domingo, 29 de dezembro de 2013

Beltaine - Rockhill (2004)





Festa pagã comemorada pelas antigas tribos celtas da Europa, o Beltane (do celta belo-te(p)niâ, ou "fogo brilhante") celebrava a chegada da primavera e a fertilidade da terra. Nela, os "foliões" dançavam, cantavam e se fartavam de alimentos em volta de uma grande fogueira que, tal qual acreditavam, emanava uma energia mística que faria um enorme bem aos homens (e às colheitas e rebanhos) que as absorvessem. Atualmente, ainda existem festividades na ocasião - que, no hemisfério norte é celebrada no dia 30 de abril e no sul, dia 31 de outubro - graças ao resgate destas antigas tradições por grupos neopagãos como os Wiccanos, muito embora nas comemorações contemporâneas prime a sensualidade humana em detrimento da fertilidade do solo.
A Polônia, muito embora não seja reconhecida como um dos países que mais sofreram a influência dos povos celtas, abrigou muitas dessas tribos na antiguidade e, assim como na França, na Irlanda e na Inglaterra, ainda existe vivo um certo carinho pelas tradições do passado. Um dos mais famosos expoentes musicais dessa cultura no país, o grupo Beltaine tem como base sonora tanto influências do folclore bretão-francês quanto do irlandês. O que diferencia a banda de outras várias tentativas de resgate contemporâneo da música celta é justamente a densidade com que cada uma das peças é executada e o álbum Rockhill, de 2004, é a prova disso. Cada interpretação de músicas tradicionais (além da inclusão de canções próprias) presentes no disco é surpreendentemente original dentro do possível - afinal de contas, algumas músicas possuem mais de 600 anos, é sempre bom lembrar - e a fluidez com a qual os músicos conseguem transitar entre ritmos é impressionante. De um raga (sim, temos algumas incursões orientais aqui também) para um an dro, de um an dro para um jig, cada pausa ou acelerada é de deixar o ouvinte perplexo.
A obra abre com o nome da banda como primeira faixa... E não à toa, é possível sentir a chama crepitante dentre as suaves flautas de Beltaine. A tradicional e brilhante Burning Piper's Hut vem logo em seguida e, além de dar uma chacoalhada intensa no ouvinte, causa pequenos espasmos de prazer a cada breque do bouzouki irlandês... E não demora para uma cítara delirar por aproximados dois minutos até a poderosa An Astrailhad (música tradicional francesa cujo nome, em bretão, significa "o brincalhão) que, apesar do título, é papo sério, enquanto músicas como a faixa-título Rockhill e The Sweetest Joy são afagos líricos muito sossegantes. Całuski Pastora é um aperitivo para o lado polonês do grupo e cumpre o que o nome - em polaco claro, "beijos da pastora" - sugere muito bem. 
A releitura da clássica The Foggy Dew, com vocais masculinos gravíssimos e incursões de pennywhistle de tirar o fôlego também merece especial atenção. Temos ainda faixas como Dance Around, Mary B. e The Sea of the Irish Dreams, que embora não se destaquem sobre as outras, são assaz agradáveis. E não dá para acabar de falar desse disco sem dar especial atenção a 4 Reele, que é uma coletânea de quatro animadas canções de baile celtas... Dignas de se subir em cima da mesa e sapatear para tudo que é canto. A faixa final, Sunrise, é um alentador fim-de-festa depois de uma agitada noite céltica.
No geral, Rockhill é um disco excelente e muito vivo. Para ser ouvido no trabalho, recebendo visitas, fazendo banquetes ou dançando em volta da fogueira.

Faixas:

01 - Beltaine

02 - Burning Pipers Hut

03 - Intro 

04 - An Astrailhad

05 - Rockhill

06 - The Sweetest Joy

07 - Całuski Pastora

08 - Dance Around

09 - Foggy Dew.mp3

10 - The Sea of the Irish Dream

11 - 4 reele

12 - Mary B

13 - Sunrise



Links nos comentários!

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Herbie hancock Live at Ultrasonic Studios, Hempstead, NY – October 1, 1973


Achei esse disco esses dias e desde então não consegui parar de ouvir. Herbie Hancock é foda, e isso não é novidade, mas o que me chamou a atenção nesse disco, e que aumentou minha fome por bootlegs do cara, é que se trata de um disco com versões mais “simples”, se possível dizer isso, ou melhor, mais cruas. O número de instrumentos é menor, se trata de um disco ao vivo, então digamos, o “acabamento” tem uma cara diferente dos discos gravados em estúdio, com o intuito de serem lançados como tal, e não como bootleg.

As duas primeiras músicas, Actual Proof, um funk-com-muita-classe, e Butterfly, um pouco mais “pra trás”, mais calma, são do disco Thrust, que foi lançado no ano seguinte desse show, 1974. As duas últimas, Sly e Chameleon, que dispensam comentários, são do tão conhecido disco Headhunters, de 1973.

A banda que acompanha ele nesse show é a mesma que gravou os dois respectivos discos antes citados, e quase todos os discos desse período 1972, até mais ou menos 1975, se eu não me engano. Só que nesse caso, ela aparece em uma versão mais “compacta”, contando apenas com Mike Clark na bateria (no entanto, não foi ele quem gravou as baterias de Headhunters), Paul Jackson no baixo, Bennie Maupin nos sopros, e claro, Herbie nas teclas.

Tracklist:
  1. Actual Proof
  2. Butterfly
  3. Sly
  4. Chameleon
Todas as músicas são de autoria própria.

Pessoal, gostaria de pedir desculpa por um pequeno problema que rola com esse arquivo que estou "uploadando", e que ainda não sei como resolver. Os nomes das músicas estão errados, então o que rola é o seguinte: a música com nome de Chameleon, na verdade é a Actual Proof; Sly é Butterfly; Butterfly é Sly; e Actual Proof é Chameleon. Desculpem pelo transtorno, um dia ainda aprendo a arrumar esse tipo de coisa.

Here we are, Hempstead, live at Ultrasonic recording studios, with the tuesday night concert series, that continues to amaze. Tonight a concert that, in fact, will certainly amaze you, please welcome mister Herbie Hancock.


Link nos comentários,

Abração!

domingo, 6 de outubro de 2013

La Bamboche - Née de La Lune


O hurdy-gurdy, também conhecido como sanfona de corda ou vielle à roue ("viola de roda" em francês) é um instrumento antiquíssimo, oriundo do norte da Península Ibérica, e pode-se dizer que consiste de uma mistura inusitada entre um violino, uma gaita de foles e um piano. O som é feito ao se girar uma manivela acoplada a uma roda (daí a origem de seu nome), que faz vibrar algumas cordas, umas com tons que se modificam pelo dedilhar de um teclado acoplado ao corpo do instrumento, outras fazendo sons constantes, notas pedais. Apesar de razoavelmente desconhecido atualmente, o hurdy-gurdy está presente em muitas músicas do folclore europeu, da costa de Portugal aos gélidos palácios da Rússia.

