sábado, 2 de fevereiro de 2013
The Fellowship - In Elven Lands (2006)
Filólogo, escritor e professor, J.R.R. Tolkien se consagrou em meios literários com duas obras: O Hobbit e o Senhor dos Anéis. O primeiro, livro infantil, conta a saga do então jovem hobbit (povo de baixa estatura - não ultrapassam a altura de crianças quando adultos - e de pés grandes e peludos) Bilbo Bolseiro em busca de um tesouro de um reino de anões que há muito tempo vem sido guardado pelo terrível dragão Smaug. O segundo, um pouco mais denso e complexo, voltado para um público adulto, conta a épica história do sobrinho de Bilbo, Frodo Bolseiro, enquanto ele tenta destruir um anel mágico pertencente ao Senhor do Escuro, que ameaça a tudo e a todos com a sombra de uma terrível guerra.
Talvez não seja necessário explicar muito mais a respeito desses dois livros em especial, mas nunca é demais dizer que o universo de fantasia medievalesca criada pelo britânico oriundo da África do Sul é de um valor mitolígico indubitável. Afinal de contas, Tolkien sempre se preocupou com a coerência e a complexidade das tramas que criava: a Terra-Média e Valinor, dois principais palcos de suas narrativas, possuem um panteão rico e detalhado de divindades, localizações geográficas precisas (além de escrever, o autor desenhava seus próprios mapas) e línguas próprias e características de cada povo que lá habita. Tolkien, por ser um grande estudioso de idiomas, criou estruturas gramaticais, sintaxes e formulou dialetos completos. O quenya, falado pelos altos-elfos, é derivado do finlandês. O sindarin, mais comumente falado pelos elfos, sejam eles altos, cinzentos ou da floresta, é baseado no galês. Já o rorric, idioma dos homens da Terra dos Cavaleiros, tem um quê de inglês arcaico. A fala negra, falada pelas maléficas criaturas de Mordor, era uma mistura de russo com o antigo idioma hurrita. Todas as línguas citadas foram moldadas de forma que sua fonética condizesse com o perfil dos personagens criados por Tolkien, sendo que as duas primeiras sempre se empostaram de maneira mais nobre, leve e melodiosa.
51 anos depois do lançamento do último Senhor dos Anéis, um grupo de músicos liderados pelos neozelandeses Caitlin Elizabeth e Adam Pike, em cooperação com o vocalista do Yes, Jon Anderson, lança um trabalho de sete anos de pesquisas e de composições minuciosas em cima do universo mitológico de Tolkien. In Elven Lands, concluído em 2006, tinha como objetivo constituir o que mais se aproximaria da sonoridade dos povos perdidos do vasto mundo de Arda. Para atingir tal fim, os músicos fizeram questão de aprender quenya e sindarin e - acima de tudo - estudar com afinco os mínimos detalhes das histórias do autor inglês para trazer, para o mundo dos homens, a música dos elfos. Além disso, todos os instrumentos utilizados na gravação do disco buscam se aproximar do que poderia ser utilizado na Terra-Média: o acervo flutua entre hurdy-gurdys, flautas de madeira, pandeiros, bombardas, alaúdes...
Pode-se dizer que o resultado é pra lá de satisfatório: o repertório do álbum é muito agradável acústicamente e não deve em absolutamente nada a qualquer outra tentativa de ilustrar musicalmente a obra de J.R.R. Tolkien. O ouvinte não terá dificuldades em, numa experiência sinestésica, viajar dos Portos Cinzentos até o Valle, dar uma banda pelas Florestas Sombrias, tomar uma ale espumante nas estalagens do Condado, passar pelas minas dos anões em Moria e muito mais! Dentre as várias peças nas duas variantes do élfico e em inglês, seria interessante prestar bastante atenção na animada Dan Barliman's Jig (uma energética balada non-sense à moda dos hobbits), nos vários versos dedicados a valar (divindades do universo tolkeniano) como Elbereth Giltoniel ou ao grande caçador Oromë, na bela The Man on The Moon (quem leu os livros reconhecerá a história contada aos hobbits por Tom Bombadil) ou mesmo na serena Silver Bowl (belo hino em homenagem ao espelho d'água da dama Galadriel de Lothlórien).
E como falar deste belo álbum sem citar a tensa Beware The Wolf, a esplêndida versão do clássico do Led Zeppelin Battle of Evermore (que, pasmem, também foi inspirado nos livros de Tolkien) e o lamento dos anões, When Dúrin Woke? Isso para não comentar, também, a beleza dos cânticos de Elechöi (aqui o velho Jon Anderson solta a voz numa linda composição) e a brilhante Eala Earendel, belíssima homenagem ao brilho das estrelas?
Certamente, não dá mesmo para fechar esse texto sem falar de Creation Hymn, estupenda redenção do Ainundalë do Silmarillion, conto de Tolkien que explica que a criação do universo se deu não pelo big bang, mas sim por uma bela música orquestrada por Eru ou Ilúvatar, a divindade de maior importância nessa mitologia toda. Se o próprio autor acreditava que a vida era fruto de uma grande canção, quem somos nós para discordarmos disso? O disco é, no geral, excelente. Talvez um tanto quanto calmo demais, mas, sem dúvida, um conjunto de músicas de beleza incomensurável e que irão agradar facilmente a todo fã de folk e de música antiga.
Faixas:
1. Tír Im
2. Dan Barliman's Jig
3. The Silver Bowl
4. The Man on The Moon
5. A Verse To Elbereth Gilthóniel
6. Elechöi
7. Beware The Wolf
8. Oromë: Lord of The Hunt
9. Creation Hymn
10. When Dúrin Woke
11. Eala Earendel
12. The Sacred Stones
13. The Battle of Evermore
14. The Blood of Kings
15. Verses To Elbereth Gilthóniel
16. Evening Star
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The Fellowship
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Sarband - Satie en Orient (2005)
Não sou muito de começar abrindo parênteses, mas a Ensemble Sarband que me perdoe: são todos talentosíssimos músicos, de competência inquestionável, mas não é possível falar desse álbum sem antes discorrer um pouco a respeito do sujeito que compôs todas as peças nele executadas: Éric Alfred Leslie Satie, vulgarmente conhecido por Erik Satie.
Abre parênteses, portanto.
Francês filho de mãe escocesa, Satie viveu em fins do século XIX e é considerado um dos grandes expoentes do impressionismo musical, do minimalismo e é corriqueiramente lembrado como um sujeito excêntrico, misterioso e com um peculiar senso de humor.
O caráter pitoresco de Erik Satie começou a ser traçado em sua infância: após perder a mãe aos 7 anos, foi morar com o tio, um boêmio parisiense e, em meio aos boulevards e cabarets da Cidade-Luz, como bom auto-didata que era, aprendeu rapidamente a tocar piano. Se engana quem pensa que o ambiente fez do rapaz um completo doidivanas: apesar da postura irreverente e de sua excentricidade, o músico francês sempre teve um trabalho caracterizado pela sonoridade organizada e sóbria, mas ainda assim carregada de emoção. Foi nos idos de 1888 que, tocando seu piano nos cabarés de Montmarte, - a destacar o famoso Chat Noir - Satie ganhou notoriedade dentre os compositores e apreciadores de música em Paris e, desde então, sua importância na história da música só cresceu. Se tornou amigo e influência de pessoas como Debussy (que chegou, inclusive, a orquestrar as famosas Gymnopédies, peças mais conhecidas de Satie) e Ravel, trabalhou com Picasso e Jean Cocteau na criação do ballet Parade - considerado por muitos a primeira manifestação de surrealismo nas artes - e ainda se relacionou com gente do Dadá, com quem produziu coisas excepcionais. Sem falar, é claro, que foi mentor do notável Groupe des Six e um dos homens a plantar as primeiras sementes para o nascimento do jazz, criando o ragtime.
O que esperar de um músico como esse, portanto? Sinfonias, óperas? Não. Erik Satie sempre prezou - e isso causava o maior espanto na época - pelo o retorno à simplicidade e aos modos arcaicos característicos das músicas gregas, bizantinas, góticas e medievais em suas composições. Nas mãos do francês de semblante bizarro, os pianos choravam lamentos dignos das viúvas de soldados espartanos, expunham aflições que haviam se perdido entre jardins e templos babilônios e resgatavam memórias destroçadas na poeira das ruínas dos impérios bizantinos. Dentre seus trabalhos mais conhecidos, as já citadas Gymnopédies (que não deveriam ser tocadas nem em adagio, nem allegro, nem andante, nem presto. As partituras diziam somente "lent et douloureux", "lent et triste" e "lent et grave". Não é necessário dizer que a atmosfera é exatamente essa, não é mesmo?) e as Gnossiennes, que conseguiram explorar ainda mais o flerte de Erik com o oriente. Com o tempo, seu trabalho acabou por adquirir duas vertentes: o humor musical (com coisas como Pièces froides, Pour un Chien etc.) e um namoro ainda maior com os vestígios musicais do Oriente. Sua associação com a Ordem dos Rosacrúcios o aproximou ainda mais da sonoridade dos bizantinos e as Danses Gothiques e as Trois sonnieries de la Rose-Croix são frutos vivos e maduros disso.
