quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Cabezas de Cera - Cabezas de Cera (1997)

Fuçando em minha estante de vinis, percebi que se passou um tempo absurdo desde minha última postagem nesse saudoso blog. Me bateu uma vontade de voltar ao passado... Sabem como é, não é? Pois bem, cá estou!
E existe forma melhor de retomar esta onda de saudosismo do que desenterrar uma das mais ilustres sonzeiras de nossos irmãos Mexicanos? Creio que não. Até porque está aí um disco que vale cada segundo nele gravado. Trata-se do debut do Cabezas de Cera, principal nome da cena neo-progressiva/fusion da terra dos burritos.
Formado no ano de 1995, em plena Ciudad del Mexico, o grupo (composto pelos irmãos Mauricio e Francisco Soleto, guitarrista/baixista e baterista, respectivamente; pelo flautista Ramsés Luna e pelo especialista em efeitos sonoros Edgar Arrelín) se destaca pela ecleticidade: ao mesmo tempo em que sua sonoridade remete ao prog nu e cru, é notável a influência do jazz e de experimentalismos eletrônicos. Não é difícil perceber o uso de overdrives, efeitos em sintetizadores, cordas arqueadas, trechos de spoken word, solos de saxofone à lá New Orleans... É uma mistura riquíssima, interessantíssima e por demais saborosa, que não é RIO, Zeuhl, Post-Rock... É Cabezas de Cera.
O primeiro disco do grupo, lançado em 1997, é a síntese do que foi acima descrito. A primeira canção do álbum, Veintiuno, é de uma transcendentalidade perturbada, mas ainda assim possui um quê de beleza clássica. Em oposição a isso, temos a caótica manifestação post-rock Gocxilla, que chega a ser um tanto perturbadora de tão barulhenta.
Em seguida, uma das mais belas peças que o rock progressivo já foi capaz de criar: Encantador de Serpientes. É, na humilde opinião do blogueiro, a melhor do grupo. A flauta (ok, vocês me pegaram. Como flautista, sou suspeitíssimo para falar) aqui produz uma sequência melódica digna de deixar tanto Mozart quanto Thijs Van Leer de queixo caído. E, não bastasse tamanha beleza no som eólico do maravilhoso instrumento, logo chega um saxofone e dá um ar ainda mais quente a tão estonteante canção. Não poderia haver, por conseguinte, melhor faixa para seguí-la do que Un Pueblo Escondido, verdadeiro bate-papo entre violinos, violoncelos, flautas e marimbas; uma verdadeira manifestação de serenidade.
Dentre as outras faixas do disco - que mantém o mesmo padrão de qualidade sonora, diga-se de passagem -, destacam-se Pretexto a Un Texto Fragmentado, um quase-manifesto-caótico-musicado apoiado por pesados riffs de guitarra e Gitana, uma composição aciganada que dispensa apresentações.
Enfim, trata-se de um disco chave para a absorção da produção progressiva/experimental contemporânea, além, é claro, de uma excelente aquisição na coleção de sonzeiras de qualquer um que aprecie qualidade musical. Que não for capaz de gostar disso que atire a primeira pedra!

Faixas:

1. Veintituno
2. Goxcilla
3. Encantador de Serpientes
4. Un Pueblo Escondido
5. Caravana
6. Pretexto a Un Texto Fragmentado
7. Gitana
8. Frontera
9. Al Aire

Link nos comentários, minha gente!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A Bolha - Um Passo a Frente (1973)


