sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Herbie hancock Live at Ultrasonic Studios, Hempstead, NY – October 1, 1973


Achei esse disco esses dias e desde então não consegui parar de ouvir. Herbie Hancock é foda, e isso não é novidade, mas o que me chamou a atenção nesse disco, e que aumentou minha fome por bootlegs do cara, é que se trata de um disco com versões mais “simples”, se possível dizer isso, ou melhor, mais cruas. O número de instrumentos é menor, se trata de um disco ao vivo, então digamos, o “acabamento” tem uma cara diferente dos discos gravados em estúdio, com o intuito de serem lançados como tal, e não como bootleg.

As duas primeiras músicas, Actual Proof, um funk-com-muita-classe, e Butterfly, um pouco mais “pra trás”, mais calma, são do disco Thrust, que foi lançado no ano seguinte desse show, 1974. As duas últimas, Sly e Chameleon, que dispensam comentários, são do tão conhecido disco Headhunters, de 1973.

A banda que acompanha ele nesse show é a mesma que gravou os dois respectivos discos antes citados, e quase todos os discos desse período 1972, até mais ou menos 1975, se eu não me engano. Só que nesse caso, ela aparece em uma versão mais “compacta”, contando apenas com Mike Clark na bateria (no entanto, não foi ele quem gravou as baterias de Headhunters), Paul Jackson no baixo, Bennie Maupin nos sopros, e claro, Herbie nas teclas.

Tracklist:
  1. Actual Proof
  2. Butterfly
  3. Sly
  4. Chameleon
Todas as músicas são de autoria própria.

Pessoal, gostaria de pedir desculpa por um pequeno problema que rola com esse arquivo que estou "uploadando", e que ainda não sei como resolver. Os nomes das músicas estão errados, então o que rola é o seguinte: a música com nome de Chameleon, na verdade é a Actual Proof; Sly é Butterfly; Butterfly é Sly; e Actual Proof é Chameleon. Desculpem pelo transtorno, um dia ainda aprendo a arrumar esse tipo de coisa.

Here we are, Hempstead, live at Ultrasonic recording studios, with the tuesday night concert series, that continues to amaze. Tonight a concert that, in fact, will certainly amaze you, please welcome mister Herbie Hancock.


Link nos comentários,

Abração!

domingo, 6 de outubro de 2013

La Bamboche - Née de La Lune


O hurdy-gurdy, também conhecido como sanfona de corda ou vielle à roue ("viola de roda" em francês) é um instrumento antiquíssimo, oriundo do norte da Península Ibérica, e pode-se dizer que consiste de uma mistura inusitada entre um violino, uma gaita de foles e um piano. O som é feito ao se girar uma manivela acoplada a uma roda (daí a origem de seu nome), que faz vibrar algumas cordas, umas com tons que se modificam pelo dedilhar de um teclado acoplado ao corpo do instrumento, outras fazendo sons constantes, notas pedais. Apesar de razoavelmente desconhecido atualmente, o hurdy-gurdy está presente em muitas músicas do folclore europeu, da costa de Portugal aos gélidos palácios da Rússia.

Tive de fazer esta introdução pois é justamente este excêntrico porém ancião instrumento que dá a Née de La Lune (em português, "Nascidos da Lua"), quinto disco do grupo francês La Bamboche, um tom completamente diferente de outros discos de folk-rock da época e da região. Se no norte da França as bombardas, tinwhistles e gaitas de foles dos bretões criaram um som forte e característico, o hurdy-gurdy de Lyon contribui para a criação de uma peça única. O disco abre com a faixa-quase-título Je Suis Née Sous La Lune, bela e sublime balada embelezada pelos doces e aveludados vocais de Eveline Girardon, que contam com a ótima companhia de sua viola de roda e da sensacional gaita de foles do mago Jean Blanchard. Daí para frente só vem pedrada. A veia roqueira do grupo se manifesta em ótimos instrumentais como a insinuante Les Chavans ou a pesada Romarin. Em alguns momentos, a leveza e os sons macios retornam, como é o caso das tranquilíssimas Laissez Faire e Si J'Avais Une Amie, prova magistral do belo potencial melódico da língua francesa. Em outros momentos, entretanto, o grupo abusa de porradas fortes, como Brume Noire. Não dá para não citar, também, o frenesi causado pelos iodeleis impressionantes de Bourée Infernale (uma das faixas onde o hurdy-gurdy mais se destaca, inclusive) e do ar medievalesco apaixonante de En Passant Par Lyon. O disco se encerra quase que transcendentalmente com La Route de Padoue, um belo recital acompanhado por um envolvente diálogo entre sanfona de corda e gaita de foles.

Em suma, trata-se de uma pérola vinda do centro da França que, infelizmente, se tornou pouco conhecida pelos nossos lados. Simples de digerir e agradável de se ouvir, Née de La Lune merece ser fruído com especial atenção. Infelizmente o grupo se separou e não voltou a gravar mais discos depois da concepção desta jóia, mas é fato que o foi feito durante seu período de atividades já vale mais do que a discografia de muitos pretensos "artistas" soltos por aí.

Folk-rock de primeiríssima qualidade.

Faixas:
1. Je Suis Née Sous La Lune
2. Les Chavans
3. Laissez Faire
4. Scottish des Reaux/La Boulangerie
5. C'est à Vous Les Jennes Filles
6. En Passant Par Lyon
7. Bourée Infernale
8. Si J'Avais Une Amie/Brume Noire
9. Romarin
10. La Gare de Moulins
11. La Bourrée Du Diable/La Route De Padoue

Link para o disco nos comentários!