se dizer assim, meio misturado com tango, um solo de piano a là George Gershwin deixam a música mais curiosa ainda nessa mirabolante, brilhante genial mistura de sons que provam que não é mais uma banda de garagem que imita, por exemplo, The Sonics. "Por Não Ter Mais o Que Fazer" é um lento roquenrou manhoso com um órgão bem limpo ao fundoe uma solos de guitarra precisos, parece um pouco soar como o nome da música, parecem céticas puxadas de orelha de alguém que cansou e assim terminou seu disco.
Pode não ser a maior obra de todos os tempos, mas é claramente um álbum que traz no prazer, alegria e risos à face de qualquer um, além de te tirar da cadeira em algumas músicas, e me traz grandes esperanças, depois da tropicália a música no Brasil lutou para ser o pior o possível, mas quem sabe agora no final da primeira década de um milênio novas sonzeiras estão surgindo e como saqueador deste blog me sinto obrigado a divulgar a vocês.
O link abaixo é um acesso ao site que apoia o Rafael Castro [www.rocknbeats.com.br] e eu não sei muito sobre o site em si. mas eu baixei o som de lá. baixa você também.


Faixas
  1. "Gente De Quem?" (Rafael Castro) 3:14
  2. "Inimigo" (Rafael Castro) 3:22
  3. "Canapés" (Rafael Castro) 3:28
  4. "Culpa, Abraço, Roupa, Coca-Cola" (Rafael Castro) 4:12
  5. "Esse Negócio de Se Preocupar" (Rafael Castro) 2:55
  6. "Ser" (Rafael Castro) 2:03
  7. Por Não Ter Mais o Que Fazer (Rafael Castro) 4:15


Download nos Comments, como dita a tradição

ATENÇÃO, PARA OS MAIS AGRADADOS AQUI, OU QUEM QUISER OUVIR O SUJEITO AO VIVO!
na terça feira dia 4 de março no Tapas Club Rafael Castro e Os Monumentais (até onde eu sei é um belo power trio)
R. Augusta, 1246
São Paulo - SP, 01304-001
(0xx)11 3231-3705

domingo, 25 de abril de 2010

Gilberto Gil - 'Nêga" ou "Gilberto GIl 1971" (1971)


Boa tarde, bom final de semana a todos!
Em 1971, depois de ser preso em 69 pelo regime militar, e de uma turnê nos EUA Gilberto Gil gravou um disco em inglês, um disco de rock&roll com muitas versões tropicais de músicas gringas. Um dos discos mais interessantes de Gil que nos traz um som funkeado, com guitarra, violão, um baixo pegadíssimo percussão e bateria (quase nada da última) intrigantes acompanham, ditam o ritmo, e contornam o que é um dos discos mais incríveis da música brasileira, cheio de influências do Rock'n'Roll inglês e americano, que curiosamente saiu de catálogo para as gravadoras.
O disco inicia com a faixa título, "Nêga (Photograph Blues)" um blues de violão e baixo funkeado e uma guitarra de blues acompanhados por Gilberto Gil cantando e uma queixada no fundo como a única percussão da música inteira. Em seguida "Can't Find My Way Home" é uma linda balada de violão executada pelo grande Gilberto Gil e muito bem cantada, é, aliás, uma boa lição de canto para quem gostar de ouvir, é calma e bem levada, o falsetes agudos e o feeling da música na voz do intérprete brasileiro é algo brilhante. A seguir a terceira faixa "The Three Mushrooms" parece um hino de psicodelia e viagens é um ensaio de pirações do músico brasileiro com percussão brasileira uma música que soa como uma balada fica mais agitada quando o violão acelera e vira uma grande junção de sons, solos e a música fica linda com todos os sons misturados, vale à pena escutar até o fim. "Babylon" é um belo roquenrou seguinto a mesma levada de violão e percussão, o grande destaque fica mesmo para os vocais do Gil, mais de um canal de voz, um barato sonoro doidão. Enfim, isso resume basicamente o que será o disco inteiro. Fica o destaque para o FODIDO roquenrou que é "Crazy Pop Rock" guitarra distorcida batida acelerada, baixão doidera, som louco do nosso ex-ministro, antes da segunda estrofe entra a bateria invocada e funkeada. Os sambas (se não samba-rocks) "Mamma" e (lá vem um belo nome) "One O'Clock Last Morning, 20th April 1970" cantam a saudade do Gil daqui da nossa terra que via nos verdes lindos campos de lá o mar daqui. Vão ainda três versões ao vivo de um show que eu não sei o que é e como são dez para as duas da manhã minha energia não foi o suficiente para encontrar informações, mas são as músicas "Can't Find My Way Home", de Steve Winwood, "Up From The Skies" de Jimi Hendrix e "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band" dos Beatles.
Bem, o que dizer? É um disco mais que digno de ser baixado e esse aqui é essencial. É um post meu que eu parei mais ou menos na terceira faixa e de lá pra cá mudei bastante minha forma de escrita. Tomara que para melhor.
Putz, baixa aí, na maior.

Faixas:
  1. "Nêga (Photograph Blues)" 5:40
  2. "Can't Find My Way Home" 5:17
  3. "The Three Mushrooms" 5:39
  4. "Babylon" 4:20
  5. "Volks Volkswagen Blues" 4:06
  6. "Mamma" 3:48
  7. "One O'Clock Last Morning, 20th April 1970" 4:36
  8. "Crazy Pop Rock" 4:11
  9. "Dos Pés à Cabeça" (Ao Vivo) 4:27
  10. "Can't Find My Way Home" (Ao Vivo) 6:35
  11. "Up From The Skies" (Ao Vivo) 5:12
  12. "Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band" (Ao Vivo) 9:35
Tem um link lá nos Comments

sábado, 24 de abril de 2010

B.B. King & Jimi Hendrix - The Kings' Jam (1968)