Fundada no Rio de Janeiro, a Bolha, conhecido como "The Bubbles" na época, teve um inicio conturbado devido a troca constante de integrantes, assim dificultando a criação de uma identidade da banda. Os seus primeiros passos foram seguidos de um instrutor, pois não havia gravações próprias neste período, apenas reproduções de hits famosos, como "Honey Pie" e "Ob-La-Di, Ob-La-Da" dos Beatles. A participação no cenário musical continuava discreta com gravações de trilhas para filmes além de registros de compactos sem repercussão.
Salvos por Jards Macalé que convidou a banda para tocar com Gal Costa em uma turnê em Portugal, A Bolha ficou marcada pela influência musical de diversos ícones em sua estadia na Europa. O contato com bandas consagradas, como The Doors, The Who, Jimmy Hendrix tornaram a banda mais fervorosa, tornando-a mais agressiva. Além deste estímulo, conheceram Caetano Veloso e Gilberto Gil exilados em Londres, ampliando assim o repertório musical. No retorno ao Brasil, a banda estava cintilante e prontos para criação do primeiro disco. As primeiras gravações foram as faixas "sem nada/18.30 (Parte I) e "Os Hemadecons Cantavam em Coro Chôôôôôôô (ambas bônus deste disco, exclusivas deste link).
Neste tempo eles foram convidados para participar do album de Leno, "A vida e Obra de Johnny McCarteney", produzido por Raul Seixas. A reputação da banda se elevava e assim eles produziram a obra que levou a nome de "Um passo a frente". Eles também decidiram trocar o nome da banda, abrasileirando o "The Bubbles". O disco é marcado pelo toque progressivo, que vivia seu auge no inicio dos 70, com faixas absurdamente lindas. Apesar disto, há um preenchimento de outros viés musicais, como a faixa "Razão De Existir" com uma pitada mais suave de rock n' roll.
A formação clássica e a emblemática improvisação nas musicas provam que a banda se preocupava com a estética do padrão progressivo, mas criava seu perfil de acordo com as experiências adquiridas ao longo da sua história. O rock brasileiro não se destacou na decada de 70, comparado com anos posteriores que contaram com a ajuda da mídia para ser divulgado, além de eventos organizados para sua propagação, mas isso não significa que a música era inferior, de pior qualidade. Estas bandas foram fundamentais para o rock se consolidar neste país e com isso formar a nossa rica cultura que mistura elementos de todos os cantos.

Bom, aqui vão as faixas do disco seguido do link para baixar (nos comentários, segunda as regras):

1. Um Passo A Frente
2. Razão de Existir
3. Bye My Friend
4. Epitáfio (Epitaph)
5. Tempos Constantes
6. A Esfera
7. Neste Rock Forever
8. 18.30 - Parte I (Bonus)
9. Os Hemadecons Cantavam Em Coro (Bonus)

Boa viagem!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

John Mayall - Bluesbreakers With Eric Clapton (1966)


Estou morrendo de saudades de escrever. Sinto que piorei, sei disso em função dos textos que tenho feito e não tenho gostado de ler. Textos para a faculdade, textos para mim. Mas chega dessa baboseira.
Todo mundo que se preze sabe que um dia Eric Clapton foi chamado de God. "Clapton is God" dizem as paredes por toda Inglaterra. De fato, Eric Clapton foi o maior guitarrista da terra da rainha na década de 60, sem dar a menor chance para Jeff Beck ou Jimmy Page, ainda longe de tornarem-se as lendas que são hoje em dia.
Após o rompimento com o Graham Bond ORGANization, por questões pessoais, como sempre, Eric Clapton se uniu a John Mayall and The Bluesbreakers. John Mayall foi convencido por Alex Korner a seguir essa vida de músico em meados da década de 50, lá por 57/58, mais ou menos. A banda funcionava bem, mas em 1956 o guitarrista Roger Dean foi substituído por Eric Clapton e eles gravaram um dos maiores CD's do mundo.
Esse disco, com John Mayall nos vocais, teclas e gaita, Eric Clapton na guitarra, John McVie no baixo e Hughie Flint na bateria, é uma pérola de música inglesa sessentista. É um grupo que importou logo cedo as influências americanas (assim como o já citado Alex Korner) e transformou elas criando uma sonoridade buscada por muitas bandas na época e mesmo hoje.
Por sinal, em algumas músicas não lançadas marcou presença Jack Bruce no baixo.