Tive de fazer esta introdução pois é justamente este excêntrico porém ancião instrumento que dá a Née de La Lune (em português, "Nascidos da Lua"), quinto disco do grupo francês La Bamboche, um tom completamente diferente de outros discos de folk-rock da época e da região. Se no norte da França as bombardas, tinwhistles e gaitas de foles dos bretões criaram um som forte e característico, o hurdy-gurdy de Lyon contribui para a criação de uma peça única. O disco abre com a faixa-quase-título Je Suis Née Sous La Lune, bela e sublime balada embelezada pelos doces e aveludados vocais de Eveline Girardon, que contam com a ótima companhia de sua viola de roda e da sensacional gaita de foles do mago Jean Blanchard. Daí para frente só vem pedrada. A veia roqueira do grupo se manifesta em ótimos instrumentais como a insinuante Les Chavans ou a pesada Romarin. Em alguns momentos, a leveza e os sons macios retornam, como é o caso das tranquilíssimas Laissez Faire e Si J'Avais Une Amie, prova magistral do belo potencial melódico da língua francesa. Em outros momentos, entretanto, o grupo abusa de porradas fortes, como Brume Noire. Não dá para não citar, também, o frenesi causado pelos iodeleis impressionantes de Bourée Infernale (uma das faixas onde o hurdy-gurdy mais se destaca, inclusive) e do ar medievalesco apaixonante de En Passant Par Lyon. O disco se encerra quase que transcendentalmente com La Route de Padoue, um belo recital acompanhado por um envolvente diálogo entre sanfona de corda e gaita de foles.

Em suma, trata-se de uma pérola vinda do centro da França que, infelizmente, se tornou pouco conhecida pelos nossos lados. Simples de digerir e agradável de se ouvir, Née de La Lune merece ser fruído com especial atenção. Infelizmente o grupo se separou e não voltou a gravar mais discos depois da concepção desta jóia, mas é fato que o foi feito durante seu período de atividades já vale mais do que a discografia de muitos pretensos "artistas" soltos por aí.

Folk-rock de primeiríssima qualidade.

Faixas:
1. Je Suis Née Sous La Lune
2. Les Chavans
3. Laissez Faire
4. Scottish des Reaux/La Boulangerie
5. C'est à Vous Les Jennes Filles
6. En Passant Par Lyon
7. Bourée Infernale
8. Si J'Avais Une Amie/Brume Noire
9. Romarin
10. La Gare de Moulins
11. La Bourrée Du Diable/La Route De Padoue

Link para o disco nos comentários!

terça-feira, 26 de março de 2013

Rodriguez - Cold Fact (1970)



Um dia desses um amigo me mostrou esse álbum, falando que esse cara era bom. Comecei a ouvir: parecia mais um naquela pegada dylanesca-psicodélica, com um pouco de J. Cash e de Lee Hazlewood. Mas não, de fato esse cara é diferente.

Começando pela sua história que, se contada numa mesa de bar, ninguém acreditaria. Sixto Rodriguez era um “faz tudo” em Detroit, Michigan, e, sem saber, acabou se tornando um dos grandes símbolos da contra-cultura e da luta contra o apartheid na Africa do Sul. Pois é. Mas essa parte deixo para seu documentário, Searching For Sugar Man (2012), que disponibilizarei o link também, lá nos comentários.

Cold Facts foi gravado pela Sussex (algo como um braço direito da Motown), e lançado em 1970. É um disco bem simples, sem grandes arranjos, beirando aquela gravação tosca do final dos anos 60, mas bastante ácido. As letras são bastantes afiadas e viscerais: diz aquilo que precisa ser dito, sem mais, nem menos. Podemos ver isso na primeira estrofe de Sugar Man, que abre o disco:
Sugarman/ Won't ya hurry/ Coz I'm tired of these scenes/ For a blue coin/ Won't ya bring back/ All those colours to my dreams/ Silver majik ships, you carry/ Jumpers, coke, sweet MaryJane.
Ou, em Forget It, uma despedida sincera e fria: But thanks for your time, then you can thank me for mine. And after that’s said, forget it.

A segunda musica, Only Good For Conversation, é mais radical, com um fuzz, e uma pegada mais roque-en-roll. Crucify Your Mind, é mais tranquilo, com um arranjo de metal e xilofone. Establishment Blues, Hate Street Dialogue, são mais ácidas em suas letras, musicalmente tranquilas, com versos agressivos e bastante críticos. Inner City Blues segue nessa pegada, mas um pouco mais alegre e pra cima. I Wonder é uma bela baladinha, bem animada. As músicas seguem por essa linha, sem grandes invenções, e sem perder nenhuma energia.

Tracklist:
  1. Sugar Man
  2. Only Good For Conversation
  3. Crucify Your Mind
  4. This Is Not a Song, It's an Outburst: Or, The Establishment Blues
  5. Hate Street Dialogue
  6. Forget It
  7. Inner City Blues
  8. I Wonder
  9. Like Janis
  10. Gommorah (A Nursery Rhyme)
  11. Rich Folks Hoax
  12. Jane S. Piddy
Todas as músicas são de autoria de Sixto Rodriguez.

Bom, por hoje é isso. Não deixem de assistir o documentário! Realmente vale a pena.
De resto, links nos comentários.

Até.

Obs.: No link do disco, Like Janis, está como ultima música e Jane S Piddy como 9. É só trocar uma pela outra na ordem das músicas.


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Miles Davis - In a Silent Way (1969)




Olá!
Está aqui um post inconvencional: não vou postar o link para download, pois, como se trata de uma pessoa famosa, de grande importância para a música e para as artes, todo esse lance de direitos autorais é mais severo do que com nomes meio/não conhecidos. Então, se você quiser baixar, vou tentar postar uma lista de sites que tenham o link, ou você pode ir na galeria Nova Barão, lá no centro de São Paulo, que com certeza tem um discão lindo te esperando.
Enfim.

Miles Davis, quem nunca ouviu falar de Miles Davis? Ele é uma figura bastante enigmática no mundo da música. Escolhi esse disco por que eu acho ele muito bom e também por que é um disco-símbolo de mudanças no jazz, no rock, e na música ocidental de modo geral.
In a Silent Way foi gravado em 1969, só com um pessoal da pesada:
  • Miles no trompete;
  • Wayne Shorter no sax soprano;
  • John Mclaughin na guitarra elétrica;
  • Chick Corea e Herbie Hancock nos pianos elétricos;

  • Josef (Joe) Zawinul no orgão;
  • Dave Holland no baixo;

  • Tony Williams na bateria.

No meu post anterior falei da Betty Davis: foi nesse período que os dois estavam casados; que Miles conheceu Sly Stone e Jimi Hendrix; que passou a se relacionar mais com o que estava rolando na música fora-do-mundo-do-jazz.

Foi nessa época também que o Miles Davis's Quintet começou a se “desfazer”(ou melhor, tomar novos rumos): Ron Carter não é mais o baixista. Em contrapartida à organização mais comum do jazz os efeitos de guitarra, assim como a própria guitarra e os instrumentos elétricos (que passaram a ter um papel mais importante em suas composições). Até mesmo o trompete de Miles com delays, reverbs, wah-wah. Tudo isso indica uma grande mudança, e esse disco simboliza isso.