Satie não viveu pouco, mas ainda assim morreu jovem: faleceu aos 59 por conta de cirrose (é, gente, uma hora a conta da cerveja acaba chegando...) e deixou um legado importantíssimo para a música moderna. Criou a música ambiente, foi um dos pais do surrealismo e ainda resgatou tradições que há muito haviam se perdido. Para não falar nem a metade do que ele fez.
Fecha parênteses.
Agora sim, posso falar do Sarband! O conjunto, que surgiu na Alemanha em 1986, tem como grande proposta a ponte entre a música oriental e a ocidental. Grande parte do seu trabalho consiste em traduzir - com muita competência, diga-se de passagem - grandes sons eruditos em ritmos arábicos. Lançado em 2005, o álbum Satie en Orient é uma brilhante prova da competência desses músicos que, por sinal, vêm de sete nações diferentes. Para as composições de Erik Satie, o alaúde, o kementché (espécie de violino), o qanoun (cítara do oriente-médio) e os cornes arábicos caem como uma luva. O esforço e as pesquisas da Sarband em reencontrar as raízes da sonoridade do francês foram tão excepcionais que não há como passar em branco por um disco desses. Desde o primeiro choro vindo das cordas arqueadas na Gnossienne nº1, dá pra perceber o quanto o material é diferenciado. Além de todas as composições já citadas anteriormente, gostaria de destacar também as redenções de Chanson (esta, inclusive, com uma irreverente "assobiadinha" que deixaria Satie bem contente), Chanson Médiévale, Élegie, Les Anges e Hymne, todas pertencentes na série de composições baseadas em poemas de Contamine de Latour. A beleza é incomensurável.
Melhor ouvir e entender do que ler descrições. Em tendo a oportunidade e uma hora para se dedicar à degustação dessa fina peça, faça-o. Seria a mesma coisa que dar uma banda com o velho Erik pelos mercados de Istambul. Acredite: tanto ele quanto você achariam muito bacana.
Faixas:
1. Gnossienne nº1
2. Gymnopédie nº1 (lent et douloureux)
3. Gnossienne nº3
4. Chanson
5. Prélude d'Eginhard
6-8. Trois sonneries de la Rose-Croix:
(6. Air de l'Ordre
7. Air du Grand Prieur
8. Air du Grand Maître)
9. Élegie
10. Gnossienne nº5
11. Les Anges
12. Gymnopédie nº3 (lent et grave)
13. Danse gothique nº3: En faveurs d'un malhereux
14. Chanson Médiévale
15. Uspud Ballet Chétrien
16. Hymne pour le "Salut Drapeau", Prose extraite du Prince de Byzance de Joséphin Péladan
O link está nos comentários, meu povo.
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terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Infernal Noise Brigade - Vamos a la Playa (2003)
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| Infernal Noise Brigade - Vamos a la Playa |
Mesmo pra bom entendedor, o minuto e meio da introdução não basta: é uma mensagem da polícia mexicana informando que se inicia formalmente o processo que tem como objetivo garantir a tomada de decisões adequadas durante o encontro da Organização Mundial do Comércio (OMC, em inglês WTO) em Cancún, no ano de 2003. Vire à esquerda e o disco começa.
Quem toca é (a multidão e) a Infernal Noise Brigade (INB), que viajou para lá durante esse encontro da OMC e fez, registrando parcialmente nesse disco, algo muito distinto de uma viagem cara de formatura ou de uma estada num hotel de luxo com tudo incluso. Tocou junto com as manifestações de rua que se opunham ao movimento de globalização, em parte do que foi chamado de “movimento anti-globalização”, também marcado por manifestações contra o Fundo Monetário Internacional (FMI) e contra o Banco Mundial, entre outros ícones defensores do capitalismo. [Quem quiser conhecer mais sobre esse movimento, sugiro a leitura do “Urgência das Ruas”, fácil de ser achado na internet afora.]
Não é possível perder de vista a
perspectiva política do grupo ao ouvir o álbum; a própria escolha
desse espaço – e o momento, claro – das apresentações e de gravação partem dessa visão. Assim como as letras e
instrumentos, que utilizam algumas vezes elementos de culturas
consideradas de resistência, resultando em uma sonoridade
distinta, algo balcânica e oriental. Apesar de ser uma banda de rua
e utilizar instrumentos similares as fanfarras militares,
proporcionam no geral um som e possibilidades de ação política
extremamente diferentes desse “tio reaça”- pra começo de conversa, sai um som bem mais interessante.
Esse quê balcânico marca presença em diversas faixas, como a segunda, Praha, em que também se pode perceber as viradas e convenções típicas de fanfarras que tocam nas ruas. Outra faixa em que é clara essa influência balcânica/oriental é Nagarawalla e a seguinte, Ja Helo. A melodia e as letras cantadas pela banda nessas 3 músicas arrastam o som pra esse lado de lá do meridiano de Greenwich, com uma ajuda dos instrumentos que utilizam: pessoalmente, acho que o uso que a INB faz dos pratos ajuda a engrenar por esse caminho.
Assim como outras baterias, o som que a INB faz se caracteriza por usar também as vozes dos próprios integrantes amplificadas por uma espécie de alto-falante ou megafones, sendo praticamente um tipo de instrumento. Com esses aparatos de timbre muito característico cantam letras e palavras de ordem das mais variadas. No caso da INB, são quase que completamente impossíveis de entender: nas músicas que já citei não consigo entender nadica. É só em Ou Est la Libertè que consigo entender uma frase, do refrão; em Down Down WTO entendo que se diz o nome da música mas não o que se diz depois. Falando em Ou Est la Libertè, acho que essa é a faixa mais ocidental do álbum, com as letras (teoricamente) em francês e melodia mais "tradicional". O megafone entra e reforça o "tempero" da faixa, pra cá daquele meridianozinho, além de dar uma variada na melodia dos metais. Isso ocorre de maneira geral nas músicas em que há a participação de voz amplificada: a diferença é que em algumas o som é empurrado bem pro oriente.
Diga-se de passagem que a melodia costuma ser algo simples, bem rumo ao popular, as palavras de ordem e cantos seguem essa fórmula também: o foco claramente não é uma experimentação, dodecafonismo ou piração virtuosística. Enquanto essa parte é explorada pelos megafones e metais, a parte rítmica é segurada bem pelos instrumentos da percussão. Eles articulam muitas viradas ao longo da música, quebrando essa certa monotonia da cozinha de baterias e deixando, pelo menos pra mim, as faixas um pouco mais interessantes e bonitas, além de me surpreender em alguns casos com o caminho que umas viradas tomam. O uso de efeitos criando colagens sonoras é bem interessante, e o timbre de voz megafonada é algo único e que me capturou faz tempo.
Assim como outras baterias, o som que a INB faz se caracteriza por usar também as vozes dos próprios integrantes amplificadas por uma espécie de alto-falante ou megafones, sendo praticamente um tipo de instrumento. Com esses aparatos de timbre muito característico cantam letras e palavras de ordem das mais variadas. No caso da INB, são quase que completamente impossíveis de entender: nas músicas que já citei não consigo entender nadica. É só em Ou Est la Libertè que consigo entender uma frase, do refrão; em Down Down WTO entendo que se diz o nome da música mas não o que se diz depois. Falando em Ou Est la Libertè, acho que essa é a faixa mais ocidental do álbum, com as letras (teoricamente) em francês e melodia mais "tradicional". O megafone entra e reforça o "tempero" da faixa, pra cá daquele meridianozinho, além de dar uma variada na melodia dos metais. Isso ocorre de maneira geral nas músicas em que há a participação de voz amplificada: a diferença é que em algumas o som é empurrado bem pro oriente.
Diga-se de passagem que a melodia costuma ser algo simples, bem rumo ao popular, as palavras de ordem e cantos seguem essa fórmula também: o foco claramente não é uma experimentação, dodecafonismo ou piração virtuosística. Enquanto essa parte é explorada pelos megafones e metais, a parte rítmica é segurada bem pelos instrumentos da percussão. Eles articulam muitas viradas ao longo da música, quebrando essa certa monotonia da cozinha de baterias e deixando, pelo menos pra mim, as faixas um pouco mais interessantes e bonitas, além de me surpreender em alguns casos com o caminho que umas viradas tomam. O uso de efeitos criando colagens sonoras é bem interessante, e o timbre de voz megafonada é algo único e que me capturou faz tempo.
A participação da multidão é clara e domina algumas faixas do disco, como Down Down WTO e Km Cero (i) e (ii) . Km Cero (i) é uma colagem de falas dos atos de Cancún – destaco aqui que se diz
principalmente “(...) A luta segue, segue! EZLN, EZLN![Exército
Zapatista de Liberação Nacional]”, com uma fala da polícia mexicana depois. Dá pra ouvir nessas faixas também os efeitos sonoros que a INB usou, criando uma espécie de mosaico sonoro com o som da bateria e os sons ambientes de um ato dessa magnitude, como gritos nos finais das músicas e mensagens da polícia. Além de criar transições de faixas em que a multidão se faz mais presente para outras em que a presença da banda é maior - como de Km Cero (i) para Hamaq. Essa e Kyoto Dischord são regravações de faixas presentes em outro excelente álbum da mesma
banda, chamado Insurgent Selections for Battery and Voice. A INB, apesar de não trabalhar tanto o peso da multidão em suas músicas, como outras diversas fanfarras gringas, leva a voz em consideração.