Depois de ter sido possivelmente saqueado por leis de pirataria, que não incentivamos aqui de forma alguma, trago a vocês um bootleg do grande Hendrix, só que dessa vez eu coloco ao lado do deus da guitarra o rei do blues. Sim, senhoras e senhores lhes trago um disco ao vivo no qual Jimi Hendrix e B.B. King (Acompanhados Pela Paul Butterfield Band, Elvin Bishop e Al Kooper) compartilham palco e tocam um sonho de blues, rock&roll R&B e soul.
O disco gravado no dia 15 de abril de 1968 é um show que ocorreu no Generation Club, de Nova Iorque traz uma coletânea de músicas e jams muito bem tocadas pelo duo. Hendrix e B.B. King formam uma dupla muito conexa e bem acompanhada por um teclado cheio de soul, a bateria de improvisos e solos bem colocados e com tempo impecável, o baixo é algo que impressiona pelos fraseados improvisados que solam sob a guitarra e mostram um universo musical diferente já na primeira música.
Essa primeira sonzeira é uma outra homenagem de Hendrix para o divisor de águas Bob Dylan, exatamente, "Like A Rolling Stone", achou que eu ia dizer "All Along The Watchtower" né? solos de guitarra impressionantes dão um contorno mais pesado ao clássico do rock&roll e country de Dylan. Em seguida há uma música que ficou intitulada no disco como "Blues Jam #1 Part 1" e essa primeira parte da primeira jam tem 19 minutos de sons inimagináveis das mãos de todos os músicos. Típico dos shows de B.B. King, e um pouco diferente das performances de Hendrix todos os músicos solam e mostram que cada um, no seu distinto instrumento, também é um grande músico, atenção especial ao solo de teclado, o baixo tem uma linha pegada e com soul até dizer chega. Quando os guitarristas se dispõem a solar também precisamos tirar o chapéu e ficar calados por esses quase 20 minutos de música, e por favor, não faça como os DJ's da agora infame Kiss FM que costumam cortar os solos de grandes músicas no meio, e escute a música inteira. Em seguida vem a "Blues Jam #1 Part 2" com psicodelia de hendrix em solos de wah wah e efeitos de guitarra. Em seguida há uma apresentação de músicos, a quarta faixa do disco. Contiunemos agora com uma introdução brilhante de órgão, para um blues lento e melancólico, a nossa quinta faixa "Blues Jam #2 - Slow Blues Part 1" mais uma lição de blues que eu posto aqui nesse infame blog. em seguida a sexta faixa é a continuação desse blues lento, mas que promete muito show de guitarras e gaita. A sétima música é um novo Blues, dessa vez mais rápido, um rock&roll claro. Encerramos esse brilhante disco com um blues "It's My Own Fault B.B. King assume os vocais e mostra por que é o melhor bluesman do pós segunda guerra mundial.
Esse já é um bootleg relativamente famoso. Mas é com certeza algo que todo mundo precisa ter no computador, uma jam session cheia de soul e que é um marco. A Kings' Jam, como ficou conhecido o disco, é um grande momento da música mundial. Compartilho com vocês um dos eventos mais individuais da década de 60.

Faixas
  1. "Like a Rolling Stone" (Bob Dylan) 8:00
  2. "Blues Jam #1 Part 1" 18:57
  3. "Blues Jam #1 Part 2" 6:11
  4. "Introduction by B.B. King 1:01
  5. "Blues Jam #2 Part 1 - Slow Blues Part 1" 4:45
  6. "Blues Jam #2 Part 2" 13:26
  7. "Blues Jam #3" 3:29
  8. "It's My Own Fault"(B.B. King) 8:37
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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Malicorne - Le Bestiaire (1979)

Nos anos 70, o músico Gabriel Yacoub fundou o Malicorne, uma banda folk que teve certo renome e um som único. Sempre inovadores, mandavam ver resgatando instrumentos de outras eras, como o saltério ou o bouzouki, mesclando-os com nosso arsenal de instrumentos contemporâneos, criando um som diacrônico.
Em 1971 a banda começou a explodir e gravar diversos discos, gravando 9 deles em 7 anos. Um desses foi “le Bestiarie”, que ressuscitava uma perspectiva de épocas um tanto nebulosas da história com, contudo, uma das fases mais pop do grupo. Contudo, o conjunto não perde suas raízes e exceção da última faixa (“Jean des loups”), que foi composta por Gabriel Yacoub, o disco foi inteiro foi baseado em músicas tradicionais do oeste e centro europeu, e rearranjado pelos artistas do Malicorne.
O álbum começa com “Les Sept Jours de Mai”, que mostra e ao mesmo tempo omite o que é o som dos caras, pois demonstra um ar “moderno” nos baixos em slap e guitarras efusivas, e mostra, também, um vocal menos atual. Na segunda faixa, “le Mule”, temos uma música a capella que homenageia a mula como um animal mitológico, assim como em “les Ballet des coqs”, esta faixa, em especial, lembra o início de “primavera”, de Vivaldi. Esse tributo ao animal ainda é vivo na faixa “le Branle des Chevaux”, que em português significa “o movimento dos cavalos”. Já na faixa ”Alexandre”, o grupo reconstrói uma tradicional dança búlgara. Em “les Transformation”, há uma mistura de elementos já apresentados até agora, como o forte canto em diferentes vozes e os arranjos para diversos e diversificados instrumentos. Em seguida dessa, encontramos “le Chasse Gallery”, que engana com um começo com um quê experimental e prossegue como as outras músicas, e não é em todo lugar que se ouve um gongo, não é?

1. Les Sept Jours de mai
2. La Mule
3. Le Branle des chevaux
4. La Transformation
5. Le Chasse Gallery
6. Le Ballet des coqs
7. Alexandre/Danse bulgare
8. Jean des loups

link in coommentaaarios

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Os Mutantes - A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970)

Em 1967 um conjunto de rock&roll despertou o interesse de todos no III festival de música popular brasileira da Record ao acompanhar Gilberto Gil numa versão de Domingo no Parque, arranjado pelo maestro brasileiro, comparado a George Martin (produtor de um dos maiores clássicos da música britânica e quiçá (quiçá o escambau) mundial, o álbum Sgt Pepeprs Lonely Hearts Club Band)Rogério Duprat. Esse conjunto, formado em 1966 por Sérgio, um virtuoso guitarrista, Arnaldo, o mais brilhante nome da música brasileira (e mundial) gênio dos teclados e alma da banda e Rita Lee a invocada vocalista. Eram Os Mutantes, o trio paulista da Pompéia.

Em 1970 depois de estourarem junto à tropicália com o álbum Panis et Circensis (1968), depois do lançamento do disco homônimo (Os Mutantes, 1968) e de Mutantes (1969) o trio grava o disco “A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado de 1970 e será a este álbum que eu arriscarei uma homenagem no meu segundo saque.

Acompanhados por Raphael Villardi nos violões, Naná Vasconcelos na percussão, Liminha no Baixo, Dinho Leme na bateria e orientados pelos arranjos de Rogério Duprat, Os Mutantes lançam seu terceiro álbum de estúdio e aprofundam-se na psicodelia do final da década de 60 com arranjos de teclado, vocais e baixos complexos.