Vale ressaltar também que houve um certo rompimento com o esquema clássico de gravação nesse disco também: as faixas foram gravadas separadas e depois editadas juntas no estúdio, fazendo uma faixa mais longa (e que nesse caso incorpora a forma de sonata, que em uma explicação rápida consiste primeiro na exposição de um tema, o desenvolvimento de tal tema e por último a recapitulação do tema da exposição). Na primeira faixa, Shhh/Peaceful, os últimos 6 minutos são os mesmos 6 minutos iniciais (embora seja muito difícil perceber isso através de uma experiência sensível). O homem responsável por fazer isso foi Teo Macero (e só pra dar uma idéia, ele quem produziu o Kind of Blue do Miles, o Ah Um do Mingus, o Time Out do Brubeck, além de produzir alguns nomes como Ella Fitzgerald, Duke Ellington, Thelonius Monk, Count Basie, Byrd, Tony Bennet e Stan Getz).

Os críticos de jazz não sabiam como agir perante esse disco, nem os críticos de rock. “Isso não é jazz, isso é rock!” diziam os jazzistas; “isso não é rock”, dizia a crítica de rock, e a "verdade" é que não se tratava nem de rock, nem jazz, era algo novo: Miles misturou elementos de ambas culturas e ainda mais, fazendo algo novo, que viria a ser chamado de fusion, ou seja, a fusão de tudo que estava rolando, desde a música, até a luta contra o preconceito, o mundo divido, as guerras que rolavam. E Muita coisa estava rolando.

Faixas:
  1. Shhh/Peaceful (Miles Davis)
  2. In a Silent Way/ It's About That Time (Joe Zawinul/Miles Davis)

Bom, não vou postar o link para download, mas, para não deixar na mão, vou colocar alguns links que possam ser úteis na sua pesquisa.
Abraço!






quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Betty Davis - Betty Davis (1973)




Betty Mabry, mais conhecida como Betty Davis. Não, não se trata da atriz Bette Davis, mas sim da rainha do funk (ao menos para mim).
O sobrenome Davis não é à toa: foi a segunda mulher de Miles, sendo em grande parte responsável pelo afloramento cultural de sua música, e pela sua "eletrificação". Foi ela quem apresentou Jimi Hendrix e Sly Stone para ele.

Betty nasceu em 1945, na North Carolina, e com 16 anos partiu para Nova Iorque. Lá frequentava o “the Cellar”, um clube-baladinha descolado, onde músicos, pintores, modelos, atores se reuniam para curtir. Foi aí que conheceu Hendrix e Sly, assim como Miles. Eles se conheceram em 1967, casaram-se em 1968, e em 1969 já haviam se divorciado. Ouvi dizer por aí que o motivo do rompimento foi um possível caso de Betty com Hendrix, mas ela nunca assumiu isso.

Em 1971 mudou-se para Londres, para ir atrás de sua carreira de modelo. Sim, antes de ser reconhecida como uma cantora, foi uma modelo de sucesso, saindo em revistas como Seventeen, ebony e Glamour. Nesse período escreveu as músicas que viriam a compor seus discos: Betty Davis (1973), They Say I'm Different (1974) e Nasty Gal (1975). Todos são bons, mas vou tratar aqui apenas do primeiro, que é o que tenho escutado mais.

Betty Davis foi produzido pelo primeiro baterista da banda Sly and The Family Stone, Greg Errico, que também produziu os discos da própria banda, antes de sair em 1971 (além de produzir gente bandas como a de Santana e o Grateful Dead). Um disco altamente sensual, seja no seu jeito de cantar, naquilo que canta, ou no acompanhamento instrumental. Ele te deixa no chão com tanto carinho, amor, paixão e ódio.

Com grandes riffs de roque-en-roll, guitarras não-muito-distorcidas, e seguindo a ideia do “menos é mais”, esse disco traz apenas aquilo que é necessário, nada de muitos luxos musicais. “Anti-love Song” dói no fundo da alma quando começa: “No, I don't want to love you”. Essa música faz você querer dançar independente de onde esteja. "If I'm In Luck I Might Get Picked Up" ,“Walkin' Up The Road”, “Your Man My Man”, “Steppin' In Her I. Miller Shoes” são todas funk-da-pesada e não há discussão. “In the Mean Time” é uma baladinha romântica que encerra o disco, só para dar aquela desbaratinada.
Há ainda “Ooh Yeah”, e “Game is My Middle Name”, que não ficam pra trás das outras.

O link que vou postar é da re-edicão do disco, trazendo 3 bonus tracks: “Come Take Me”, uma música nervosa e voraz; “You won't see me in the morning”, funk-da-pesada, e “I Will Take That Ride”, psicodélica, quase um reagge, bem mais tranquila: uma bela viagem.

Esse disco conta com a participação de um pessoal de peso: Larry Graham, além de outros membros do Graham Central Station; Neal Schon, guitarrista na banda do Santana; Além Sylvester James e The Pointer Sisters nos backing Vocals.




Tracklist:
1. If I'm In Luck I Might Get Picked Up
2. Walkin' Up The Road
3. Anti Love Song
4. Your Man My Man
5. Ooh Yeah
6. Steppin' In Her I. Miller Shoes
7. Game Is My Middle Name
8. In The Meantime

Bonus:
9. Come Take Me
10. You Won't See Me In The Morning
11. I Will Take That Ride


Todas as músicas são de autoria própria.

Bom, é isso aí. Escutem e deliciem-se, e logo logo vem outras coisas quentes.
Abraço!

Link nos comentários.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Angel's Breath - Angel's Breath (1994)