Faixas:
  1. "All Your Love" 3:36
  2. "Hideaway" 3:17
  3. "Little Girl" 2:37
  4. "Another Man" 1:45
  5. "Double Crossing Time" 3:04
  6. "What'd I Say (Day Tripper)" 4:29
  7. "Key To Love" 2:09
  8. "Parchman Farm" 2:24
  9. "Have You Heard" 5:56
  10. "Ramblin' on My Mind" 3:10
  11. "Steppin' Out" 2:30
  12. "It Ain't Right" 2:42
  13. "Lonely Years" 3:21
  14. "Bernard Jenkins" 3:48
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terça-feira, 24 de maio de 2011

Di Melo - Di Melo (1975)


"Ai ai meu Deus do céu como eu sofri ao ver a natureza morta"
Tenho o prazer de voltar, por mais breve que seja, a esse blog com um texto de um disco de um conterrâneo meu, Roberto de Melo Santos, Di Melo, o Imorrível.
Eu tenho que ser honesto com vocês, eu tenho um orgulho digno de ser pernambucano e recifense por causa dessa efeverscência cultural da cidade. Toda época tem um baita conterrâneo meu fazendo barulho por aí, Ariano Suassuna, Manuel Bandeira, Luiz Gonzaga, Chico Science, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e eu vou parar por aqui para não dizerem que eu falei muita inutilidade.
Enfim, Di Melo traz uma sonoridade diferenciadíssima, misturando o soul e funk ao baião, ao samba e até ao tango ele deu ao Brasil um disco sem igual.
"Kilariô" é um exemplo pulsante desse ritmo novo, ritmo pegado e excitante, com letras e canto que, com certeza, foram inspiração para Chico Science, "Conformópolis" é o tango do qual eu falei, com direito a acordeon e tudo o mais.
Bixo, pra você ter uma noção, a "banda de apoio" dele nesse disco, entre aspas porque é uma bandaça, algo meio Janis e Big Brother, é composta por vários caras, mas eu vou falar só dois, tá? Um deles é um tal de Hermeto Pascoal, flauta e teclados, o outro sujeito é o Dirceu, que tocava com o Gilberto Gil. Tem um terceiro, que é o acordeonista (tá certo isso?!) que por vezes acompanhou o Astor Piazzolla, mas eu não acho o nome do sujeito em canto nenhum, se alguém possuir a informação manifeste-se.
Enfim, terminando, por finalizar e já nos finalmentes, tem um site aí dele (clique aqui), aparentemente ele voltou à mídia recentemente não custa nada visitar

Faixas:
  1. "Kilariô" 2:49
  2. "A Vida em Seus Métodos Diz Calma" 3:43
  3. "Aceito Tudo" 2:58
  4. "Conformópolis" 2:44
  5. "Má-lida" 3:31
  6. "Sementes" 1:35
  7. "Pernalonga" 2:45
  8. "Minha Estrela" 2:31
  9. "Se o Mundo Acabasse em Mel" 3:08
  10. "Alma Grega" 3:59
  11. "João" 2:28
  12. "Indecisão"
P.S.: já tava com saudades, aguardo comentários, mudou muito a escrita aí? tá tudo nos trinques? valeu, moçada.
Como já ditou a tradição do Saqueando, o link está nos Comments!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Jorge Ben Jor - Samba Esquema Novo (1963)


Talvez uma das estréias mais brilhantes da música popular brasileira, melhor talvez até que a dos Mutantes.
Veja bem, nasceu no Rio de Janeiro, jogou nas categorias de base do grande C.R. Flamengo (não sou flamenguista, antes que saiam me acusando por aí) mas acabou seguindo carreira na música. Tocava pandeiro desde os 13 anos de idade, ainda jovem integrou coral de igreja e aos 18 ganhou seu primeiro violão.
Jorge Ben talvez seja o mais brasileiro dos músicos modernos. Lá pelo começo da década de 60 tava todo mundo se dividindo entre Jovem Guarda e Bossa Nova, porém, me diga, meu caro, onde você colocaria Jorge Ben nessa divisão? Pois é, ninguém sabia tampouco naquela época, ainda não tinha aparecido a Tropicália e só se queria saber da Bossa Nova bem clássica, ou da Jovem Guarda, bem "Rock and Roll". Ainda no começo da década de 60 ele é visto tocando no beco das garrafas e é logo levado para gravar seu primeiro cd.
Esse primeiro cd é esse aqui: Samba Esquema Novo (1963) e que disco, meu caro. O primeiro músico brasileiro a juntar sonoridade gringa com o samba, brilhante. Samba com Funk e Rock and Roll são fundidos pela primeira vez gerando algo jamais esquecido e um dos melhores discos da música brasileira.
Jorge Ben toca acompanhado pelo grupo de Samba Jazz Meirelles e os Copa Cinco, ou seja, Manuel Gusmão no baixo, Luiz Carlos Vinhas no piano, J.T. Meirelles na flauta e no saxofone, Pedro Paulo no trompete e o já brilhante Dom Um Romão na bateria. Meus caros, é sensacional.
Sambalance!