Exemplo é o nome de seu primeiro disco.
O Vamos a la Playa é um exemplo de atividade política e música que saiu do enclausuramento estético e político que é presente em boa parte dos grupos tanto à direita quanto à esquerda, junto com outros movimentos concomitantes, como o "movimento anti-globalização" e, bem mais importante, o EZLN. Vai ainda além de uma mudança puramente "2.0", somente estética, de alguns desses grupos, defendendo uma mudança num aspecto mais amplo. Exemplo disso é a canção que encerra o álbum, La Andina, que possui uma linda melodia. Foge de incorrer na breguice-por-breguice de canções de protesto à la caminhando e hinos de entidades mil por esse mundão afora, com a
INB dando um gás com seus pratos, tambores e metais. Também fugiu do rótulo de música-de-protesto-tipo-punk, com o som pesado e distorcidos, aqui é mais na base da sutileza, dos swings e balcãs.
Difícil destacar faixas aqui, acho que vale a pena ser ouvido por inteiro - inclusive o samba diferente e "errado" que é Bloco Fogo - e é uma experiência intensa. Obviamente importantíssimas são as faixas curtinhas sem música, que dizem muito da fanfarra. Em resumo, acho que o que fica desse disco é esse re-movimento, como o que ocorre na última música, e essa experiência musical fortíssima, descrita pela INB em seu site como "INB vs OMC, parte II". E também umas frases do disco - aí vai de cada um pra cada um mas acho sensacional o que vem no final de La Andina: “vamos a la playa, ô-ô-ôôô”!
Faixas:
1-Introduction
2-Praha
3-Goat Eyes
4-Ou Est la Liberte
5-Down Down WTO
6-Kyoto Dischord
7-Nagarawalla
8-Ja Helo
9-Km Cero (i)
10-Hamaq
11-Km Cero (ii)
12-Bloco Fogo
13-La Andina
Download nos comentários. Minha participação anterior no saqueando envolveu a postagem de um disco liderado por um imbecil quasi-fascista. Agora, no aniversário desse renascente blog, dou um presente que ele merece!
Difícil destacar faixas aqui, acho que vale a pena ser ouvido por inteiro - inclusive o samba diferente e "errado" que é Bloco Fogo - e é uma experiência intensa. Obviamente importantíssimas são as faixas curtinhas sem música, que dizem muito da fanfarra. Em resumo, acho que o que fica desse disco é esse re-movimento, como o que ocorre na última música, e essa experiência musical fortíssima, descrita pela INB em seu site como "INB vs OMC, parte II". E também umas frases do disco - aí vai de cada um pra cada um mas acho sensacional o que vem no final de La Andina: “vamos a la playa, ô-ô-ôôô”!
Faixas:
1-Introduction
2-Praha
3-Goat Eyes
4-Ou Est la Liberte
5-Down Down WTO
6-Kyoto Dischord
7-Nagarawalla
8-Ja Helo
9-Km Cero (i)
10-Hamaq
11-Km Cero (ii)
12-Bloco Fogo
13-La Andina
Download nos comentários. Minha participação anterior no saqueando envolveu a postagem de um disco liderado por um imbecil quasi-fascista. Agora, no aniversário desse renascente blog, dou um presente que ele merece!
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domingo, 6 de janeiro de 2013
The Chocolate Watchband - The Inner Mystique (1968)
No dia do aniversário de 5 anos do Saqueando a Cidade (rapaz, quanto tempo, hein?), nada como comemorar com velhos conhecidos, não é mesmo? A bola da vez é o The Inner Mystique, álbum da Chocolate Watchband lançado em 1968, um ano depois da estreia do grupo com No Way Out.
Expoentes do rock psicodélico de garagem da Califórnia, o conjunto trazia consigo várias influências que ficaram caracterizadas em sua sonoridade, sendo que o blues e o soul predominavam na maioria de suas canções. O disco, que foi posto à venda nas lojas numa época em que a criatividade no cenário do rock florescia à torto e à direito, se destacou dentre os demais pelo diferenciado tempero oriental que algumas músicas acabaram recebendo (graças às cítaras e sopros no lado A do vinil), pela bela - e tanto quanto dadaística - arte de capa e, é claro, pela competência dos músicos em produzir um som que fosse mais do que somente um rock de garagem com claras características da cena de São Francisco. Pelo bom humor também, diga-se de passagem: a contracapa do vinil trazia agradecimentos a pessoas inesperadas, como "Mark Twain", "Alice of Wonderland", "King Henry IV", "Bilbo Baggins", "Gandalf", "Wolfgang Amadeus Mozart" e por aí vai...
Das oito faixas da obra, somente duas, Voyage Of The Trieste e Inner Mystique, compostas pelo produtor do grupo, Ed Cobb, são originais. Ambas integram a primeira parte do álbum, caracterizada por sons que remetem a um transcendentalismo similar ao dos Beatles com Tomorrow Never Knows ou ao dos Stones com Gomper. Aliás, por falar nos Beatles e nos Stones, é nas versões - muito boas, por sinal - de outras bandas que algumas influências ficam evidentes. Enquanto In The Past, canção do We The People, lembra muito o estilo dos garotos de Liverpool, I'm Not Like Everybody Else (gravado pela primeira vez pelos Kinks e depois por mais uma boa renca de gente - dentre eles o Sacred Mushroom, que também tem disco aqui no Saqueando) poderia muito bem ter sido cantada por Sir Mick Jagger.
Fechando o conjunto de belas homenagens feitas pelos músicos californianos, há Medication, dos Standells, em uma pegada bem blues-rock; Let's Go, Let's Go, Let's Go, de Hank Ballard & The Midnighters; uma versão um pouco mais densa de Baby Blue, do eterno Dylan e, para encerrar com estilo, uma explosão de psicodelia e agressividade proto-punk na redenção de I Ain't No Miracle Worker, dos igualmente garageiros Brogues.
O fato de serem escassas as composições próprias não torna o disco menos interessante, muito pelo contrário: a audição é até que bem agradável e deve animar os fãs mais ferrenhos dos bons Nuggets sessentistas. Diferentemente do que pode parecer, não é mais do mesmo. O Chocolate Watchband foi suficientemente eficiente para dar uma nova cara àquilo que poderia parecer batido - e isso é um mérito. Não vou dizer que supera o No Way Out, mas, mesmo assim, continua sendo um discão que vale a ouvida.
Faixas:
1. Voyage of The Trieste
2. In The Past
3. Inner Mystique
4. I'm Not Like Everybody Else
5. Medication
6. Let's Go, Let's Go, Let's Go
7. Baby Blue
8. I Ain't No Miracle Worker
Links nos comentários, povo.
E parabéns pro Saqueando!
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The Chocolate Watchband
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Ar Skloferien - Folk Celtique (1973)
Já falamos a respeito da cidade bretã de Nantes, que fica no noroeste da França, aqui no Saqueando. Foi de lá que surgiu o grupo folk Tri Yann, conforme comentamos num post bem recente. A charmosa cidade - que já foi capital de importantes tribos gaulesas - é um rico polo cultural, principalmente em se tratando de música folclórica. E, nesse cenário de raízes musicais e de folclore muito ricos, surge, também, o Ar Skloferien. Inspirados pelos antigos bardos e trovadores que vagavam pela região num passado distante, os músicos franceses fazem um som similar ao de seus conterrâneos supracitados, porém com um pé um pouco maior dentro da cultura celta. Seu som se caracteriza pelas harmonias vocais impecáveis e pela presença forte de instrumentos tradicionais como a pennywhistle, o banjo e o bouzouki, que é uma espécie de bandolim oriundo da Grécia.
A trajetória do grupo é tanto quanto obscura: noves fora os dois únicos discos gravados pelo conjunto (este que cá se apresenta e um lançado no ano de 1974, Keltia), a única informação sobre eles que consta nos registros é que, depois de uma rápida dissolução, se reestruturaram e, sob o nome de Sklof, lançaram um disco chamado Folk Celtic. Bem se vê - cá entre nós - que o que sobrava de talento para recitar e reproduzir belas canções medievais faltava em criatividade para dar nome aos discos do grupo. Sorte a nossa que o segundo fator em pouco ou nada influi para a degustação auditiva dos álbuns, muito embora seja capaz de causar certas panes para os que tentarem indexar a obra - mas isso é problema dos burocratas. Oras, chega de digressão! Voltemos ao assunto principal.
O primeiro trabalho do grupo, Folk Celtique, traz uma série de releituras e de rearranjos de danças - gavotas, an dros (vulgarmente conhecidos por voltas no português lusitano e/ou tupiniquim), baladas... - e de canções de batalha, bebedeira e qualquer outro tipo de entretenimento profano e pagão, para deleite do ouvinte, evidentemente.