         Esse disco parte pesado desde o começo; dois caras provenientes dos Balcãs em conjunto com um monte de eletronicidades, bando de percussionistas e vocalistas brasileiros, gravado aqui em Sampa, cantado em grande parte em -confesso- uma língua que desconheço, mas claramente balcânica. Qual é a conexão que tornou essa obra possível? A resposta é Mitar Subotic, o Suba. Ele se radicou em São Paulo em 1990, depois de ganhar um prêmio pela UNESCO devido ao trampo The Dreambird, in the Mooncage, em que misturava música eletrônica e canções tradicionais – o que continuou a fazer com a MPB-bossa-nova posteriormente por aqui. Quatro anos depois trouxe para cá seu comparsa sérvio Milan Mladenovic, conhecido já nas paradas de Belgrado pela banda Ekaterina Velika, pra finalizar um projeto em comum que tinham começado por lá. Daí sai esse discaço, da banda homônima completada por João Parahyba na percussão, Fábio Golfetti na guitarra, Taciana Barros como conselheira suprema (!, a fonte é o encarte), Marisa Orth e Madalena nas vozes .
         A primeira faixa, Praia do Ventu Eternu, com u, tem um quê absurdo de MPB, com a distorção e o sotaque dando uma destoada – pessoalmente, acho que o trabalho de Suba influenciou muito a sonoridade da “nova” MPB e bossa, mas aqui não tem esse enclausuramento e soa fresco, rock de anos 80-90 com bossa sim senhor. 40 seconds of Love é uma curta fofurinha que antecipa os efeitos e distorção do começo de Metak, onde as eletronicidades de Suba surgem com maior força, calmando-se sem aviso – as letras cantadas possuem tradução em inglês no encarte do CD, incluido em alguns torrents, acho bom pra acompanhar toda a proposta – pirando levemente nos efeitos, percussões e vozes depois.
         O português “retorna”, se considerarmos a primeira faixa como algo similar à língua em que escrevo, na 4ª faixa: Assassino. Tem no geral um tom hollywoodiano, com a entonação teatral da fala e o climax no maior estilo psicose; a-ssa-ssi-no. A curta música que segue é em “idioma desconhecido” novamente, Aplauzi, sendo baseada em um loop de canto e poucos efeitos, criando um ambiente etéreo interrompido por balbuciações. Ogledalo começa com a gaita tocada por Mladenovic, com uma linha dançante de baixo, num climão mais rock clássico com óbvias concessões, menos distorcido apesar da presença dos efeitos eletrônicos, mais intensos em algumas partes – a guitarra, o baixo, o cinismo do vocal e as vozes em eco no fundo são tão rock pra mim que não tem efeito eletrônico que tire essas aura.
         Já Courage III puxa mais pro lado do eletrônico embora tenha um saborzinho balcânico de cordas, com uma letra interessante, ainda mais se pensado em relação com os principais membros dessa banda e os acontecimentos políticos na época de gravação do projeto: Guerra Civil Iuguslava. Isso pode ser observado também na oitava faixa, a ótima Crv - uma porrada, somente isso, rock beirando a punkice com acordeão e metais em alguns momentos. A música que a precede é Čaura. Pra mim, em vários sentidos - crv é verme e čaura é casulo, o que pode simbolizar uma antecedência. Além disso, ela tem um clima etéreo que pode ser associado ao estado de suspensão que é o casulo e, principalmente, a letra: em Čaura o protagonista da música não acorda e somente dorme pensando em sua própria cara, em um aparente sinal de consideração somente para si mesmo. Em Crv se critica essa autoadoração e arrogância de parte das pessoas, “faces com sorrisos orgulhosos”, que são egoístas, o que pode ser considerado uma resposta da banda às barbaridades em diversos sentidos que estavam sendo cometidas ou no "casulo". Ou não, e isso é somente piração minha – as músicas são boas independente de possíveis merdas que eu disse.
         O fim desse álbum se aproxima com Madalena, quase um loop eterno em que somam outras vozes, caindo numa distorção pesadíssima – e gostosa no timbre, pqp- no final. A última faixa é Velvet, dando um final deliciosamente instrumental e percussivo pra esse discão. Apontaria como favoritas praticamente todas. Fim: o álbum soa inseparável pra mim, com a possível exceção de Crv, que tem som de single mas que cai como uma luva no álbum.


1. Praia do Ventu Eternu
2. 40 Seconds of Love
3. Metak
4. Assassino
5. Aplauzi
6. Ogledalo
7. Courage III
8. Čaura
9. Crv
10. Madalena
11. Velvet

L-l-l-l-linque nos comentários!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Loyce & Os Gnomos - O Despertar dos Mágicos (1969)


Banda oriunda de Limeira, interior de São Paulo, Loyce & Os Gnomos deixou para posteridade apenas um compacto, lançado em 1969 pela gravadora local Dó Ré Mi. Disputada por décadas nos submundos dos colecionadores de vinis, o disco é uma verdadeira pérola do rock nacional, no melhor estilo nugget garageiro e psicodélico do fim dos anos 1960. Com a inclusão de duas faixas do grupo na recente coletânea Brazilian Guitar Fuzz Bananas: Tropicalistas Psychedelics Masterpieces (1967-1976), a banda saiu da obscuridade total e o compacto foi relançado em vinil, com tiragem limitada, pela Valeverde Records.
O título "O Despertar dos Mágicos" faz referência ao livro homônimo dos franceses Louis Pauwels e Jacques Bergier que fez fama entre aquela geração de hippies mundo afora, pois descreve fenômenos paranormais e alienígenas estudados pelas ditas "ciências ocultas" e esotéricas. A capa do disco e nome da banda também só reforçam o estilo bicho-grilo da obra.
No lado A, está a faixa "Era uma nota de 50 cruzeiros", com fuzz eletrizantes e microfonia, com uma pegada punk precoce, barulheira que deixa gringos como The Sonics no chinelo. Em seguida, vem a baladinha "José João ou João José", que seria a maior caretice, não fosse a letra sobre as gravatas que enforcam e dos cogumelos gigantes. No lado B, "Que é isso" é a melhor música do conjunto. Assim como no lado A, a faixa seguinte é novamente uma baladinha, mas que não resiste e termina tomada por guitarras psicodélicas.
Escute e assista o interior paulista ferver em chamas.

Lado A
1. Era uma nota de 50 cruzeiros
2. José João ou João José

Lado B
1. Que é isso?
2. A Jardelina Querida ou Coletivo

Links nos comentários, José João.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

The Fellowship - In Elven Lands (2006)



Filólogo, escritor e professor, J.R.R. Tolkien se consagrou em meios literários com duas obras: O Hobbit e o Senhor dos Anéis. O primeiro, livro infantil, conta a saga do então jovem hobbit (povo de baixa estatura - não ultrapassam a altura de crianças quando adultos - e de pés grandes e peludos) Bilbo Bolseiro em busca de um tesouro de um reino de anões que há muito tempo vem sido guardado pelo terrível dragão Smaug. O segundo, um pouco mais denso e complexo, voltado para um público adulto, conta a épica história do sobrinho de Bilbo, Frodo Bolseiro, enquanto ele tenta destruir um anel mágico pertencente ao Senhor do Escuro, que ameaça a tudo e a todos com a sombra de uma terrível guerra.

Talvez não seja necessário explicar muito mais a respeito desses dois livros em especial, mas nunca é demais dizer que o universo de fantasia medievalesca criada pelo britânico oriundo da África do Sul é de um valor mitolígico indubitável. Afinal de contas, Tolkien sempre se preocupou com a coerência e a complexidade das tramas que criava: a Terra-Média e Valinor, dois principais palcos de suas narrativas, possuem um panteão rico e detalhado de divindades, localizações geográficas precisas (além de escrever, o autor desenhava seus próprios mapas) e línguas próprias e características de cada povo que lá habita. Tolkien, por ser um grande estudioso de idiomas, criou estruturas gramaticais, sintaxes e formulou dialetos completos. O quenya, falado pelos altos-elfos, é derivado do finlandês. O sindarin, mais comumente falado pelos elfos, sejam eles altos, cinzentos ou da floresta, é baseado no galês. Já o rorric, idioma dos homens da Terra dos Cavaleiros, tem um quê de inglês arcaico. A fala negra, falada pelas maléficas criaturas de Mordor, era uma mistura de russo com o antigo idioma hurrita. Todas as línguas citadas foram moldadas de forma que sua fonética condizesse com o perfil dos personagens criados por Tolkien, sendo que as duas primeiras sempre se empostaram de maneira mais nobre, leve e melodiosa.