O disco começa com a faixa título ”Ando Meio Desligado” uma linha de baixo pegada e marcante, com a bateria levando a cozinha brasileira a outro nível, posteriormente a guitarra virtuosa de Sérgio Dias se mescla aos sons da percussão num embalo à psicodelia que obviamente não tem volta. Continuando vem a graciosa e satírica “Quem tem Medo de Brincar de Amor” onde começam as brincadeiras típicas e molecagens que mesclam-se ao som funkeado da banda nos apitos e ao cantar o refrão nas vozes de piadas infantis, a quebra sonora, que há também quando o funk conduz a um rock&roll com bateria de samba e tudo isso é abençoado com um solo espetacular de Arnaldo Baptista. Em seguida a enigmática “Ave Lúcifer” uma música que “piração” talvez não seja uma expressão suficiente para falar sobre a embriaguez sonora e lírica produzida. Em seguida a canção “Desculpe Baby” é uma carta de alguém buscando ser livre, com um fraseado de guitarra que irá te enlouquecer. “Meu Refrigerador Não Funciona” é um Blues que se sustenta no órgão de Arnaldo Baptista e na compassada linha de baixo e no apaixonado vocal de Rita Lee. Seguida pela carinhosa “Hey Boy” imita swingues com backing vocais graves seguindo o baixo alternando a graciosidade e o invocado mix de personalidades da guitarra de Sérgio Dias que leva até a um pequeno Honky Tonk blues. “Preciso Urgentemente Encontrar um Amigo” é uma versão da letra do Rei Roberto Carlos e do Tremendão, o Erasmo. Mais Adiante fica a dúvida que ronda “Chão de Estrelas” e se esclarece em seguida quando o cantarolar melancólico de Arnaldo contrasta com os sons de brincadeiras, da cômica bateria e da brincante toada regida por Duprat. “Jogo de Calçada”, por sua vez traz uma mistura de baião na guitarra com música sertaneja do vocal e roquenrou no mais bruto do que há da bateria e da guitarra que, mais adiante na faixa, leva o grupo para um profundo banho de rock&roll inglês, e eu na minha admiração me estendo demais nesse post, mas a culpa é do disco.

Que ainda não acabou. Ainda bem. “Haleluia” do coro de igreja e música barroca, com o baixo de R&B e os orquestramentos de Duprat começam a embolar a música que cresce ao ouvido de todos com a bateria de Rock&Roll e o órgão que antes era macio e carinhoso torna-se algo rasgado e frito para acompanhar o solo, que leva a música para uma acelerada batida de cheia de soul. O solo de bateria que vem a seguir dá a abertura de “Oh! Mulher Infiel” de fraseado inimaginável. Inimaginável como toda a música que se desenrola e encerra este magnífico álbum da melhor amostra da banda que fez o Rock&Roll virar roquenrou.

Inimaginável mesmo é você não baixar esta piração, roquenrou, brazuca e sinistra que eu acabo de descrever aqui.

Faixas

  1. "Ando Meio Desligado" - (Arnaldo Baptista / Rita Lee / Sérgio Dias) 4:48
  2. "Quem Tem Medo de Brincar de Amor" - (Arnaldo Baptista / Rita Lee) 3:44
  3. "Ave, Lúcifer" - (Arnaldo Baptista / Rita Lee / Élcio Decário)2:20
  4. "Desculpe, Babe" - (Arnaldo Baptista / Rita Lee) 2:50
  5. "Hey Boy" - (Arnaldo Baptista / Élcio Decário) 2:47
  6. "Meu Refrigerador Não Funciona" - (Arnaldo Baptista / Rita Lee / Sérgio Dias) 6:23
  7. "Preciso Urgentemente Encontrar Um Amigo" - (Roberto Carlos / Erasmo Carlos) 3:50
  8. "Chão de Estrelas" - (Orestes Barbosa / Sílvio Caldas) 4:45
  9. "Jogo de Calçada" - (Arnaldo Baptista / Wandler Cunha / Ilton Oliveira) 4:08
  10. "Haleluia" - (Arnaldo Baptista) 3:38
  11. "Oh! Mulher Infiel" - (Arnaldo Baptista) 3:19

Link nos Comments, queridos

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Big Brother & The Holding Co. Feat. Janis Joplin - Big Brother & The Holding Co. (1967)



Saudações do seu mais novo saqueador.
Bom, o que trago aqui para os curiosos é um grande clássico do rock&roll, internacional, sessentista e hippie (curiosamente esses dois últimos praticamente se explicam). Em 1967, depois do Monterrey Pop Festival, Big Brother & The Holding Company lança um Disco homônimo e lança também, em estúdio, uma das cantoras mais apreciadas no mundo inteiro, por seu enorme repertório fluindo pelo hard rock com muito soul e claro, R&B, a Pearl, Brilhantísima Janis Joplin.
O disco começa com a fluente guitar de "Bye Bye Baby" que logo é alcançada (a guitarra) pela voz da grande cantora, uma bateria bem marcada de David Getz dá o compasso. Em seguida um Rock&Roll com aquela puxada country na guitarra e cantada por um dos rapazes, "Easy Rider" continua o cd com umsolo de baixo que sobra em preciosismo nas mãos de Peter Albin. Em seguida o hard rock "Intruder", com um pegado riff e a marcante voz de Janis sublinhada pelo solo de guitarra. A psicodélica "Light is Faster than Sound" com um arranjo vocal armado para uma dinamite sonora que queima pavio para explodir em seguida na elétrica bateria de Getz. Call on Me traz outra vez a marcante criação de levadas da banda e um lado mais lento, mais romântico, com os graves backing vocals acompanhando a cantora Californiana. Em seguida um Soul que podia facilmente ser mais um clássico da banda Booker T. & The MG's, "Women is Losers foi, na verdade, composta pela incrível Joplin. Blindman em seguida traz outro som digno dos arranjos de Jethro Tull e Sam Andrews mostra que não é apenas a Pearl quem sabe cantar no grupo.
"Down on Me" continuando e começando o encerramento do brilhante álbum é uma peça de baixo marcante e de vocais que ficam presos na cuca. "Caterpillar" de Peter Albin é talvez a música mais simples do álbum, só que não deixa de ser marcante pela levada entre as bobas frases escritas pelo baixista. "All is Loneliness", composta pelo cego de Nova Iorque, Moondog, soa como uma puxada típica da califórnia do Jefferson Airplane, a psicodelia dos vocais que abrem a música sem falar na linda letra entoada pela rasgada voz de Janis Joplin. Com "Coo Coo "o grupo mostra o virtuosismo dos seus membros e começam a importunar os ouvintes que sabem que a música é a última e que o bolachão está na última faixa do lado B e tudo o que você quer é simplesmente virá-lo e ouvi-lo de novo. A música dá adeus àqueles que compraram o álbum e deixa com sede todos os apreciadores de boa música que esperariam para ouvir um novo cd da Pearl com a grande banda, CD esse que viria no ano seguinte, mas Cheap Thrills (1968) fica para outra postagem, que eu não posso abusar muito já que se trata da meu primeiro post aqui. O link traz ainda duas faixas adicionadas em um relançamento de 1999, e o single "The Last Time" ao qual eu sugiro que você disponha uma certa atenção.
Concluindo esse post anuncio que mesmo que nada disso que eu tenha dito tenha agradado você, não posso fazer nada senão sugerir que você faça o download e escute por contra própria e admire o que é o primeiro disco de estúdio de uma das cantoras mais influentes de todos os tempos.
Pois é meus caros, fica aqui a dica que todo amante do rock&rol, do soul, de música boa pacas deveria baixar,