Numa toada alegre, o disco tem seus altos e baixos em termos de agitação: a primeira faixa, Gavotte a Deux Violons, é um convite para o camponês tímido se levantar e se entregar aos deleites de uma festa regada a hidromel, vinhos, pandeiros e violinos. Há, é claro, um momento ou outro para respirar e se contemplar a grama e sentir o vento no rosto, como em Koster C'hoad, mas nunca é demais lembrar que os gauleses sempre foram muito convidativos em suas festividades e músicas como Les Petits Moutons, Highland Harry e When I Was Single são capazes de fazer qualquer lavrador cansado pedir para encher o copo de ale mais uma vez. Há que se destacar a belíssima Gwin Ar C'hallaoued que, dentre tantos brados e batidas, é uma das mais belas e singelas odes ao vinho que este que vos fala já teve a oportunidade de escutar. Não dá pra deixar passar batido, também, An Dro e Gavotte Ar Menez, duas instrumentais cujas flautas são de arrancar lágrimas dos olhos até do mais bruto dos bárbaros.
Num compto geral, não dá pra dizer que se trata de um som inovador ou de outro mundo, principalmente para quem já está com os ouvidos acostumados ao folk do norte da França. Mas, por outro lado, é uma coletânea interessantíssima de músicas muito bonitas e sublimes. E isso é inegável. Qualquer um com mais ou menos quarenta minutos livres deveria dedicá-los a escutar esse disco. Garanto que a chance de se arrepender não existe.
Faixas:
1. Gavotte A Deux Violons
2. The Ballad of Father Gilligan
3. Am Amzer Dremenet
4. Koster C'hoad
5. The Barnyards of Delgaty
6. Les Petits Moutons
7. Cwin Ar C'hallaoued
8. An Dro
9. Highland Harry
10. Gavotte Ar Menez
11. When I Was Single
12. Gavotte D'Honneur De Plougastel Daoulas
Link nos comentários.
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Ar Skloferien
sábado, 29 de dezembro de 2012
Ornette Coleman - Free Jazz (1960)
Ornette Coleman foi enorme no free jazz. Pelo que tudo indica, ele não inventou esse tipo de música, pois ela foi inaugurada por Lennie Tristano em 1949 (ou antes disso, até) quando este lançou a gravação “Crosscurrents”, que continha uma sessão de improvisações da qual os músicos participantes alegavam que “liam a música” na cabeça de seus parceiros”. Contudo, Ornette Coleman criou o conceito desse jazz libertário.Cabe contar a trajetória desse musicão: Começou com saxofone aos sete anos, e conseguiu aprimorar sua técnica rapidamente. Com quinze anos, fez parte de um grupo de R&B. Posteriormente, quando tomou a estrada, seu modo de tocar não foi muito bem aceito pelas ruas, ora pela sua apresentação desleixada e ora pela falta de ortodoxia de seus bebops. Contudo, suas composições a muitos surpreendiam, e rechearam livros de partituras bluesísticas pelos Estados Unidos.
Algum tempo se passou, e um grupo de músicos com interresses comuns se juntaram para fazer um som. Entre eles, o mestre do trompete vanguardista, Don Cherry. O grupo começou a gravar. Nos discos, eles sempre alegavam que a inovação estava por vir, o que é facilmente perceptível em títulos de discos como “Tomorrow Is the Question!” ou “The Shape of Jazz to Come”, ambos de 1959.
Em 1960, chegou inovação: o álbum “Free Jazz”. Nele rolava uma oscilação entre longos momentos de improvisação e pequenos momentos com composição, sendo estes muito pouco redondos e aqueles menos redondos ainda. O disco levava como subtítulo/ explicação a seguinte sentença: “A Collective Improvisation By The Ornette Coleman Double Quartet”. Mas quem era esse duplo quarteto? Além de comparças de som de longa data como Don Cherry, grandes figuras do jazz como Freddie Hubbard também integravam o conjunto.
Coleman, no auge dos seus 80 anos me bateria se lesse isso, mas o disco não era inovação por inteiro: a improvisação é praticamente um bebop destorcido e retorcido pontuado por certos momentos extremamente anárquicos e/ou aleatórios. Mas não é possível ser inovação por inteiro, não é mesmo? Influências existem, felizmente.
Inaugurou-se, assim, uma nova etapa do jazz. Certa vez, Ornette (certamente sobre tom de uma risada orgulha) disse: “os músicos me dizem que se o que eu estou fazendo é o certo, eles nunca deveriam ter ido a escola”. O free jazz pôde, muito bem, representar uma reforma na música, e mudou o cenário jazzístico universal, propiciando sonzeiras como Sam Rivers ou Sun Ra, que também estão aqui no Saqueando a Cidade!
Quanto as faixas, são duas, sendo dois takes da improvisação. Uma delas tem como nome "Free Jazz" e a outra "First Take", mas ambas tratam praticamente da mesma forma, se é que isso é possível.
bom. link nos zommentz
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Ornette Coleman
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Tri Yann - An Naoned (1972)
Situada no noroeste da França, a região da Bretanha foi o berço de diversos povos celtas, mais especificamente dos gauleses bretões, daí o óbvio ululante nome da província. Passaram-se séculos desde a queda do Império Romano e desde o fim da Gália, os povos latinos se tornaram maioria e o francês passou a ser a língua oficial da região. Mesmo assim - e isso poucos sabem - a Bretanha continua tendo seus bretões que, diga-se de passagem, são muito orgulhosos e mantém com esmero suas tradições e sua língua. Embora pouco conhecidos por aqui, os grupos de folk celta sempre fizeram certo sucesso na região. E foi na velha cidade de Nantes que surgiu um dos grupos de maior destaque dentro do estilo musical.
O Tri Yann (do bretão "Três Jeans") surgiu em 1970 e era composto, em sua formação original, pelos músicos franceses Jean Chocun (vocais, violão e banjo), Jean-Paul Corbineau (vocais, violão, gaita e colheres - sim, colheres) e Jean-Louis Jossic (vocais, dulcimer, pennywhistle - espécie de pequena flauta irlandesa de níquel -, berimbau-de-boca e bodhrán), acompanhados no contrabaixo e no violoncello por Bernard Baudriller. Seu primeiro disco, An Naoned (ou "de Nantes" no velho e bom português), tem um acervo composto basicamente por canções tradicionais francesas e célticas, cantadas ora em francês, ora em bretão. A instrumentação folclórica utilizada cria, para o ouvinte, uma atmosfera que caberia muito bem a uma mesa de taverna farta de hidromel, a uma festa gaulesa ou até mesmo a um pasto tranquilo perto de Stonehenge. Além da riqueza de timbres e do uso simples, porém belo, de escalas modais, o ponto forte do álbum de estréia do grupo francês está nos belos arranjos vocais dos membros da banda. Em muitas das faixas, cantam em um coro muitíssimo bem sincronizado e afinado e, nas que algum dos cantores da banda leva tudo nas costas, ele o faz com muita qualidade.
O disco abre com a alegre Les Filles des Forges, um alegre iodelei em homenagem às donzelas que se confessavam após ter ido a um baile. La Vierge à La Fontaine é quase que um lamento regado ao belo som do dulcimer. Em seguida, uma das instrumentais de maior destaque no disco (e, não vou mentir, minha favorita), Pastourelle de Saint Julien Maraichine. Trata-se de um catártico esmirilho na pennywhistle, uma genuína e quente dança medieval da bretanha. Tri Martelod, a quarta faixa, comprova exatamente o que eu havia comentado a respeito da qualidade de produzir arranjos vocais que o grupo possui. E qual não é a surpresa de quem está ouvindo o álbum ao escutar, logo em seguida, um belo poema (Before Ireland Can Go Free) na mais serena das vozes? Certamente certa emoção, principalmente ao perceber que ela se emenda num passe de mágica com a tradicional escoçesa Ye Jacobites!
Além dessas supracitadas, merecem maior destaque a música que veio a virar hit com o lançamento do álbum, Les Prisons de Nantes, canção de estruturação similar à faixa de abertura, mas com um ânimo um pouco mais sublime e Le Dauphin, singela homenagem aos príncipes que irão assumir o trono de seus pais um dia.
O som do Tri Yann é realmente muito interessante para quem está afim de conhecer um folk diferente do convencional. Não é dos mais normais, mas é extremamente fácil de se ouvir e de digerir. Altamente recomendado!
Faixas:
1. Les Filles Des Forges
2 La Vierge A La Fontaine
3. Pastourelle De Saint Julien Maraichine
4. Tri Martelod
5. Before Ireland Can Go Free (Poeme De Sean O Casey)/Ye Jacobites
6. Les Filles D'Escoublac
7. Johnny Monfarleau 'Madame Bolduc'
8. La Calibourdaine De Breca
9. Les Prisons De Nantes
10. An Alarc'H
11. Le Dauphin
12. Au Pied D'Un Rosier
Link nos comentários, frères!
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Tri Yann
Saquearam o Saqueando!
Caríssimos amigos e amigas,
Em meio a este infernal calor que anda fazendo aqui em São Paulo, pude encontrar-me ontem com o Caio (que, junto comigo, abriu este blog em 2008 e o reergueu em 2009) e com o Fuser (grande postador e estimadíssimo camarada) e, saudosos e com certo sentimento de disperdício ao ver um site tão bacana como o Saqueando às moscas, tomamos a decisão de botar a coisa para rodar de novo.