Faixas:
  1. "Mas Que Nada!" 3:02
  2. "Tim Dom Dom" 2:22
  3. "Balança Pema" 1:30
  4. "Vem Morena, Vem" 1:59
  5. "Chove, Chuva" 3:06
  6. "É Só Sambar" 3:06
  7. "Rosa, Menina Rosa" 2:16
  8. "Quero Esquecer Você" 2:16
  9. "Uala Uala" 2:09
  10. "A Tamba" 3:04
  11. "Menina Bonita Não Chora" 2:08
  12. "Por Causa de Você, Menina" 2:07
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Gilberto Gil - Expresso 2222 (1972)


Se oriente, rapaz, pela constelação do Cruzeiro do Sul.
Salve salve, pós 3 semanas de viagens e coisas de faculdade estou de volta. O blog está ficando meio perdido, mas eu vou me esforçar para continuar postando aqui, porém agora, com menos tempo de postar, eu pretendo aprofundar o blog em alguns artistas, hoje eu trago de novo o Gil.
Gilberto Gil, vocês conhecem e tal, pra quem não tem a mesma intimidade, tem um post com informações sobre ele.
Depois de voltar da gringa, lá de Londres, onde "vez em quando se sentia longe daqui" Gilberto Gil grava um novo CD, misturando muito do que ouviu lá fora, dessa vez, como baião, como o forró e trazendo inclusive uma música da Banda de Pífanos de Caruaru, "Pipoca Moderna", fazendo (outra vez) uma mistura inexplicável. Atenção ainda para a participação de Gal Costa em "Sai do Sereno"
Um disco menos complexo que o Gilberto Gil 1968, por exemplo, porém bastante trabalhado e refinado se comparado ao Gilberto Gil 1971, parece que no Expresso 2222 o Gil encontrou a mistura ideal da MPB com as sonoridades Anglo-americanas.
Belíssimo disco do Gil, pra quem curte música boa é um outro disco indispensável.
Aliás, três músicas eu desconheço a exata procedência delas, e não estão disponíveis aqui. São elas: "Cada Macaco no Seu Galho", "Vamos Passear no Astral" e "Está na Cara, Está na Cura".

Faixas:
  1. "Pipoca Moderna" (Caetano Veloso / Sebastião Biano) 1:59
  2. "Back In Bahia" (Gilberto Gil) 4:48
  3. "O Canto da Ema" (João do Vale / Aires Viana / Alventino Cavalcantti) 6:24
  4. "Chiclete com Banana" (Almira Castilho / Gordurinha) 3:25
  5. "Ele e Eu" (Gilberto Gil) 2:20
  6. "Sai do Sereno" (Onildo Almeida) 3:22
  7. "Expresso 2222" (Gilberto Gil) 2:38
  8. "O Sonho Acabou" (Gilberto Gil) 3:32
  9. "Oriente" (Gilberto Gil) 6:02
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