51 anos depois do lançamento do último Senhor dos Anéis, um grupo de músicos liderados pelos neozelandeses Caitlin Elizabeth e Adam Pike, em cooperação com o vocalista do Yes, Jon Anderson, lança um trabalho de sete anos de pesquisas e de composições minuciosas em cima do universo mitológico de Tolkien. In Elven Lands, concluído em 2006, tinha como objetivo constituir o que mais se aproximaria da sonoridade dos povos perdidos do vasto mundo de Arda. Para atingir tal fim, os músicos fizeram questão de aprender quenya e sindarin e - acima de tudo - estudar com afinco os mínimos detalhes das histórias do autor inglês para trazer, para o mundo dos homens, a música dos elfos. Além disso, todos os instrumentos utilizados na gravação do disco buscam se aproximar do que poderia ser utilizado na Terra-Média: o acervo flutua entre hurdy-gurdys, flautas de madeira, pandeiros, bombardas, alaúdes...

Pode-se dizer que o resultado é pra lá de satisfatório: o repertório do álbum é muito agradável acústicamente e não deve em absolutamente nada a qualquer outra tentativa de ilustrar musicalmente a obra de J.R.R. Tolkien. O ouvinte não terá dificuldades em, numa experiência sinestésica, viajar dos Portos Cinzentos até o Valle, dar uma banda pelas Florestas Sombrias, tomar uma ale espumante nas estalagens do Condado, passar pelas minas dos anões em Moria e muito mais! Dentre as várias peças nas duas variantes do élfico e em inglês, seria interessante prestar bastante atenção na animada Dan Barliman's Jig (uma energética balada non-sense à moda dos hobbits), nos vários versos dedicados a valar (divindades do universo tolkeniano) como Elbereth Giltoniel ou ao grande caçador Oromë, na bela The Man on The Moon (quem leu os livros reconhecerá a história contada aos hobbits por Tom Bombadil) ou mesmo na serena Silver Bowl (belo hino em homenagem ao espelho d'água da dama Galadriel de Lothlórien).

E como falar deste belo álbum sem citar a tensa Beware The Wolf, a esplêndida versão do clássico do Led Zeppelin Battle of Evermore (que, pasmem, também foi inspirado nos livros de Tolkien) e o lamento dos anões, When Dúrin Woke? Isso para não comentar, também, a beleza dos cânticos de Elechöi (aqui o velho Jon Anderson solta a voz numa linda composição) e a brilhante Eala Earendel, belíssima homenagem ao brilho das estrelas?

Certamente, não dá mesmo para fechar esse texto sem falar de Creation Hymn, estupenda redenção do Ainundalë do Silmarillion, conto de Tolkien que explica que a criação do universo se deu não pelo big bang, mas sim por uma bela música orquestrada por Eru ou Ilúvatar, a divindade de maior importância nessa mitologia toda. Se o próprio autor acreditava que a vida era fruto de uma grande canção, quem somos nós para discordarmos disso? O disco é, no geral, excelente. Talvez um tanto quanto calmo demais, mas, sem dúvida, um conjunto de músicas de beleza incomensurável e que irão agradar facilmente a todo fã de folk e de música antiga.

Faixas:

1. Tír Im
2. Dan Barliman's Jig
3. The Silver Bowl
4. The Man on The Moon
5. A Verse To Elbereth Gilthóniel
6. Elechöi
7. Beware The Wolf
8. Oromë: Lord of The Hunt
9. Creation Hymn
10. When Dúrin Woke
11. Eala Earendel
12. The Sacred Stones
13. The Battle of Evermore
14. The Blood of Kings
15. Verses To Elbereth Gilthóniel
16. Evening Star

Links nos comentários!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Karen Dalton - In My Own Time (1971)


              Olá! Fui convidado recentemente a participar desse blog, e aqui está meu primeiro post: Karen Dalton – In my own time.
             Foi díficil escolher um primeiro albúm para postar aqui: tantas possibilidades, tanta coisa para ser mostrada, mas deixei o coração escolher e esse disco toca fundo na alma.
            Karen Dalton é uma cantora, violonista e banjoísta folk, nascida no Oklahoma, em 1937, e que ficou “famosa” em Nova Iorque, nos anos 60, junto com a turma do Greenwhich Village.
            Chegou lá em 1961, com uma filha pequena, sem muito dinheiro; e com seu violão e sua voz passou a fazer parte da cena que lá acontecia. Dividiu palco com Bob Dylan, Fred Neil, entre outros que lá se apresentavam. Sua voz é muitas vezes comparada com a de Billie Holiday (embora não gostasse dessa comparação), algo como uma versão rural da cantora de jazz. Uma voz que retrata o sofrimento que viveu, suas dores, seus vícios e com um timbre bastante peculiar.
            Ela não gostava de estúdios, nem de shows muito grandes, seu lance eram os shows pequenos, coisas intímas, com os amigos. E pelo fato de só tocar covers e versões,  e ter uma voz que não era bem reconhecida pelo público, seu primeiro disco foi gravado apenas em 1969 (It's So Hard to Tell Who's Going to Love You the Best), embora fosse conhecida desde o começo da década. Mas deixemos esse aí para um futuro post.
            In My Own Time foi gravado e lançado em 1971, quem produziu e arranjou ele foi Harvey Brooks, e para quem não sabe (como eu não sabia), ele foi o baixista do Bitches Brew, de Miles Davis; do Highway 61, do Dylan e do Mixed Bag, do Richie Havens: coisa séria. Esse disco é muito bem feito, com começo, meio e fim, um pouco de blues, um pouco de folk, um pouco de soul, um pouco de tudo. “Something On Your Mind”, primeira faixa do é uma música folk que beira o psicodelismo, começando com um baixão grave, entrando logo em seguida as cordas e a bateria, criando o clima para a entrada da voz melancólica de K.D. Toda vez que ouço essa música fico arrepiado, ela toca em algum lugar que não sei direito como lidar. Um amigo meu disse que a mãe dele chorou ao ouvir essa música pela primeira vez, depois de lhe apresentar o disco.
             A segunda faixa é uma versão de “When a Man Loves a Woman”, uma baladinha-soul-romantica (e a melhor que já escutei até hoje). Mas tem de tudo por aqui: “How Sweet It Is” e “One Night of Love” são alegres e dançantes, com uma pegada soul; não tem como não mexer o corpo, balançar a cabeça ou menos bater o pé marcando o ritmo. “Katie Cruel” e “Same Old Man” são mais tristes, mais pesadas, sendo a base delas o banjo e não mais uma banda arrumadinha.
“In My Own Dream”, “In a Station” e “Take Me” são músicas mais tranquilas e leves, com um certo balanço, mas incríveis do mesmo modo que todas as outras. A última faixa “Are You Leaving For The Country” é a que melhor podia fechar esse disco, um pouco saudosista, um pouco triste, um pouco alegre, é uma música que te deixa tranquilo, para seguir por aí.
              Lançou apenas 4 disco em vida, e em 2012 saiu um novo disco, 1966, gravado em sua casa, onde um amigo de seu marido levou um gravador e fez uma sessão de 14 músicas, algumas solo, outras acompanhadas do marido. “Sweet Mother K.D.”, como é muitas vezes referida, teve sérios problemas com drogas e bebidas, somando isso à uma carreira de poucos discos, teve uma vida bem dura, chegando até à ser moradora de rua, falecendo em 1993, depois de anos 8 lutando contra AIDS.
Uma prévia do que pode ser esse disco: Something on Your Mind, com direito à um vídeo bacana-bacana dos anos 50, ou 60 ou 70.