A primeira coisa que consideramos importante para botar ordem na casa era arrumar os links que estavam perdidos ou expirados... E qual não foi a nossa surpresa ontem - fazendo o levantamento das "perdas" - ao descobrir que nada mais que 134 discos haviam sido sumariamente eliminados do nosso acervo pela censura que vem se instaurando na internet nos últimos anos?
Saquearam o Saqueando!
Mas isso não vai ficar barato, tenham certeza disso. Já estamos trabalhando para recuperar todas as sonzeiras perdidas nesse buraco negro do contínuo espaço-tempo e... Adivinhem só? Resolvemos aderir à modernidade e começar a postar discos em torrent pra facilitar a vida e garantir material de maior qualidade. Mas por que o torrent, se os mirrors e uploaders eram tão eficientes? Ora! Além do download ser mais rápido, é possível transmitir arquivos muito maiores.
Confesso que não sei explicar direito como funciona esse sistema. Ao que me consta, ao compartilhar o arquivo na rede em Torrent, o download é dividido pelo servidor aleatoriamente entre todas as pessoas que estão baixando. Dessa forma, cada uma baixa uma parte do arquivo e retransmite para as outras (o famoso seeding), deixando o servidor livre e propiciando um download de altíssima velocidade.
Baixar um torrent pode parecer complexo à primeira vista, mas é realmente muito simples. Você só precisa ter um client de bit torrent instalado e rodando no seu PC/Mac/Linux/que seja (recomendamos o uso do µTorrent ou do BitTorrent para o serviço). Tendo esse essencial plugin na sua máquina, basta baixar o arquivo-fonte do torrent nos links que disponibilzaremos para vocês, selecionar a pasta de destino e.... bom, aí vocês decidem. Sair para tomar um cafézinho, dar uma volta no parque, tanto faz. Esperar o download acabar do jeito que vocês acharem melhor, hehehe! E lembrem-se sempre de deixar o torrent baixado ativo no client mesmo depois de baixado: dessa forma, vocês continuam a enviar os arquivos para a rede de downloads (sem nenhum prejuízo ao desempenho do seu computador, vejam bem) e fazem com que o arquivo continue vivo e cada vez mais fácil de ser baixado! É o livre-compartilhamento em sua mais gloriosa forma!
Enfim, creio que, por hora, seja isso. Esperem, nos próximos dias, por links fresquinhos e por novas e inusitadas sonzeiras ao nosso repertório.
O Saqueando foi saqueado, mas vai voltar mais saqueador que nunca!
Obrigado a todos que nos acompanharam nos últimos anos. Estamos trabalhando para voltar a ser o blog bacana que um dia já fomos!
Salud!
Em meio a este infernal calor que anda fazendo aqui em São Paulo, pude encontrar-me ontem com o Caio (que, junto comigo, abriu este blog em 2008 e o reergueu em 2009) e com o Fuser (grande postador e estimadíssimo camarada) e, saudosos e com certo sentimento de disperdício ao ver um site tão bacana como o Saqueando às moscas, tomamos a decisão de botar a coisa para rodar de novo.
A primeira coisa que consideramos importante para botar ordem na casa era arrumar os links que estavam perdidos ou expirados... E qual não foi a nossa surpresa ontem - fazendo o levantamento das "perdas" - ao descobrir que nada mais que 134 discos haviam sido sumariamente eliminados do nosso acervo pela censura que vem se instaurando na internet nos últimos anos?
Saquearam o Saqueando!
Mas isso não vai ficar barato, tenham certeza disso. Já estamos trabalhando para recuperar todas as sonzeiras perdidas nesse buraco negro do contínuo espaço-tempo e... Adivinhem só? Resolvemos aderir à modernidade e começar a postar discos em torrent pra facilitar a vida e garantir material de maior qualidade. Mas por que o torrent, se os mirrors e uploaders eram tão eficientes? Ora! Além do download ser mais rápido, é possível transmitir arquivos muito maiores.
Confesso que não sei explicar direito como funciona esse sistema. Ao que me consta, ao compartilhar o arquivo na rede em Torrent, o download é dividido pelo servidor aleatoriamente entre todas as pessoas que estão baixando. Dessa forma, cada uma baixa uma parte do arquivo e retransmite para as outras (o famoso seeding), deixando o servidor livre e propiciando um download de altíssima velocidade.
Baixar um torrent pode parecer complexo à primeira vista, mas é realmente muito simples. Você só precisa ter um client de bit torrent instalado e rodando no seu PC/Mac/Linux/que seja (recomendamos o uso do µTorrent ou do BitTorrent para o serviço). Tendo esse essencial plugin na sua máquina, basta baixar o arquivo-fonte do torrent nos links que disponibilzaremos para vocês, selecionar a pasta de destino e.... bom, aí vocês decidem. Sair para tomar um cafézinho, dar uma volta no parque, tanto faz. Esperar o download acabar do jeito que vocês acharem melhor, hehehe! E lembrem-se sempre de deixar o torrent baixado ativo no client mesmo depois de baixado: dessa forma, vocês continuam a enviar os arquivos para a rede de downloads (sem nenhum prejuízo ao desempenho do seu computador, vejam bem) e fazem com que o arquivo continue vivo e cada vez mais fácil de ser baixado! É o livre-compartilhamento em sua mais gloriosa forma!
Enfim, creio que, por hora, seja isso. Esperem, nos próximos dias, por links fresquinhos e por novas e inusitadas sonzeiras ao nosso repertório.
O Saqueando foi saqueado, mas vai voltar mais saqueador que nunca!
Obrigado a todos que nos acompanharam nos últimos anos. Estamos trabalhando para voltar a ser o blog bacana que um dia já fomos!
Salud!
domingo, 23 de dezembro de 2012
T.S. Bonniwell - Close (1969)
No dia 25/12/2011, manhã de Natal, deparei-me com uma notícia que acabou deixando amargo o dia que normalmente é dedicado à confraternização, à comemoração e, acima de tudo, à degustação de presunto, peru, arroz de champagne...
Thomas Harvey "Sean" Bonniwell, meu ídolo e grande nome do rock de garagem, havia morrido.
A primeira coisa que me veio à cabeça foi fazer-lhe uma homenagem... Mas as palavras não fluíam. Não que, um ano depois, eu sinta que consiga escrever algo à altura de sua qualidade como letrista e compositor, mas tentarei fazer o possível.
Diferentemente do que consta nos anais da história e na sabedoria do populacho, Bonniwell começou a sua carreira musical num quarteto vocal de pop-folk chamado The Wayfarers. O único registro de suas canções está num álbum raríssimo gravado ao vivo na Feira Mundial de 64 (At The World's Fair), tão raro este que nem mesmo a velha e boa internet foi capaz de nos fornecer todo o material até o instante (mas eu prometo que eu posto ele aqui pra vocês assim que eu conseguir tê-lo completo em mãos). O conjunto acabou não durando muito e Bonniwell, à época, jovem, ansioso e inquieto, entrou de corpo e alma no mundo do rock com os Ragamuffins - que, com o tempo, crescimento musical de seus integrantes e saída de uns e chegada de outros, se tornou o Music Machine, onde Sean cravou seu nome no rock de garagem psicodélico. A banda tinha uma atitude agressiva - para muitos estudiosos de música, eles anteciparam em uma década o punk - e um visual inconfundível: todos os membros usavam cabelo esfregão, roupas pretas e uma luva de couro na mão direita. A partir daqui a história vocês já conhecem. Depois de atingir sucesso relativo com Talk Talk, Trouble e Cherry Cherry, o grupo chamou a atenção da Warner, assinou contrato novo e, para dar mais destaque ao seu líder e principal compositor, mudou de nome para The Bonniwell Music Machine. Aí, nos idos de 1967, o grupo atingiu seu ápice musical com Beyond The Garage, que continha pérolas como The Trap, Double Yellow Line, To The Light e Astrologically Incompatible.
Mas nem tudo são flores, não é mesmo?
A banda estava trabalhando em mais um disco - a ser lançado em 1968 com o nome Ignition. O material acabou sendo remasterizado e lançado pela Sundazed em 2000-, mas Sean seguia descontente. Os desentendimentos do grupo acabaram por dissolvê-lo. Mas isso não abalara Bonniwell: em 1969, o músico ressurge no cenário musical com Close, seu primeiro álbum solo, lançado pela Capitol Records. O disco é um marco na sua vida por alguns motivos específicos: aqui, Sean abre mão de sua impetuosidade de jovem revoltado, reencontra seu passado folk, cantando músicas gentis e leves e também muda um pouco de postura ao assumir seu nome de batismo, Thomas, ao assinar o disco como T.S. Bonniwell. Mas mais importante que tudo isso é o fato do disco ter sido praticamente ignorado pelo mercado (e pela gravadora), fato que causou enorme desgosto em Sean. Desgosto esse tamanho a ponto de fazê-lo vender todas as suas coisas, crescer uma barba e sair numa viagem de "retiro espiritual" pelos Estados Unidos da América, no melhor estilo beatnik. Durante esse tempo nas estradas, o cantor e guitarrista acabou se convertendo - com certa ênfase, diga-se de passagem - ao Cristianismo, escreveu uma autobiografia contando sua vida de garageiro e, nos anos 80, foi convencido pelos Fuzztones a tirar o pó da guitarra e gravar uma nova versão - sensacional, diga-se de passagem - de The People In Me. Em 2004, reuniu o Music Machine e saiu em tour pela Europa. Inclusive, temos o bootleg aqui no Saqueando. Você pode achá-lo neste link aqui. Pera, não tem link? Rapaz, vou lhe falar: essa censura à divulgação de música na internet está se tornando cada vez pior. Vamos refazer o upload dessa pérola assim que possível.