Faixas:
  1. Bye, Bye Baby (Powell St. Johnn) 2:39
  2. Easy Rider (James Gurley) 2:26
  3. Intruder (Janis Joplin) 2:25
  4. Light Is Faster Than Sound (Peter Albin) 2:29
  5. Call on Me (Sam Andrew) 2:35
  6. Women Is Losers (Janis Joplin) 2:06
  7. Blindman (Peter Albin, Sam Andrew, David Getz, James Gurley, Janis Joplin) 2:26
  8. Down On Me (Tradicional, Arranjo de Janis Joplin) 2:07
  9. Caterpillar (Peter Albin) 2:21
  10. All is Loneliness (Moondog) 2:32
  11. Coo Coo (single) (Tradicional, Arranjo de Janis Joplin) 1:59
  12. The Last Time (single) (Janis Joplin) 2:17
Extras 1999
13. Call On Me (Versão Alternativa) 2:42
14. Bye, Bye Baby (Versão Alternativa) 2:39


Download nos comments

quinta-feira, 8 de abril de 2010

George Benson - The Other Side of Abbey Road (1969)



Em 1969, enquanto os Beatles ainda estavam colhendo os frutos do álbum Abbey Road, George Benson logo foi regravar certas das faixas do disco. O resultado foi “The Other Side of Abbey Road”, um álbum com 5 faixas, contendo 10 músicas do disco referenciado.
O que você deve estar pensando é como um disco pode ter o dobro de músicas do que de faixas, e isso se dá devido ao uso (e não abuso) de medleys nos arranjos propostos (como quando ele fez a adorávell junção contrastante de Something"/"Octopus's Garden"/"The End").
O álbum é breve, com cerca de meia hora, mas é muitíssimo bem trabalhado. A formação nas músicas contou, no total, com vinte e cinco músicos, estando entre eles grandes figuras do jazz, como o pianista Herbie Hancock e o baixista Ron Carter. Falando nisso, o disco é predominantemente jazzístico, mas com um toque de orquestração cá (vide “Here comes the Sun”) e um pingo de bossa lá (como em “You Never Give Me Your Money”). Dentre o jazz, predominam as baladas, como em “Golden Slumbers” ou “Oh, Darling”.
Seja no vocal ou na guitarra, George Benson é gênio. Toca com um tremendo respeito, mas com um baita sentimento. Existem, inclusive, faixas em que ele alterna os instrumentos, como “Something”, permitindo-se fazer solos ótimos, mesmo que a proposta de solos em Beatles seja um tanto perigosa.
O omelete entre jazz e Beatles coube muito bem nesse caso
Jazz na sua melhor forma. Grandes solos, grandes temas, grande banda e grande encaixe entre todos os citados.

Tracklist:
1. Golden Slumbers/You Never Give Me Your Money
2. Because/Come Together
3. Oh! Darling
4. Here Comes The Sun/I Want You (She's So Heavy)
5. Something/Octopus's Garden/The End

link in comments.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Almirante - A Maior Patente do Rádio (1930-40)



Um musicão. Almirante foi um musicão. Além de radialista, foi um grande compositor e intérprete do samba brasileiro. Ele é o compositor de notáveis marchas carnavalescas, como “Touradas em Madrid” ou “Tarzan”. Essas e outras marchas rolam pelas ruas até hoje, mesmo que cada vez menos.
A carreira musical de Almirante começou no fim da década de 20, com a formação de um pequeno grupo musical em 1928, o “Flor do Tempo”. Neste, Almirante acompanhava companheiros cariocas, como o depois reconhecido Braguinha.
Poucos anos depois, esse grupo acabou, e Almirante se juntou a músicos como Noel Rosa em um outro grupo, denominado o “Bando de Tangarás”. Na verdade, talvez seja mais correto dizer que o “Flor do Tempo” fagocitou Noel Rosa e Alvino e formou-se o “Bando de Tangarás”. Nesta nova formação, os sambistas tocavam temas para lá de bem humorados, como “Viemos do Norte”.
Na Era de Ouro do rádio, Almirante adotou o apelido de “a maior patente do rádio”, que deu, inclusive, nome ao disco aqui presente. Neste, ele não poderia ter interpretado as marchas de maneira mais coerente. Estão reunidas nesse álbum gravações tomadas ao longo da década de 30, com vários notáveis companheiros de Almirante. Não falta nem sentimento, nem beleza e nem animação. Destaque as faixas “Tarzan” e “Apanhei um Resfriado”, onde Almirante alicia uma letra muitíssimo elaborada, com uma métrica única. Os arranjos desse álbum também são bem legais, com uma flauta ali, um pianinho aqui. A percussão também é indispensável.
Coisa boa, coisa boa.

Faixas:

1. Trem Blindado
2. Foguinhos
3. Símbolo da Paz
4. Tarzan
5. Ninguém Fura o Balão
6. Contrastes
7. O orvalho Vem Caindo
8. História do Brasil
9. Vida Marvada
10. Assim como o rio
11. A Benção Papai Noel
12. Apanhei um Resfriado

chip-chip, link nos comentários.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Can - Future Days (1973)


Lançado como o quinto álbum do grupo, na minha opinião este é um dos melhores discos da banda. O grupo juntou vários elementos do rock, e principalmente do krautrock, e criaram uma obra prima desse estilo experimental alemão. No ínicio do álbum, a canção "Future Days" é capaz de deixar todos muito relaxados com o toque sútil dos instrumentos, ainda mais com Damo Suzuki e sua voz incomparável. Logo depois há um certo blues, com manifestações instrumentais guiando a música. Esta é a canção "Spray", em que o grupo explora todos os recursos utilizados pelo krautrock. Com a efêmera "Moonshake", o grupo atinge o orgasmo musical, capaz de fazer multidões dançarem através dessa música simbólica. Finalizando o disco, "Bel Air" prova o porque o grupo é considerado um dos melhores no ramo kraut. Há inúmeros gritos e vozes além de solos de guitarra e pausas pacíficas para tornar o ouvinte um célebre apreciador da sua obra. O disco é primiado por mim, não há dúvidas que o grupo se superou neste disco, recomendo a todos os gostos, pois ele agrada a todos.