Faixas (como se tratam de versões, coloco aqui os seus autores):
1.      Something on Your Mind (Dino Valenti)
2.      When a Man Loves a Woman (Calvin Lewis, Andrew Wright)
3.      In My Own Dream (Paul Butterfield)
4.      Katie Cruel* (arranjado por Karen Dalton)
5.      How Sweet It Is (To Be Loved by You) (Lamont Dozier, Brian Holland, Eddie Holland)
6.      In a Station (Richard Manuel)
7.      Take Me (George Jones, Peon Payne)
8.      Same Old Man* (arranjada por Steve Weber)
9.      One Night of Love (Joe Tate)
10.  Are You Leaving for the Country (Richard Tucker)
           
*Músicas tradicionas americanas, de autoria desconhecida.

Isso aí! Espero que gostem. O link para download está no comentários.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Sarband - Satie en Orient (2005)


Não sou muito de começar abrindo parênteses, mas a Ensemble Sarband que me perdoe: são todos talentosíssimos músicos, de competência inquestionável, mas não é possível falar desse álbum sem antes discorrer um pouco a respeito do sujeito que compôs todas as peças nele executadas: Éric Alfred Leslie Satie, vulgarmente conhecido por Erik Satie.

Abre parênteses, portanto.

Francês filho de mãe escocesa, Satie viveu em fins do século XIX e é considerado um dos grandes expoentes do impressionismo musical, do minimalismo e é corriqueiramente lembrado como um sujeito excêntrico, misterioso e com um peculiar senso de humor.

O caráter pitoresco de Erik Satie começou a ser traçado em sua infância: após perder a mãe aos 7 anos, foi morar com o tio, um boêmio parisiense e, em meio aos boulevards e cabarets da Cidade-Luz, como bom auto-didata que era, aprendeu rapidamente a tocar piano. Se engana quem pensa que o ambiente fez do rapaz um completo doidivanas: apesar da postura irreverente e de sua excentricidade, o músico francês sempre teve um trabalho caracterizado pela sonoridade organizada e sóbria, mas ainda assim carregada de emoção. Foi nos idos de 1888 que, tocando seu piano nos cabarés de Montmarte, - a destacar o famoso Chat Noir - Satie ganhou notoriedade dentre os compositores e apreciadores de música em Paris e, desde então, sua importância na história da música só cresceu. Se tornou amigo e influência de pessoas como Debussy (que chegou, inclusive, a orquestrar as famosas Gymnopédies, peças mais conhecidas de Satie) e Ravel, trabalhou com Picasso e Jean Cocteau na criação do ballet Parade - considerado por muitos a primeira manifestação de surrealismo nas artes - e ainda se relacionou com gente do Dadá, com quem produziu coisas excepcionais. Sem falar, é claro, que foi mentor do notável Groupe des Six e um dos homens a plantar as primeiras sementes para o nascimento do jazz, criando o ragtime.

O que esperar de um músico como esse, portanto? Sinfonias, óperas? Não. Erik Satie sempre prezou - e isso causava o maior espanto na época - pelo o retorno à simplicidade e aos modos arcaicos característicos das músicas gregas, bizantinas, góticas e medievais em suas composições. Nas mãos do francês de semblante bizarro, os pianos choravam lamentos dignos das viúvas de soldados espartanos, expunham aflições que haviam se perdido entre jardins e templos babilônios e resgatavam memórias destroçadas na poeira das ruínas dos impérios bizantinos. Dentre seus trabalhos mais conhecidos, as já citadas Gymnopédies (que não deveriam ser tocadas nem em adagio, nem allegro, nem andante, nem presto. As partituras diziam somente "lent et douloureux", "lent et triste" e "lent et grave". Não é necessário dizer que a atmosfera é exatamente essa, não é mesmo?) e as Gnossiennes, que conseguiram explorar ainda mais o flerte de Erik com o oriente. Com o tempo, seu trabalho acabou por adquirir duas vertentes: o humor musical (com coisas como Pièces froides, Pour un Chien etc.) e um namoro ainda maior com os vestígios musicais do Oriente. Sua associação com a Ordem dos Rosacrúcios o aproximou ainda mais da sonoridade dos bizantinos e as Danses Gothiques e as Trois sonnieries de la Rose-Croix são frutos vivos e maduros disso.

Satie não viveu pouco, mas ainda assim morreu jovem: faleceu aos 59 por conta de cirrose (é, gente, uma hora a conta da cerveja acaba chegando...) e deixou um legado importantíssimo para a música moderna. Criou a música ambiente, foi um dos pais do surrealismo e ainda resgatou tradições que há muito haviam se perdido. Para não falar nem a metade do que ele fez.

Fecha parênteses.

Agora sim, posso falar do Sarband! O conjunto, que surgiu na Alemanha em 1986, tem como grande proposta a ponte entre a música oriental e a ocidental. Grande parte do seu trabalho consiste em traduzir - com muita competência, diga-se de passagem - grandes sons eruditos em ritmos arábicos. Lançado em 2005, o álbum Satie en Orient é uma brilhante prova da competência desses músicos que, por sinal, vêm de sete nações diferentes. Para as composições de Erik Satie, o alaúde, o kementché (espécie de violino), o qanoun (cítara do oriente-médio) e os cornes arábicos caem como uma luva. O esforço e as pesquisas da Sarband em reencontrar as raízes da sonoridade do francês foram tão excepcionais que não há como passar em branco por um disco desses. Desde o primeiro choro vindo das cordas arqueadas na Gnossienne nº1, dá pra perceber o quanto o material é diferenciado. Além de todas as composições já citadas anteriormente, gostaria de destacar também as redenções de Chanson (esta, inclusive, com uma irreverente "assobiadinha" que deixaria Satie bem contente), Chanson Médiévale, Élegie, Les Anges e Hymne, todas pertencentes na série de composições baseadas em poemas de Contamine de Latour. A beleza é incomensurável.

Melhor ouvir e entender do que ler descrições. Em tendo a oportunidade e uma hora para se dedicar à degustação dessa fina peça, faça-o. Seria a mesma coisa que dar uma banda com o velho Erik pelos mercados de Istambul. Acredite: tanto ele quanto você achariam muito bacana.