Quanto ao Close, serei bem sincero: não dá pra dizer, nem de longe, que contenha qualquer uma das melhores composições de Bonniwell. Dentre as 11 faixas do disco, destacam-se o lamento Where Am I To Go (um prenúncio à necessidade de Bonniwell se reencontrar com sua espiritualidade?), Black Snow (que chegou a ser gravada numa versão mais "pesada" pelo Music Machine e foi lançada no Ignition), o country à lá honky-tonk Where It Belongs e a despedida - momentânea - que fecha o disco, a inquieta Sleep.
Bonniwell foi, sem dúvidas, uma perda terrível para a música underground. Poucos sabem, mas Sean deixou um legado riquíssimo e que com certeza inspirou grandes nomes. Talvez nada mais digno para este grande homem do que morrer no dia da maior comemoração de sua religião. Foste um excelente músico, Bonniwell, sentiremos sua falta!
Com quase um ano de atraso - mil desculpas! -, mas com toda a admiração deste humilde blogueiro.
Descanse em paz e, como naquele e-mail que você muito atenciosamente me respondeu há alguns anos, may the Lord bless you with peace and prosperity.
"Rock and roll was a teenager in the '60s, and I used that climate to express my confusion, my anger, at the injustice of the world."
-Sean Bonniwell - 1940~2011
Torrent em altíssima qualidade (agora nós estamos modernos, hehehe. Mentira: não consegui outro link pra esse disco, em especial) nos comentários, meu povo!
Thomas Harvey "Sean" Bonniwell, meu ídolo e grande nome do rock de garagem, havia morrido.
A primeira coisa que me veio à cabeça foi fazer-lhe uma homenagem... Mas as palavras não fluíam. Não que, um ano depois, eu sinta que consiga escrever algo à altura de sua qualidade como letrista e compositor, mas tentarei fazer o possível.
Diferentemente do que consta nos anais da história e na sabedoria do populacho, Bonniwell começou a sua carreira musical num quarteto vocal de pop-folk chamado The Wayfarers. O único registro de suas canções está num álbum raríssimo gravado ao vivo na Feira Mundial de 64 (At The World's Fair), tão raro este que nem mesmo a velha e boa internet foi capaz de nos fornecer todo o material até o instante (mas eu prometo que eu posto ele aqui pra vocês assim que eu conseguir tê-lo completo em mãos). O conjunto acabou não durando muito e Bonniwell, à época, jovem, ansioso e inquieto, entrou de corpo e alma no mundo do rock com os Ragamuffins - que, com o tempo, crescimento musical de seus integrantes e saída de uns e chegada de outros, se tornou o Music Machine, onde Sean cravou seu nome no rock de garagem psicodélico. A banda tinha uma atitude agressiva - para muitos estudiosos de música, eles anteciparam em uma década o punk - e um visual inconfundível: todos os membros usavam cabelo esfregão, roupas pretas e uma luva de couro na mão direita. A partir daqui a história vocês já conhecem. Depois de atingir sucesso relativo com Talk Talk, Trouble e Cherry Cherry, o grupo chamou a atenção da Warner, assinou contrato novo e, para dar mais destaque ao seu líder e principal compositor, mudou de nome para The Bonniwell Music Machine. Aí, nos idos de 1967, o grupo atingiu seu ápice musical com Beyond The Garage, que continha pérolas como The Trap, Double Yellow Line, To The Light e Astrologically Incompatible.
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| Sean e seu estiloso conjunto de bigode e cavanhaque. |
Mas nem tudo são flores, não é mesmo?
A banda estava trabalhando em mais um disco - a ser lançado em 1968 com o nome Ignition. O material acabou sendo remasterizado e lançado pela Sundazed em 2000-, mas Sean seguia descontente. Os desentendimentos do grupo acabaram por dissolvê-lo. Mas isso não abalara Bonniwell: em 1969, o músico ressurge no cenário musical com Close, seu primeiro álbum solo, lançado pela Capitol Records. O disco é um marco na sua vida por alguns motivos específicos: aqui, Sean abre mão de sua impetuosidade de jovem revoltado, reencontra seu passado folk, cantando músicas gentis e leves e também muda um pouco de postura ao assumir seu nome de batismo, Thomas, ao assinar o disco como T.S. Bonniwell. Mas mais importante que tudo isso é o fato do disco ter sido praticamente ignorado pelo mercado (e pela gravadora), fato que causou enorme desgosto em Sean. Desgosto esse tamanho a ponto de fazê-lo vender todas as suas coisas, crescer uma barba e sair numa viagem de "retiro espiritual" pelos Estados Unidos da América, no melhor estilo beatnik. Durante esse tempo nas estradas, o cantor e guitarrista acabou se convertendo - com certa ênfase, diga-se de passagem - ao Cristianismo, escreveu uma autobiografia contando sua vida de garageiro e, nos anos 80, foi convencido pelos Fuzztones a tirar o pó da guitarra e gravar uma nova versão - sensacional, diga-se de passagem - de The People In Me. Em 2004, reuniu o Music Machine e saiu em tour pela Europa. Inclusive, temos o bootleg aqui no Saqueando. Você pode achá-lo neste link aqui. Pera, não tem link? Rapaz, vou lhe falar: essa censura à divulgação de música na internet está se tornando cada vez pior. Vamos refazer o upload dessa pérola assim que possível.
Quanto ao Close, serei bem sincero: não dá pra dizer, nem de longe, que contenha qualquer uma das melhores composições de Bonniwell. Dentre as 11 faixas do disco, destacam-se o lamento Where Am I To Go (um prenúncio à necessidade de Bonniwell se reencontrar com sua espiritualidade?), Black Snow (que chegou a ser gravada numa versão mais "pesada" pelo Music Machine e foi lançada no Ignition), o country à lá honky-tonk Where It Belongs e a despedida - momentânea - que fecha o disco, a inquieta Sleep.
Bonniwell foi, sem dúvidas, uma perda terrível para a música underground. Poucos sabem, mas Sean deixou um legado riquíssimo e que com certeza inspirou grandes nomes. Talvez nada mais digno para este grande homem do que morrer no dia da maior comemoração de sua religião. Foste um excelente músico, Bonniwell, sentiremos sua falta!
Com quase um ano de atraso - mil desculpas! -, mas com toda a admiração deste humilde blogueiro.
Descanse em paz e, como naquele e-mail que você muito atenciosamente me respondeu há alguns anos, may the Lord bless you with peace and prosperity.
"Rock and roll was a teenager in the '60s, and I used that climate to express my confusion, my anger, at the injustice of the world."
-Sean Bonniwell - 1940~2011
1 Where Am I To Go
2 Love is Such a Simple Word
3 Who Remembers
4 Something to Me
5 Black Snow
6 She is
7 Temporary Knife
8 Continue
9 Where It Belongs
10 But Not With My Heart
11 Sleep
Torrent em altíssima qualidade (agora nós estamos modernos, hehehe. Mentira: não consegui outro link pra esse disco, em especial) nos comentários, meu povo!
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Sean Bonniwell
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
O Terno - 66 (2012)
Em diferentes portais de notícias do Brasil você vai encontrar informações sobre os caras. Paulistas e paulistanos, de 21 a 22 anos de idade, o grupo o Terno dá novos ares à cena musical brasileira.
O grupo é composto por Martim Bernardes na guitarra e voz, Guilherme "Peixe" no baixo e Victor Chaves na bateria.
Acabaram de ganhar o prêmio de melhor clipe do premio Multishow pelo trabalho feito no clipe de "66" com Marco Lafer e Gustavo Moraes.
Empurrados por aquilo que já foi feito no passado e pelo som que faz pular a nova geração, o powertrio lança um CD brilhante.
Com influências sessentistas como Os Mutantes, Beatles, Kinks, Hendrix o trio pôs no mercado um dos melhores trabalhos de estréia já produzidos por uma banda de Roquenrou.
Porém, como ficar na nostalgia realmente soa como estagnação musica, há também sonoridade de grupos contemporâneos como Black Keys, Rafael Castro, Tame Impala, dentre tantos outros que já me apresentaram.
O disco traz um lado A (canções d'O Terno), e um lado B (canções brilhantemente rearranjadas de Maurício Pereira, ex-Mulheres Negras).
Eu não quero falar muito, até porque, há muito tempo, perdi a prolixidade dos primeiros posts, portanto vou ficar por aqui.