Tracklist:
1.Future Days
2.Spray
3.Moonshake
4.Bel Air

Link nos comments, camaradas.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

The Amboy Dukes - Amboy Dukes (1967)

Esse discaço, lançado em novembro de 1967, é outra pérola do final de umas das décadas mais prolíficas em termos de boa música, diferente do que acontece hoje. O grupo é um exemplar da música psicodélica produzida em Detroit, um dos pólos musicais dos Estados Unidos : produziu bandas tão díspares porém excelentes como os Stooges de Iggy Pop, o P-Funk(Parliament – Funkadelic, constelação funkeira de George Clinton) e até as desconhecidas undergrounds, porém não menos boas, Amboy Dukes, Cactus e Frijid Pink. Os Amboy Dukes, cujo nome era inspirado por uma gangue judia de garotos de um livro de Irving Shulman, fizeram seu primeiro álbum com letras não tão explicitas em referência às drogas como a de seus contemporâneos, soando as vezes até como um gospel cantado pela voz cavernosa e grave John Drake, como em "Psalms Of Aftermath", com uma levada mais oriental e calma, em meio de canhonaços como a versão de "Baby Please Don’t Go", com um feedback e guitarra noise do (ultra)conservador-e ainda não tão excêntrico e super produzido- Ted Nugent , que também fazia vocais eventuais. Também há espaço para uma versão da divertida "I Feel Free", e com certeza para a incrívelmente psycho "Colors", uma viagem totalmente bipolar, com seu refrão sussurado e guitarras matadoras.

Outro destaque, depois de virar o bolachão, é a versão da blueseira que clamava- e ainda chama - a todos para um propósito só: "Let’s Go Get Stoned". E em seguida vem outra incrível música, que poderia muito bem ter saído da cena psycho-mod-underground, com suas bateria ritmada e o vocal estranhamente calmo e com sotaque classudo, "Down On Philip’s Escalator".Já na baladinha e declaração de amor perpétuo "The Lovely Lady", é a vez do teclado de Rick Lober mostrar sua força,antes de se ouvir outra bomba, chamada "Night Time", em que Bill White e sua linha sólida de baixo se liberam do background e invadem o palco,até o solo estridente de Nugent e a bateria tempo-mutante de Palmer.Logo após vem a versão de "It’s Not True", do Who, com um quê a mais devido ao teclado e aos pratos. O elepê finaliza com outra rajada de psycho pérola, a esfuziante "Gimme Love" e seu lindo refrão com seus riffs, com a excelente guitarra solo de Nugent. É, ele é conservador, contra as drogas e álcool e a favor de rifles, mas não vamos por política aqui: ele toca pra caralho. De bônus no relançamento do CD, vem a muito boa "J.B Special",com o riff interessante de Steve Farmer , que além de segurar a barra para Nugent, dava um toque a mais nas letras colocando uma apologia mais discreta à drogas que a maioria das bandas da época, devido a censura de seu próprio companheiro de banda. Depois, outra bônus, vem "Sobbin’ In My Mugg of Beer" e seus vocais em coro e bateria com uma levada simples, porém muito boa.

Esse álbum tem uma levada mais psycho-blueseira que os posteriores, que já levam pro metal e mais hard, exemplo do Migration de 1968, que também é excelente. Também mostra uma banda BEM diferente da maioria da cena psych: a base é em Detroit, Michigan, ao Norte, não em San Fran ou em New Orleans, e seu componente de maior destaque e (discutível)carreira solo é abertamente ultraconservador, o que pode causar estranheza ao ouvinte, principalmente em Colors ou Let’s Go Get Stoned. Sim, os republicanos ultraconservadores também fazem música, meu amor.

Faixas:
1-Baby Please Don't Go
2-I Feel Free
3-Young Love
4-Psalms Of Aftermath
5-Colors
6-Let's Go Get Stoned
7-Down On Philips Escalator
8-The Lovely Lady
9-Night Time
10-It's Not True
11-Gimme Love
12-J.B. Special
13-Sobbin' In My Mug Of Beer

the link is on the comments, men!


domingo, 31 de janeiro de 2010

The Deviants - Ptooff! (1967)

O Deviants se formou no fim da década de 60 e se destacou dos demais grupos do underground psicodélico não só por ter conexão forte com artes plásticas e com o trabalho multimídia, mas por ser apenas um veículo para o trabalho poético do escritor Mick Farren, líder do grupo. Sua sonoridade estava, de acordo com o próprio Farren, entre os Stooges e o Frank Zappa. Eram desleixados pacas. Era o nascimento do movimento UK Underground.
Foi em 1967 que os jovens do Deviants fizeram amizade com o milionário Niguel Samuel, que resolveu bancar seu disco de estréia. O projeto era ousado demais. A banda investiu numa capa maravilhosa e colorida, que se abria em três dobras, formando um desenho explosivo e bizarro, mas muito belo. As músicas também são ousadas. Misturando ritmos suaves e pesados, a banda produziu um disco de estréia sensacional. A viagem psicodélica do underground britânico parte de uma introdução obscura e segue em meio às pesadas guitarras fuzz de "I'm Coming Home", o coro bem ritmado e os sopros de madeira de "Child Of The Sky", a bluezeira "Charlie", a aterradora "Nothing Man", a psicodélica "Garbage", a relaxante "Bun" e, finalmente, a proto-progressiva "Deviation Street".
É uma obra interessantíssima, valendo muito pela arte, pelas letras e pela musicalidade ousada do grupo. Certamente você, caro leitor, jamais ouviu algo assim antes.

Faixas:
1. Opening
2. I'm Coming Home
3. Child Of The Sky
4. Charlie
5. Nothing Man
6. Garbage
7. Bun
8. Deviation Street

Link nos comentários, galerinha esperta.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

World Psychedelic Classics 3: Love's A Real Thing - The Funky Sounds Of West Africa (2005)


Bem, como o própio título mostra, a coletânia psicodélica da costa oeste africana funde talentosos musicos dessas regiões e com uma pitada de funk, deixa o cd completo para ser lembrado durante muito tempo. Algumas músicas são cantadas pela lingua local dos músicos e outras são utilizadas o dialeto americano, que deixa apenas "love is a real thing" mais embelezada. Os traços musicas desse cd são peculiares, pois há repetições de frases não identificadas, solos brilhantes de metais, e uma ênfase no teclado, dando uma encrementada no som. Esse CD inova em certos conteudos ligados a música, como uma exploração feita pelos produtores em criar solos musicais com diferentes instrumentos. Em algumas músicas você ouvirá apenas um xilofone, em outro um saxofone, entre outros instrumentos. Enfim, há uma grande variedade nesse estilo funk. A capa também é de ficar maravilhado. Espero que vocês curtem um som um tanto quanto exótico, meu camaradas.