Faixas:
1. Gnossienne nº1
2. Gymnopédie nº1 (lent et douloureux)
3. Gnossienne nº3
4. Chanson
5. Prélude d'Eginhard
6-8. Trois sonneries de la Rose-Croix:
(6. Air de l'Ordre
7. Air du Grand Prieur
8. Air du Grand Maître)
9. Élegie
10. Gnossienne nº5
11. Les Anges
12. Gymnopédie nº3 (lent et grave)
13. Danse gothique nº3: En faveurs d'un malhereux
14. Chanson Médiévale
15. Uspud Ballet Chétrien
16. Hymne pour le "Salut Drapeau", Prose extraite du Prince de Byzance de Joséphin Péladan

O link está nos comentários, meu povo.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Infernal Noise Brigade - Vamos a la Playa (2003)

Infernal Noise Brigade - Vamos a la Playa
                
               Mesmo pra bom entendedor, o minuto e meio da introdução não basta: é uma mensagem da polícia mexicana informando que se inicia formalmente o processo que tem como objetivo garantir a tomada de decisões adequadas durante o encontro da Organização Mundial do Comércio (OMC, em inglês WTO) em Cancún, no ano de 2003. Vire à esquerda e o disco começa. 
               Quem toca é (a multidão e) a Infernal Noise Brigade (INB), que viajou para lá durante esse encontro da OMC e fez, registrando parcialmente nesse disco, algo muito distinto de uma viagem cara de formatura ou de uma estada num hotel de luxo com tudo incluso. Tocou junto com as manifestações de rua que se opunham ao movimento de globalização, em parte do que foi chamado de “movimento anti-globalização”, também marcado por manifestações contra o Fundo Monetário Internacional (FMI) e contra o Banco Mundial, entre outros ícones defensores do capitalismo. [Quem quiser conhecer mais sobre esse movimento, sugiro a leitura do “Urgência das Ruas”, fácil de ser achado na internet afora.]
               Não é possível perder de vista a perspectiva política do grupo ao ouvir o álbum; a própria escolha desse espaço – e o momento, claro – das apresentações e de gravação partem dessa visão. Assim como as letras e instrumentos, que utilizam algumas vezes elementos de culturas consideradas de resistência, resultando em uma sonoridade distinta, algo balcânica e oriental. Apesar de ser uma banda de rua e utilizar instrumentos similares as fanfarras militares, proporcionam no geral um som e possibilidades de ação política extremamente diferentes desse “tio reaça”- pra começo de conversa, sai um som bem mais interessante.
               Esse quê balcânico marca presença em diversas faixas, como a segunda, Praha, em que também se pode perceber as viradas e convenções típicas de fanfarras que tocam nas ruas. Outra faixa em que é clara essa influência balcânica/oriental é Nagarawalla e a seguinte, Ja Helo. A melodia e as letras cantadas pela banda nessas 3 músicas arrastam o som pra esse lado de lá do meridiano de Greenwich, com uma ajuda dos instrumentos que utilizam: pessoalmente, acho que o uso que a INB faz dos pratos ajuda a engrenar por esse caminho.      
               Assim como outras baterias, o som que a INB faz se caracteriza por usar também as vozes dos próprios integrantes amplificadas por uma espécie de alto-falante ou megafones, sendo praticamente um tipo de instrumento. Com esses aparatos de timbre muito característico cantam letras e palavras de ordem das mais variadas. No caso da INB, são quase que completamente impossíveis de entender: nas músicas que já citei não consigo entender nadica É só em Ou Est la Libertè  que consigo entender uma frase, do refrão; em Down Down WTO entendo que se diz o nome da música mas não o que se diz depois. Falando em Ou Est la Libertè, acho que essa é a faixa mais ocidental do álbum, com as letras (teoricamente) em francês e melodia mais "tradicional". O megafone entra e reforça o "tempero" da faixa,  pra cá daquele meridianozinho, além de dar uma variada na melodia dos metais. Isso ocorre de maneira geral nas músicas em que há a participação de voz amplificada: a diferença é que em algumas o som é empurrado bem pro oriente.
               Diga-se de passagem que a melodia costuma ser algo simples, bem rumo ao popular, as palavras de ordem e cantos seguem essa fórmula também: o foco claramente não é uma experimentação, dodecafonismo ou piração virtuosística. Enquanto essa parte é explorada pelos megafones e metais, a parte rítmica é segurada bem pelos instrumentos da percussão. Eles articulam muitas viradas ao longo da música, quebrando essa certa monotonia da cozinha de baterias e deixando, pelo menos pra mim, as faixas um pouco mais interessantes e bonitas, além de me surpreender em alguns casos com o caminho que umas viradas tomam. O uso de efeitos criando colagens sonoras é bem interessante, e o timbre de voz megafonada é algo único e que me capturou faz tempo.
               A participação da multidão é clara e domina algumas faixas do disco, como Down Down WTO e Km Cero (i) e (ii) . Km Cero (i) é uma colagem de falas dos atos de Cancún – destaco aqui que se diz principalmente “(...) A luta segue, segue! EZLN, EZLN![Exército Zapatista de Liberação Nacional]”, com uma fala da polícia mexicana depois. Dá pra ouvir nessas faixas também os efeitos sonoros que a INB usou, criando uma espécie de mosaico sonoro com o som da bateria e os sons ambientes de um ato dessa magnitude, como gritos nos finais das músicas e mensagens da polícia. Além de criar transições de faixas em que a multidão se faz mais presente para outras em que a presença da banda é maior - como de Km Cero (i) para Hamaq. Essa e Kyoto Dischord são regravações de faixas presentes em outro excelente álbum da mesma banda, chamado Insurgent Selections for Battery and Voice. A INB, apesar de não trabalhar tanto o peso da multidão em suas músicas, como outras diversas fanfarras gringas, leva a voz em consideração. Exemplo é o nome de seu primeiro disco.
               O Vamos a la Playa é um exemplo de atividade política e música que saiu do enclausuramento estético e político que é presente em boa parte dos grupos tanto à direita quanto à esquerda, junto com outros movimentos concomitantes, como o "movimento anti-globalização" e, bem mais importante, o EZLN. Vai ainda além de uma mudança puramente "2.0", somente estética, de alguns desses grupos, defendendo uma mudança num aspecto mais amplo. Exemplo disso é a canção que encerra o álbum, La Andina, que possui uma linda melodia. Foge de incorrer na breguice-por-breguice de canções de protesto à la caminhando e hinos de entidades mil por esse mundão afora, com a INB dando um gás com seus pratos, tambores e metais. Também fugiu do rótulo de música-de-protesto-tipo-punk, com o som pesado e distorcidos, aqui é mais na base da sutileza, dos swings e balcãs.
               Difícil destacar faixas aqui, acho que vale a pena ser ouvido por inteiro - inclusive o samba diferente e "errado" que é Bloco Fogo - e é uma experiência intensa. Obviamente importantíssimas são as faixas curtinhas sem música, que dizem muito da fanfarra. Em resumo, acho que o que fica desse disco é esse re-movimento, como o que ocorre na última música, e essa experiência musical fortíssima, descrita pela INB em seu site como "INB vs OMC, parte II". E também umas frases do disco - aí vai de cada um pra cada um mas acho sensacional o que vem no final de La Andina: “vamos a la playa, ô-ô-ôôô”!