Mas, bicho, eu to muito orgulhoso de colocar esse marco aqui. Por um novo cenário musical no Brasil.
Eu quero o elepe.
Faixas:
1. 66 (Martim Bernardes) 2:31
2. Morto (Martim Bernardes) 4:44
3. Eu Não Preciso de Ninguém (Martim Bernardes / Guilherme d'Almeida) 2:46
4. Enterrei Vivo (Martim Bernardes) 3:46
5. Zé, Assassino Compulsivo (4:30)
6. Quem é Quem (Mauricio Pereira) 4:32
7. Modão de Pinheiros (Maurício Pereira) 4:28
8. Purquá Mecê (Os Mulheres Negras) 4:36
9. Compromisso (Mauricio Pereira) 1:52
10. Tudo Por Ti (Mauricio Pereira) 3:53
Como nos bons tempos do saqueando:
P.S.: procurem a versão deles de Canto de Ossanha no, como popularizado no debate da TV cultura, iutchubi.
P.S.2: Este post é para divulgação do trabalho dos caras, assim como no caso do Rafael Castro, ajudem.
Link nos comentários/palpites/notas/avisos/etc e tal
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O Terno
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Paulo Moura - Confusão Urbana, Suburbana e Rural (1976)
Um dos maiores nomes da música instrumental brasileira, Samba, Choro e Gafieira. Paulo Moura dominava todos gêneros e a todos com maestria. Mas, se há um gênero que pode ser apontado como o formador e modelador dele é o Jazz. Músico de Big Band.
No disco Confusão Urbana, Suburbana e Rural ele mistura tudo com maestria. Unindo a percussão do samba com toques de maxixe e jazz, gafieira e vanguardismos de jazz da década de setenta.
Munido de uma banda excepcional, como, por exemplo, Rosinha de Valença no violão e Wagner Tiso no piano, Paulo Moura faz um disco impecável.
01 - Espinha de bacalhau (Severino Araújo) 2:40
02 - Notícia (Alcides Caminha-Norival Bahia-Nelson Cavaquinho) 2:24
03 - Bicho papão (Wagner Tiso-Paulo Moura-Martinho da Vila)
Tema do Zeca da Cuíca (Rosinha de Valença) 7:06
04 - Carimbó do Moura (Folclore) 2:22
05 - Se algum dia (Martinho da Vila) 4:07
06 - Peguei a reta (Porfino Costa) 4:00
07 - Amor proibido (Cartola) 3:02
08 - Dois sem vergonha (Wagner Tiso-Paulo Moura) 3:20
09 - Eu quero é sossego (K-Ximbinho) 3:14
10 - Dia de comício (Paulo Moura) 1:57
11 - Pedra da lua (Toninho Horta) 2:32
linco nos comentários
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Paulo Moura
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Cabezas de Cera - Cabezas de Cera (1997)
E existe forma melhor de retomar esta onda de saudosismo do que desenterrar uma das mais ilustres sonzeiras de nossos irmãos Mexicanos? Creio que não. Até porque está aí um disco que vale cada segundo nele gravado. Trata-se do debut do Cabezas de Cera, principal nome da cena neo-progressiva/fusion da terra dos burritos.
Formado no ano de 1995, em plena Ciudad del Mexico, o grupo (composto pelos irmãos Mauricio e Francisco Soleto, guitarrista/baixista e baterista, respectivamente; pelo flautista Ramsés Luna e pelo especialista em efeitos sonoros Edgar Arrelín) se destaca pela ecleticidade: ao mesmo tempo em que sua sonoridade remete ao prog nu e cru, é notável a influência do jazz e de experimentalismos eletrônicos. Não é difícil perceber o uso de overdrives, efeitos em sintetizadores, cordas arqueadas, trechos de spoken word, solos de saxofone à lá New Orleans... É uma mistura riquíssima, interessantíssima e por demais saborosa, que não é RIO, Zeuhl, Post-Rock... É Cabezas de Cera.
O primeiro disco do grupo, lançado em 1997, é a síntese do que foi acima descrito. A primeira canção do álbum, Veintiuno, é de uma transcendentalidade perturbada, mas ainda assim possui um quê de beleza clássica. Em oposição a isso, temos a caótica manifestação post-rock Gocxilla, que chega a ser um tanto perturbadora de tão barulhenta.
Em seguida, uma das mais belas peças que o rock progressivo já foi capaz de criar: Encantador de Serpientes. É, na humilde opinião do blogueiro, a melhor do grupo. A flauta (ok, vocês me pegaram. Como flautista, sou suspeitíssimo para falar) aqui produz uma sequência melódica digna de deixar tanto Mozart quanto Thijs Van Leer de queixo caído. E, não bastasse tamanha beleza no som eólico do maravilhoso instrumento, logo chega um saxofone e dá um ar ainda mais quente a tão estonteante canção. Não poderia haver, por conseguinte, melhor faixa para seguí-la do que Un Pueblo Escondido, verdadeiro bate-papo entre violinos, violoncelos, flautas e marimbas; uma verdadeira manifestação de serenidade.
Dentre as outras faixas do disco - que mantém o mesmo padrão de qualidade sonora, diga-se de passagem -, destacam-se Pretexto a Un Texto Fragmentado, um quase-manifesto-caótico-musicado apoiado por pesados riffs de guitarra e Gitana, uma composição aciganada que dispensa apresentações.
Enfim, trata-se de um disco chave para a absorção da produção progressiva/experimental contemporânea, além, é claro, de uma excelente aquisição na coleção de sonzeiras de qualquer um que aprecie qualidade musical. Que não for capaz de gostar disso que atire a primeira pedra!
Faixas:
1. Veintituno
2. Goxcilla
3. Encantador de Serpientes
4. Un Pueblo Escondido
5. Caravana
6. Pretexto a Un Texto Fragmentado
7. Gitana
8. Frontera
9. Al Aire
Link nos comentários, minha gente!
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Cabezas de Cera
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
A Bolha - Um Passo a Frente (1973)

Fundada no Rio de Janeiro, a Bolha, conhecido como "The Bubbles" na época, teve um inicio conturbado devido a troca constante de integrantes, assim dificultando a criação de uma identidade da banda. Os seus primeiros passos foram seguidos de um instrutor, pois não havia gravações próprias neste período, apenas reproduções de hits famosos, como "Honey Pie" e "Ob-La-Di, Ob-La-Da" dos Beatles. A participação no cenário musical continuava discreta com gravações de trilhas para filmes além de registros de compactos sem repercussão.
Salvos por Jards Macalé que convidou a banda para tocar com Gal Costa em uma turnê em Portugal, A Bolha ficou marcada pela influência musical de diversos ícones em sua estadia na Europa. O contato com bandas consagradas, como The Doors, The Who, Jimmy Hendrix tornaram a banda mais fervorosa, tornando-a mais agressiva. Além deste estímulo, conheceram Caetano Veloso e Gilberto Gil exilados em Londres, ampliando assim o repertório musical. No retorno ao Brasil, a banda estava cintilante e prontos para criação do primeiro disco. As primeiras gravações foram as faixas "sem nada/18.30 (Parte I) e "Os Hemadecons Cantavam em Coro Chôôôôôôô (ambas bônus deste disco, exclusivas deste link).
Neste tempo eles foram convidados para participar do album de Leno, "A vida e Obra de Johnny McCarteney", produzido por Raul Seixas. A reputação da banda se elevava e assim eles produziram a obra que levou a nome de "Um passo a frente". Eles também decidiram trocar o nome da banda, abrasileirando o "The Bubbles". O disco é marcado pelo toque progressivo, que vivia seu auge no inicio dos 70, com faixas absurdamente lindas. Apesar disto, há um preenchimento de outros viés musicais, como a faixa "Razão De Existir" com uma pitada mais suave de rock n' roll.
A formação clássica e a emblemática improvisação nas musicas provam que a banda se preocupava com a estética do padrão progressivo, mas criava seu perfil de acordo com as experiências adquiridas ao longo da sua história. O rock brasileiro não se destacou na decada de 70, comparado com anos posteriores que contaram com a ajuda da mídia para ser divulgado, além de eventos organizados para sua propagação, mas isso não significa que a música era inferior, de pior qualidade. Estas bandas foram fundamentais para o rock se consolidar neste país e com isso formar a nossa rica cultura que mistura elementos de todos os cantos.
Bom, aqui vão as faixas do disco seguido do link para baixar (nos comentários, segunda as regras):
1. Um Passo A Frente
2. Razão de Existir
3. Bye My Friend
4. Epitáfio (Epitaph)
5. Tempos Constantes
6. A Esfera
7. Neste Rock Forever
8. 18.30 - Parte I (Bonus)
9. Os Hemadecons Cantavam Em Coro (Bonus)
Boa viagem!
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A Bolha
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
John Mayall - Bluesbreakers With Eric Clapton (1966)
Estou morrendo de saudades de escrever. Sinto que piorei, sei disso em função dos textos que tenho feito e não tenho gostado de ler. Textos para a faculdade, textos para mim. Mas chega dessa baboseira.