Tracklist:
1.Minsato Le, Mi Deyihome
2.Love's A Real Thing
3.Keleya
4.Ceddo End Title
5.Porry
6.Guajira Van
7.Better Change Your Mind
8.Allah Wakbarr
9.Awon-Ojise-Oluwa
10.Zinabu
11.Ifa
12.Sanjina

Link nos comments, my gentlemans

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Patife Band - Patife Band (1985)

A Patife Band é um conjunto formado nos meados dos anos oitenta, no movimento da Vanguarda Paulista. Naquela época Paulo Barnabé, que compunha e trabalhava seu irmão Arrigo Barnabé, resolveu levar à sua musica suas peculiaridades, criando algo mais solo.
Em 1985, saiu o primeiro disco da banda, denominado “Patife Band”. Este, lançado pelo selo Lira Paulistana, deu o tom de como seria a carreira da Patife Band: Irreverente. Contava com apenas seis faixas, mas todas completíssimas. Em duas delas, há uma reinterpretação de duas populares músicas: “Noite Feliz” e “Tijolinho”, de Wagner Benatti. Esta foi a que mais difundiu a banda, talvez pela eximia reinterpretação. Cá entre nós, não há quem não tenha ouvido “Noite Feliz”, e o contraste do que seria popular criado pela Patife Band é inigualável. Três outras faixas (“Pregador Maldito”, “Pesadelo” e “Tô Tenso”) foram regravadas depois no segundo disco da banda, o “Corredor Polonês”. “Peiote” (nome de droga alucinógena "pesada") é, muito provavelmente, o delírio-digo-faixa mais peculiar do álbum: tem a cara das composições de Arrigo Barnabé, e ainda é efetuada em piano e voz.
A Patife Band ainda está na ativa, mantendo apenas Paulo da formação “original”.

Faixas:
01. Tijolinho
02. Pregador Maldito
03. Pesadelo
04. Tô Tenso
05. Noite Feliz
06. Peiote

Tratar o linque com o comentário.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Trainspotting Soundtrack (1996 - 1997)


Sabe-se avaliar a realização de um filme através de diversos elementos além de seu roteiro, atores e cenas e, particularmente, um dos fatores essenciais de um filme é conjuntura com composições, que “sem querer”, acabam interferindo na história sem a necessidade de falas ou grandes movimentos.
Podemos perceber esta união na trilha sonora de Trainspotting no momento em que Lou Reed empresta “Perfect Day” para a tradicional cena de overdose de filmes underground (no caso junkie). O filme inteiro goza deste universo onde os personagens quase que louvam o pico, sendo essa cena em particular tão irônica quando o resto do filme, durante a combinação da música e do momento em que Mark Renton, tão afundado em sua overdose é absolvido pelo chão enquanto ouvimos a melodia calma e melancólica sobre um dia perfeito, onde todos os problemas sumiram (obviamente, no caso de Renton por conta de sua overdose).

Além de ser uma trilha repleta de nomes undergound’s para a época (como Iggy Pop, Joy Division, David Bowie e etc), o filme não conta apenas com o Britpop e Rock para dar sentido ao filme, podemos notar a participação forte da música eletrônica, principalmente na última cena do filme, coma excelente faixa Born Slippy.NUXX.

A influência da musica é tão visível neste filme que podemos notar que o próprio roteiro e personagens foram inspirados em cantores da época, como o próprio Lou Reed (também um “adorador” da heroína e citado em uma das cenas), mas também pelo fato da trilha constituir duas versões, sendo a segunda repleta de musicas diferentes do primeiro cd, onde Danny Boyle fez questão de preencher com faixas que o inspiraram e ajudaram a criar sua obra.

Com certeza Trainspotting soube abusar do elemento musical em favor de si, no momento que deixa as próprias melodias interagirem tão sublimemente que passam a contar a história de uma época, tanto quanto os personagens.

Faixas

Trainspotting: Music from the Motion Picture

1. Lust for Life - Iggy Pop
2. Deep Blue Day - Brian Eno
3. Trainspotting - Primal Scream
4. Atomic - Sleeper
5. Temptation -New Order
6. Nightclubbing - Iggy Pop
7. Sing -Blur
8. Perfect Day - Lou Reed
9. Mile End - Pulp
10. For What You Dream Of (full-on Renaissance Mix) - Bedrock (feat. KYO)
11. 2:1 - Elastica
12. A Final Hit - Leftfield
13. Born Slippy. NUXX - Underworld
14. Closet Romantic - Damon Albarn

Trainspotting #2: Music from the Motion Picture, Vol. #2

1. Choose Life - PF Project
2.The Passenger - Iggy Pop
3. Dark & Long (Dark Train) - Underworld
4. Carmen Suite No.2 - Georges Bizet
5.Statuesque - Sleeper
6. Golden Years - David Bowie
7. Think about the Way - Ice MC
8. A Final Hit - Leftfield
9. Temptation - Iggy Pop
10. Nightclubbing (Baby Doc Remix) - Fun Boy Three
11. Our Lips Are Sealed - Primal Scream
12. Come Together - Joy Division
13. Atmosphere - Goldie
14. Inner City Life
15. Born Slippy. NUXX (Darren Price Mix) - Underworld

Link nos comentários.

Blue Cheer - Vincebus Eruptum (1968)

http://www.angryhippy.net/images/Blue_Cheer_-_Vincebus_Eruptum.jpg

Enquanto em 1967 os hippies faziam amor e música, um power trio chamado Blue Cheer, baseado em San Fran tirou seu nome d'um tipo de LSD das ruas de lá e preparava e gravava o seu primeiro LP, inaugurando uma era de som no talo, guitarras sujas e riffs. Lançado em janeiro de 1968, Vincebus Eruptum possuí seis músicas, três de autoria própria e aproximadamente meia hora de uma sonzeira forte e dificil de ser classificada naquele tempo: eram os principios do punk e do rock mais pesado.

O disco vai direto ao assunto,rude e poderosamente abrindo com a sua ameaçadora e excelente versão de “Summertime Blues”. A versão de “Rock Me Baby” é suave para os padrões da banda, um pouco mais limpa, sem tanta saturação e efeitos. “Doctor Please” é uma das melhores do disco - uma bad trip de Peterson sobre sua relação com as drogas .A guitarra começa um solo longo,no início mais limpo, porém uma hora ele relembra sua tarefa e engata uma quinta, mandando uma montanha de feedback.

Já em “Out Of Focus” a voz blueseira de Peterson dá o tom, e o ritmo de bad trip continua.O Blue Cheer pega toda a tranquilidade de Parchment Farm e joga no lixo, enfiando uma saturação com um fuzz do caralho. Em "Second Time Around" há também um merecido solo de bateria depois da tanta ralação em todas as faixas, com um destaque para o baixo sólido e incrivelmente limpo antes de outra enlouquecedora trip sonora de feedback e sujeira que acaba o disco em tão alto nível – literalmente- como começou.