Faixas:
 
1-Introduction
2-Praha
3-Goat Eyes

4-Ou Est la Liberte
5-Down Down WTO
6-Kyoto Dischord
7-Nagarawalla
8-Ja Helo
9-Km Cero (i)

10-Hamaq
11-Km Cero (ii)

12-Bloco Fogo
13-La Andina


Download nos comentários. Minha participação anterior no saqueando envolveu a postagem de um disco liderado por um imbecil quasi-fascista. Agora, no aniversário desse renascente blog, dou um presente que ele merece!

domingo, 6 de janeiro de 2013

The Chocolate Watchband - The Inner Mystique (1968)


No dia do aniversário de 5 anos do Saqueando a Cidade (rapaz, quanto tempo, hein?), nada como comemorar com velhos conhecidos, não é mesmo? A bola da vez é o The Inner Mystique, álbum da Chocolate Watchband lançado em 1968, um ano depois da estreia do grupo com No Way Out.
Expoentes do rock psicodélico de garagem da Califórnia, o conjunto trazia consigo várias influências que ficaram caracterizadas em sua sonoridade, sendo que o blues e o soul predominavam na maioria de suas canções. O disco, que foi posto à venda nas lojas numa época em que a criatividade no cenário do rock florescia à torto e à direito, se destacou dentre os demais pelo diferenciado tempero oriental que algumas músicas acabaram recebendo (graças às cítaras e sopros no lado A do vinil), pela bela - e tanto quanto dadaística - arte de capa e, é claro, pela competência dos músicos em produzir um som que fosse mais do que somente um rock de garagem com claras características da cena de São Francisco. Pelo bom humor também, diga-se de passagem: a contracapa do vinil trazia agradecimentos a pessoas inesperadas, como "Mark Twain", "Alice of Wonderland", "King Henry IV", "Bilbo Baggins", "Gandalf", "Wolfgang Amadeus Mozart" e por aí vai...
Das oito faixas da obra, somente duas, Voyage Of The Trieste e Inner Mystique, compostas pelo produtor do grupo, Ed Cobb, são originais. Ambas integram a primeira parte do álbum, caracterizada por sons que remetem a um transcendentalismo similar ao dos Beatles com Tomorrow Never Knows ou ao dos Stones com Gomper. Aliás, por falar nos Beatles e nos Stones, é nas versões - muito boas, por sinal - de outras bandas que algumas influências ficam evidentes. Enquanto In The Past, canção do We The People, lembra muito o estilo dos garotos de Liverpool, I'm Not Like Everybody Else (gravado pela primeira vez pelos Kinks e depois por mais uma boa renca de gente - dentre eles o Sacred Mushroom, que também tem disco aqui no Saqueando) poderia muito bem ter sido cantada por Sir Mick Jagger.
Fechando o conjunto de belas homenagens feitas pelos músicos californianos, há Medication, dos Standells, em uma pegada bem blues-rock; Let's Go, Let's Go, Let's Go, de Hank Ballard & The Midnighters; uma versão um pouco mais densa de Baby Blue, do eterno Dylan e, para encerrar com estilo, uma explosão de psicodelia e agressividade proto-punk na redenção de I Ain't No Miracle Worker, dos igualmente garageiros Brogues.
O fato de serem escassas as composições próprias não torna o disco menos interessante, muito pelo contrário: a audição é até que bem agradável e deve animar os fãs mais ferrenhos dos bons Nuggets sessentistas. Diferentemente do que pode parecer, não é mais do mesmo. O Chocolate Watchband foi suficientemente eficiente para dar uma nova cara àquilo que poderia parecer batido - e isso é um mérito. Não vou dizer que supera o No Way Out, mas, mesmo assim, continua sendo um discão que vale a ouvida.

Faixas:
1. Voyage of The Trieste
2. In The Past
3. Inner Mystique
4. I'm Not Like Everybody Else
5. Medication
6. Let's Go, Let's Go, Let's Go
7. Baby Blue
8. I Ain't No Miracle Worker

Links nos comentários, povo.
E parabéns pro Saqueando!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Ar Skloferien - Folk Celtique (1973)


Já falamos a respeito da cidade bretã de Nantes, que fica no noroeste da França, aqui no Saqueando. Foi de lá que surgiu o grupo folk Tri Yann, conforme comentamos num post bem recente. A charmosa cidade - que já foi capital de importantes tribos gaulesas - é um rico polo cultural, principalmente em se tratando de música folclórica. E, nesse cenário de raízes musicais e de folclore muito ricos, surge, também, o Ar Skloferien. Inspirados pelos antigos bardos e trovadores que vagavam pela região num passado distante, os músicos franceses fazem um som similar ao de seus conterrâneos supracitados, porém com um pé um pouco maior dentro da cultura celta. Seu som se caracteriza pelas harmonias vocais impecáveis e pela presença forte de instrumentos tradicionais como a pennywhistle, o banjo e o bouzouki, que é uma espécie de bandolim oriundo da Grécia.
A trajetória do grupo é tanto quanto obscura: noves fora os dois únicos discos gravados pelo conjunto (este que cá se apresenta e um lançado no ano de 1974, Keltia), a única informação sobre eles que consta nos registros é que, depois de uma rápida dissolução, se reestruturaram e, sob o nome de Sklof, lançaram um disco chamado Folk Celtic. Bem se vê - cá entre nós - que o que sobrava de talento para recitar e reproduzir belas canções medievais faltava em criatividade para dar nome aos discos do grupo. Sorte a nossa que o segundo fator em pouco ou nada influi para a degustação auditiva dos álbuns, muito embora seja capaz de causar certas panes para os que tentarem indexar a obra - mas isso é problema dos burocratas. Oras, chega de digressão! Voltemos ao assunto principal.
O primeiro trabalho do grupo, Folk Celtique, traz uma série de releituras e de rearranjos de danças - gavotas, an dros (vulgarmente conhecidos por voltas no português lusitano e/ou tupiniquim), baladas... - e de canções de batalha, bebedeira e qualquer outro tipo de entretenimento profano e pagão, para deleite do ouvinte, evidentemente.
Numa toada alegre, o disco tem seus altos e baixos em termos de agitação: a primeira faixa, Gavotte a Deux Violons, é um convite para o camponês tímido se levantar e se entregar aos deleites de uma festa regada a hidromel, vinhos, pandeiros e violinos. Há, é claro, um momento ou outro para respirar e se contemplar a grama e sentir o vento no rosto, como em Koster C'hoad, mas nunca é demais lembrar que os gauleses sempre foram muito convidativos em suas festividades e músicas como Les Petits Moutons, Highland Harry e When I Was Single são capazes de fazer qualquer lavrador cansado pedir para encher o copo de ale mais uma vez. Há que se destacar a belíssima Gwin Ar C'hallaoued que, dentre tantos brados e batidas, é uma das mais belas e singelas odes ao vinho que este que vos fala já teve a oportunidade de escutar. Não dá pra deixar passar batido, também, An Dro e Gavotte Ar Menez, duas instrumentais cujas flautas são de arrancar lágrimas dos olhos até do mais bruto dos bárbaros.
Num compto geral, não dá pra dizer que se trata de um som inovador ou de outro mundo, principalmente para quem já está com os ouvidos acostumados ao folk do norte da França. Mas, por outro lado, é uma coletânea interessantíssima de músicas muito bonitas e sublimes. E isso é inegável. Qualquer um com mais ou menos quarenta minutos livres deveria dedicá-los a escutar esse disco. Garanto que a chance de se arrepender não existe.

Faixas:
1. Gavotte A Deux Violons
2. The Ballad of Father Gilligan
3. Am Amzer Dremenet
4. Koster C'hoad
5. The Barnyards of Delgaty
6. Les Petits Moutons
7. Cwin Ar C'hallaoued
8. An Dro
9. Highland Harry
10. Gavotte Ar Menez
11. When I Was Single
12. Gavotte D'Honneur De Plougastel Daoulas

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