Todo mundo que se preze sabe que um dia Eric Clapton foi chamado de God. "Clapton is God" dizem as paredes por toda Inglaterra. De fato, Eric Clapton foi o maior guitarrista da terra da rainha na década de 60, sem dar a menor chance para Jeff Beck ou Jimmy Page, ainda longe de tornarem-se as lendas que são hoje em dia.
Após o rompimento com o Graham Bond ORGANization, por questões pessoais, como sempre, Eric Clapton se uniu a John Mayall and The Bluesbreakers. John Mayall foi convencido por Alex Korner a seguir essa vida de músico em meados da década de 50, lá por 57/58, mais ou menos. A banda funcionava bem, mas em 1956 o guitarrista Roger Dean foi substituído por Eric Clapton e eles gravaram um dos maiores CD's do mundo.
Esse disco, com John Mayall nos vocais, teclas e gaita, Eric Clapton na guitarra, John McVie no baixo e Hughie Flint na bateria, é uma pérola de música inglesa sessentista. É um grupo que importou logo cedo as influências americanas (assim como o já citado Alex Korner) e transformou elas criando uma sonoridade buscada por muitas bandas na época e mesmo hoje.
Por sinal, em algumas músicas não lançadas marcou presença Jack Bruce no baixo.
Faixas:
- "All Your Love" 3:36
- "Hideaway" 3:17
- "Little Girl" 2:37
- "Another Man" 1:45
- "Double Crossing Time" 3:04
- "What'd I Say (Day Tripper)" 4:29
- "Key To Love" 2:09
- "Parchman Farm" 2:24
- "Have You Heard" 5:56
- "Ramblin' on My Mind" 3:10
- "Steppin' Out" 2:30
- "It Ain't Right" 2:42
- "Lonely Years" 3:21
- "Bernard Jenkins" 3:48
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John Mayall and The Bluesbreakers
terça-feira, 24 de maio de 2011
Di Melo - Di Melo (1975)

"Ai ai meu Deus do céu como eu sofri ao ver a natureza morta"
Tenho o prazer de voltar, por mais breve que seja, a esse blog com um texto de um disco de um conterrâneo meu, Roberto de Melo Santos, Di Melo, o Imorrível.
Eu tenho que ser honesto com vocês, eu tenho um orgulho digno de ser pernambucano e recifense por causa dessa efeverscência cultural da cidade. Toda época tem um baita conterrâneo meu fazendo barulho por aí, Ariano Suassuna, Manuel Bandeira, Luiz Gonzaga, Chico Science, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e eu vou parar por aqui para não dizerem que eu falei muita inutilidade.
Enfim, Di Melo traz uma sonoridade diferenciadíssima, misturando o soul e funk ao baião, ao samba e até ao tango ele deu ao Brasil um disco sem igual.
"Kilariô" é um exemplo pulsante desse ritmo novo, ritmo pegado e excitante, com letras e canto que, com certeza, foram inspiração para Chico Science, "Conformópolis" é o tango do qual eu falei, com direito a acordeon e tudo o mais.
Bixo, pra você ter uma noção, a "banda de apoio" dele nesse disco, entre aspas porque é uma bandaça, algo meio Janis e Big Brother, é composta por vários caras, mas eu vou falar só dois, tá? Um deles é um tal de Hermeto Pascoal, flauta e teclados, o outro sujeito é o Dirceu, que tocava com o Gilberto Gil. Tem um terceiro, que é o acordeonista (tá certo isso?!) que por vezes acompanhou o Astor Piazzolla, mas eu não acho o nome do sujeito em canto nenhum, se alguém possuir a informação manifeste-se.
Enfim, terminando, por finalizar e já nos finalmentes, tem um site aí dele (clique aqui), aparentemente ele voltou à mídia recentemente não custa nada visitar
Faixas:
- "Kilariô" 2:49
- "A Vida em Seus Métodos Diz Calma" 3:43
- "Aceito Tudo" 2:58
- "Conformópolis" 2:44
- "Má-lida" 3:31
- "Sementes" 1:35
- "Pernalonga" 2:45
- "Minha Estrela" 2:31
- "Se o Mundo Acabasse em Mel" 3:08
- "Alma Grega" 3:59
- "João" 2:28
- "Indecisão"
P.S.: já tava com saudades, aguardo comentários, mudou muito a escrita aí? tá tudo nos trinques? valeu, moçada.
Como já ditou a tradição do Saqueando, o link está nos Comments!
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Di Melo
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Jorge Ben Jor - Samba Esquema Novo (1963)

Talvez uma das estréias mais brilhantes da música popular brasileira, melhor talvez até que a dos Mutantes.
Veja bem, nasceu no Rio de Janeiro, jogou nas categorias de base do grande C.R. Flamengo (não sou flamenguista, antes que saiam me acusando por aí) mas acabou seguindo carreira na música. Tocava pandeiro desde os 13 anos de idade, ainda jovem integrou coral de igreja e aos 18 ganhou seu primeiro violão.
Jorge Ben talvez seja o mais brasileiro dos músicos modernos. Lá pelo começo da década de 60 tava todo mundo se dividindo entre Jovem Guarda e Bossa Nova, porém, me diga, meu caro, onde você colocaria Jorge Ben nessa divisão? Pois é, ninguém sabia tampouco naquela época, ainda não tinha aparecido a Tropicália e só se queria saber da Bossa Nova bem clássica, ou da Jovem Guarda, bem "Rock and Roll". Ainda no começo da década de 60 ele é visto tocando no beco das garrafas e é logo levado para gravar seu primeiro cd.
Esse primeiro cd é esse aqui: Samba Esquema Novo (1963) e que disco, meu caro. O primeiro músico brasileiro a juntar sonoridade gringa com o samba, brilhante. Samba com Funk e Rock and Roll são fundidos pela primeira vez gerando algo jamais esquecido e um dos melhores discos da música brasileira.
Jorge Ben toca acompanhado pelo grupo de Samba Jazz Meirelles e os Copa Cinco, ou seja, Manuel Gusmão no baixo, Luiz Carlos Vinhas no piano, J.T. Meirelles na flauta e no saxofone, Pedro Paulo no trompete e o já brilhante Dom Um Romão na bateria. Meus caros, é sensacional.
Sambalance!
Faixas:
- "Mas Que Nada!" 3:02
- "Tim Dom Dom" 2:22
- "Balança Pema" 1:30
- "Vem Morena, Vem" 1:59
- "Chove, Chuva" 3:06
- "É Só Sambar" 3:06
- "Rosa, Menina Rosa" 2:16
- "Quero Esquecer Você" 2:16
- "Uala Uala" 2:09
- "A Tamba" 3:04
- "Menina Bonita Não Chora" 2:08
- "Por Causa de Você, Menina" 2:07
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Dom Um Romão,
Jorge Ben Jor
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
The Graham Bond Organisation - The Sound of '65

Graham Bond era um músico inglês, nascido em 1937 veio a morrer em 1974. Ficou conhecido por ser um exímio saxofonista, tocou como conjunto pela primeira vez no Don Rendell Quintet.
Posteriormente viria a entrar na onda do R&B que começou a invadir a inglaterra, principalmente ali no começo da década de 60, com Ray Charles, Otis Redding, Booker T. & The MG's e é claro o blues de Willie Dixon, Mudy Waters entre outros. Com essa nova onda na cabeça, ele fez parte brevemente no Alexis Korner Blues Incorporated (tá aqui no Saqueando, por sinal) logo antes de montar o The Graham Bond Quartet.
Os integrantes da banda eram ele, tocando órgão e cantando, com John McLaughlin (que tocou já com Miles Davies, Paco de Lucia, Al di Meola entre outros) na guitarra que viria a ser substituído posteriormente por Dick Heckstall Smith que tocaria saxofone, não só na Graham Bond como em todos os grupos dessa nova onda inglesa como o John Mayall, Coloseum e o Blues Incorporated.
Bom, eu não esqueci de comentar a cozinha, simplesmente a deixei pra depois, pois o melhor sempre se deixa pra depois. O Graham Bond Organization (novo nome do Quartet após a troca de guitarrista por saxofonista) teve nas baquetas o brilhante Ginger Baker e no baixo o sinistro Jack Bruce, sim, os dois do Cream. Inclusive, para os que não lembram, no disco do Cream aqui postado eu cito a formação do Cream ser decorrente do desmanche deste grupo aqui postado.
Bom, tendo isso tudo em mente, fica a dica aí, um R&B bem gostoso de ouvir, muito bem trabalhado sempre, com um quê de sonoridade inglês e muito do divertimento e do swing do R&B americano.
Fica a dica aí da Graham Bond ORGANization
Faixas:
- "Hoochie Coochie Man" 3:14
- "Baby Make Love to Me" 1:53
- "Neighbour Neighbour" 2:40
- "Early in The Morning" 1:51
- "Spanish Blues" 3:05
- "Oh Baby" 2:43
- "Little Girl" 2:16
- "I Want You" 1:46
- "Wade In The Water" 2:43
- "Got My Mojo Working" 3:41
- "Train Time" 2:24
- Baby Be Good To Me" 2:36
- "Half A Man" 2:06
- "Tammy" 2:50
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