Neste disco , com um ritmo forte e sonzera suja, é impossível de não perceber a onda nua e crua que vinha se preparando e que surgiria nos anos seguintes, riffs que prenunciavam o punk e hard que estava se preparando ( em 1969 sai um dos marcos do Hard Rock, o Led II), com uma bateria incessante e um baixo e voz que coordenavam toda essa zona. Porém é bem visível a influência hippie, blues e country, seja pelas letras ou escolha de música.

Esses pais do roque pesado e de ritmos mais fortes são a ressaca do hippie e suas idéias. São o lado B daquela era, que já se acabava, escarambalhada pelos ácidos e erva e tantas outras substâncias. Já estavam cansados de amor, queriam mais é tocar mais alto que qualquer coisa, porra.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

The Beau Brummels - Introducing The Beau Brummels (1965)


The Beau Brummels nasceu em São Francisco, Califórnia, antes mesmo de a cidade dar a luz a Jefferson Airplane, Grateful Dead, Steve Miller etc. A banda foi concebida quando o vocalista Sal Valentino e o guitarrista Ron Elliot juntaram forças. A eles se uniram o baterista John Petersen, o outro guitarrista Declan Mulligan e o baixista Ron Meagher.
Foram então descobertos pela Autumn (de onde saíram Grace Slick and The Great Society, The mojo men, entre outros) e fizeram grande sucesso com as músicas “Laugh Laugh” e “Just a Little”. Pouco tempo depois gravaram seu primeiro LP, o Introducing The Beau Brummels.
O disco contém 12 lindas músicas bem estilo country-rock, mas como em todas as obras desses caras, há uma forte influência do rock psicodélico da época, do blues e até do hard-rock. Lembra muito Buffalo Springfield e Byrds. Sem sombra de dúvida, o destaque desse LP é a voz do vocalista, sempre forte e afinada, e as táticas de vocalização dos guitarristas ao estilo Beatles.
Mas nem tudo é alegria. Ron Meagher havia deixado o grupo e o segundo disco (Volume 2) tinha sido lançado. Após um jubiloso período de sucesso o grupo teve duas surpresas: Ron Elliot descobriu que sofria de diabetes e os Belos descobriram que tinham sido vendidos à poderosa Warner. Veio então uma avalanche de desprazeres: a banda decidiu não realizar mais shows e depois do lançamento do disco Triangle, em 1967, que não rendeu grande vendagem, a banda ficou reduzida a dupla Valentino e Elliot. Um ano depois foi lançado o disco Bradley’s Barn e a banda finalmente chegou ao fim.
É uma pena que a banda que os Estados Unidos acreditavam poder competir com os Beatles tenha se perdido no tempo. Tão genial quanto desconhecida, a Beau Brummels definitivamente está entre uma das mais preciosas pérolas dos anos 60.

Faixas:
1.Laugh, Laugh
2.Still In Love With You Baby
3.Just A Little
4.Just Wait And See
5.Oh Lonesome Me
6.Ain't That Loving You Baby
7.Stick Like Glue
8.They'll Make You Cry
9.That's If You Want Me To
10.I Want More Loving
11.I Would Be Happy
12.Not Too Long Ago
13.Just A Little (Unissued Demo Version)
14.Good Time Music (Autumn Single)

Como vocês já estão carecas de saber, o link está nos comentários.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Grupo Rumo - Caprichoso (1985)




"Nascido em 74 com uma história singular/Levava a bandeira de ser um grupo novo/Já tinha uma biografia razoável/O tempo passava e o grupo continuava novo/É singular/(Em que ano que foi?)//Por volta de 77 uma dica despertou/Um grande interesse pelos precursores/E foi um tal de ouvir 78 rpm/E foi uma mania de Noel e Lamartine/Um porre de música antiga todo dia/Que alegria! Que alegria!/E quando acabava o dinheiro/Daquele jeito que nem pro consumo/Um dizia: "eu arrumo"/(E ficou RUMO)//". 
O trecho faz parte da última faixa desse disco, Release, composta por Luiz Tatit e retratando melhor do que ninguém a trajetória do Grupo Rumo, que ao lançar seu quarto álbum, já tinha onze anos de existência. 
Caprichoso foi lançado em 1985, e é um disco mais animado do que os anteriores do grupo, e com presença mais forte dos instrumentos (como guitarra, bateria, sax, flautas e cavaquinho). Desde o início o ritmo é mais agitado, com a introdução instrumental dramática de Delíro, meu! que Ná Ozzetti canta, e dessa maneira se mantém ao longo das outras músicas. Nessa primeira faixa, com direito a gritos e ovações dos próprios músicos, a letra fala de um rapaz "com uma voz enorme" por quem seus fãs deliravam, e a relação entre o público e o apresentador acompanha várias canções. Porém, o álbum não perde a cara do Rumo, e continua com letras descontraídas nas quais a interpretação dos músicos é cuidadosa, e beira ao teatro.
Esse é o último disco com a formação original do Rumo. Depois dele, a pianista Ciça Tuccori saiu, e entraram os músicos Ricardo Breim e  Fábio Tagliaferri, que se mantiveram nos dois álbuns seguintes: o infantil Quero Passear (com selo da Palavra Cantada, co-criado pelo integrante do grupo Paulo Tatit) e Rumo Ao Vivo. Diferente do que o grupo prevê no final da letra de Release, nem depois de trinta anos da criação do Rumo suas músicas enfeitaram a programação das rádios, e eles se desfizaram muito antes disso, em 1991. Mas sua discografia vale a pena ser escutada, e Caprichoso talvez seja sua melhor produção. 

Faixas:
1. Delírio, meu!
2. Esperança Ribeiro
3. Vrum
4. Revelações
5. Noite inteira com você
6. O apito
7. Salve a vítima
8. Caprichoso
9. Sombra
10. Bem alto
11. 1800 e pouco
12. No decorrer da madrugada
13. Olhando a paisagem
14. Release

Link nos comentários.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Steve Reich - Drumming (1970)


Já faz um bom tempo que certos músicos criticam o termo “minimalismo” em relação a certas obras musicais. A razão é que esse termo demonstra relação entre o minimalismo das artes plásticas e a música minimalista, que são, na maioria das vezes, distintos.
A música minimalista é o conjunto de diversos trechos musicais dispostos de maneira repetitiva, mas não monótona. A falta de monotonia é explicada por pequenas divergências que caminham lentamente através das saturadas células musicais. Tais pequenas mudanças dão o movimento que o gênero propõe. Cria-se assim uma atmosfera hipnótica, carregada e repetitiva. Steve Reich é um compositor denominado “minimalista”, conjuntamente com Philip Glass, Alvo Part e Michael Nyman.
Steve, desde sua infância teve forte ligação à música, estudando percussão e pesquisando ritmos africanos. Aderiu ao movimento musical do minimalismo, e lá encontrou seu diferencial. Seja por suas tendências rítmicas ou estudos, a música que ele criou, e ainda cria, é única. Tem uma discografia imensa, que percorre mais de 40 anos de carreira. E cada álbum com sua inovação, obviamente.
Em 1970/71, Reich lançou “Drumming”, uma obra feita para bongos, marimbas, vozes femininas e flautim (instrumento da família flautífera cujo som é de uma oitava acima da flauta soprano). Nela, ao contrário de seus outros álbuns, ele mostra mescla seus conceitos “minimalistas” com seu estudo acerca de percussão e de ritmos africanos. A obra tem aproximadamente uma hora (a mais longa que Reich tinha feito até então) e é dividida em cinco partes. O resultado é uma obra única, algo como uma brincadeira eterna de ritmos e timbres, que se entrelaçam, soltam, aparecem, somem, crescem, se somam e perdem-se.
Uma experimentação com som que não é nem um pouco sonífera.

A obra é repartida em cinco partes: 1,2,3,4,5.

para ouvir, há link nos comentários.

Luiz Melodia - Pérola Negra (1973)


Luiz Carlos dos Santos é um nome comum em nossas terras brasileiras. Mas, dentre as dezenas de homônimos, um deles se destaca, e muito. Carioca, filho do sambista Oswaldo Melodia, residente do morro de São Carlos, bairro do Estácio. Romântico, poeta, sofredor, animado. Esse é o nosso querido Luiz Melodia, dono de uma das mais marcantes vozes negras da música popular brasileira.
Começou sua carreira em 1964, sem muito sucesso, com a banda Os Instantâneos. Suas composições, porém, eram reconhecidas por nomes fortes da MPB, como Jards Macalé, que, em 1972 fez uma versão de "Farrapo Humano" (Melodia depois retribuiria o favor, gravando "Mal Secreto" alguns anos mais tarde). Em 1973, com o término da banda, Luiz Carlos se lançou em carreira solo com "Pérola Negra", disco de belas e originais melodias próprias. A capa mostrava o músico em estado de choque em meio a uma feijoada, uma verdadeira Pérola Negra. Pode não ser um trocadilho muito modesto, mas o som presta. E muito.
"Estácio, Holly Estácio" e "Estácio, Eu e Você" são duas suaves baladas escritas em homenagem ao bairro de Melodia. Calmas, aconchegantes e belas, se destacam (aliás, o disco inteiro se destaca dos demais já produzidos até então) pelo timbre e pelo tom da voz do cantor. Sem falar que as letras são uma delícia!
A faixa-título é uma canção amorosa em tom sofredor regada por metais finos e agradáveis, em não-tão-contraste com o bilhete suicida "Farrapo Humano" e com o roquenrou agitado "Pra Aquietar" (que, recentemente, pintou na setlist de alguns shows do grupo Garotas Suecas, por sinal). Por fim, gostaria de destacar ainda o "Forró de Janeiro", faixa mais inusitada do disco, que encerra essa bela obra numa levada meio Jackson do Pandeiro, com direito a participação de Damião Experiença ao fundo (!!!!!!).
Pérola pouco reconhecida da música brasileira, esse disco merece toda a atenção que o ouvinte puder dar. Luiz Melodia, tanto como compositor como quanto cantor, consegue agradar a vários gostos distintos. Se você ainda não se deu ao trabalho de ouví-lo faça-o já!

Faixas:
1. Estácio, Eu e Você
2. Vale Quanto Pesa
3. Estácio, Holly Estácio
4. Pra Aquietar
5. Abundantemente Morte
6. Pérola Negra
7. Magrelinha
8. Farrapo Humano
9. Objeto H
10. Forró de Janeiro

Baixe essa pérola pelo link nos comentários!

Secos & Molhados - Secos & Molhados (1973)


O Brasil vivia os anos de chumbo, a censura trabalhava com eficácia e a repressão era certeira e violenta. Daí chegam uns homens quase travestidos, com rostos pintados e letras provocantes e começam a cantar por aí. Esses são os corajosos Secos & Molhados.
João Ricardo foi o mentor da banda. A formação inicial incluía Pitoco e Fred, que logo saíram do grupo. João conhece Ney Matogrosso (Ney de Souza Pereira) que acaba virando o vocalista. A eles se juntaram Gripa (flautista), John (guitarrista), Marcelo (baterista) e Willy (baixista). Três meses após esta formação estar estabelecida foi gravado o LP. Foi um sucesso, vendeu mais de um milhão de cópias e até a capa foi premiada.
O disco é musica brasileira com um toque de rock and roll. Zé Rodrix tem participação em algumas músicas e várias composições de João Ricardo contam com a colaboração de Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes, Paulinho Mendonça, entre outros. Todas as músicas são muito boas, é difícil escolher só uma. A primeira faixa é “Sangue Latino”, uma poesia musicada na forma de balada em tom de ré. A segunda é por todos conhecida, “O Vira”, virou patrimônio histórico brasileiro. “Primavera nos Dentes” e “Assim Assado” evidenciam a crítica do grupo a ditadura militar. A primeira é um blues com uma bela letra que defende a liberdade e glorifica a luta contra o sistema. “Assim Assado” conta a historia de um velhinho que encontra o Guarda Belo (personagem do desenho Manda-Chuva) que não gosta da cor do velho e resolve matá-lo, pois não acredita na tal cor. E a cor, meus caros, é o vermelho. Por ultimo devo citar “Rosa de Hiroshima”, na minha opinião uma das mais bonitas musicas brasileiras, uma súplica pela paz.
Há quem diga que o grupo se inspirou nos Dzi Croquettes, há quem jure de pés juntos que a banda estadunidense Kiss na verdade imitou os Secos & Molhados, e não só nas pinturas no rosto. Sendo isso verdade ou apenas uma suposição maluca, o grupo foi muito importante politicamente e representou muito bem o movimento artístico de resistência à ditadura, balançando os alicerces do direitismo.

Faixas: 1. "Sangue Latino" (João Ricardo/Paulinho Mendonça)
2. "O Vira" (J. Ricardo/Luli)
3. "O Patrão Nosso de Cada Dia" (J. Ricardo)
4. "Amor" (J. Ricardo/João Apolinário)
5. "Primavera nos Dentes" (J. Ricardo/J. Apolinário)
6. "Assim Assado" (J. Ricardo)
7. "Mulher Barriguda" (J. Ricardo/Solano Trindade)
8. "El Rey" (Gerson Conrad/J. Ricardo)
9. "Rosa de Hiroshima" (G. Conrad/Vinicius de Moraes)
10. "Prece Cósmica" (J. Ricardo/Cassiano Ricardo)
11. "Rondó do Capitão" (J. Ricardo/Manuel Bandeira)
12. "As Andorinhas" (João Ricardo/C. Ricardo)
13. "Fala" (J. Ricardo/Luli)


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