The Graham Bond Organisation - The Sound of '65


Graham Bond era um músico inglês, nascido em 1937 veio a morrer em 1974. Ficou conhecido por ser um exímio saxofonista, tocou como conjunto pela primeira vez no Don Rendell Quintet.
Posteriormente viria a entrar na onda do R&B que começou a invadir a inglaterra, principalmente ali no começo da década de 60, com Ray Charles, Otis Redding, Booker T. & The MG's e é claro o blues de Willie Dixon, Mudy Waters entre outros. Com essa nova onda na cabeça, ele fez parte brevemente no Alexis Korner Blues Incorporated (tá aqui no Saqueando, por sinal) logo antes de montar o The Graham Bond Quartet.
Os integrantes da banda eram ele, tocando órgão e cantando, com John McLaughlin (que tocou já com Miles Davies, Paco de Lucia, Al di Meola entre outros) na guitarra que viria a ser substituído posteriormente por Dick Heckstall Smith que tocaria saxofone, não só na Graham Bond como em todos os grupos dessa nova onda inglesa como o John Mayall, Coloseum e o Blues Incorporated.
Bom, eu não esqueci de comentar a cozinha, simplesmente a deixei pra depois, pois o melhor sempre se deixa pra depois. O Graham Bond Organization (novo nome do Quartet após a troca de guitarrista por saxofonista) teve nas baquetas o brilhante Ginger Baker e no baixo o sinistro Jack Bruce, sim, os dois do Cream. Inclusive, para os que não lembram, no disco do Cream aqui postado eu cito a formação do Cream ser decorrente do desmanche deste grupo aqui postado.
Bom, tendo isso tudo em mente, fica a dica aí, um R&B bem gostoso de ouvir, muito bem trabalhado sempre, com um quê de sonoridade inglês e muito do divertimento e do swing do R&B americano.
Fica a dica aí da Graham Bond ORGANization

Faixas:
  1. "Hoochie Coochie Man" 3:14
  2. "Baby Make Love to Me" 1:53
  3. "Neighbour Neighbour" 2:40
  4. "Early in The Morning" 1:51
  5. "Spanish Blues" 3:05
  6. "Oh Baby" 2:43
  7. "Little Girl" 2:16
  8. "I Want You" 1:46
  9. "Wade In The Water" 2:43
  10. "Got My Mojo Working" 3:41
  11. "Train Time" 2:24
  12. Baby Be Good To Me" 2:36
  13. "Half A Man" 2:06
  14. "Tammy" 2:50
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Tim Buckley - Greetings From L.A. (1972)


Saudações de São Paulo.
O Sr. Buckley já se encontra no Saqueando a Cidade, com o disco Goodbye and Hello, mas eu julgo a reapresentação necessária.
Bom, esse novo post é de um cara um tanto desconhecido. Tim Buckley, nasceu em Washington D.C. e cresceu em Amsterdam (em Nova Iorque). Começou a se envolver com música quando sua avó o apresentou à Billie Holiday e Bessie Smith, sua mãe lhe mostrou Frank Sinatra, Miles Davies e Judy Garland e seu pai lhe apresentou Johnny Cash e Hank Willians.
Lançou o seu primeiro cd em 1966. Um belo CD de folk, logo apreciado pela crítica, pelo vocal excepcional de Tim Buckley com melodias bem trabalhadas e harmoniosas.
Bom, vejamos, aí ele entrou numa fase meio Free Jazz assim, misturando umas pitadas do Frank Zappa, esquecendo Hank Willians e todo o Country e Folk de seuas origens, puxando um pouquinho de Grateful Dead de cá e somando tudo à atonalidade da música vanguardista, ufa. Lançou três CDs nessa fase mas, o resultado foi uma recepção bastante desapontadora (para eufemisar o fracasso) dos seus fãs que estranharam a brusca troca de estilo musical e fuga do Folk.
Enfim, eis que Tim Buckley encontra uma terceira fase, seu Sex Funk tampouco foi aclamado por crítica e também foi um grande fracasso de vendas, mas, porque eu não consigo entender.
Veja bem, o primeiro CD dessa fase de Funk é esse aqui. O Greetings From L.A. é outro fracasso de vendas, conseguiu ter sucesso apenas em cidades onde tocava uma rádio específica. Nessas mesmas cidades as vendas do disco foram bastante altas, em lojas de disco meio independentes assim. Mas, independente não agrada gravadora e logo o disco foi abandonado pela gravadora Warner Brothers.
Veja bem. Isso é uma pérola. No meu gosto, é brilhante, uma banda boa pra burro e um vocalista excepcional.
Tim Buckley, Greetings From L.A. Sex Funk
Aproveite

Faixas:
  1. "Move With Me" 4:53
  2. "Get on Top" 6:33
  3. "Sweet Surrender" 6:48
  4. "Nighthawkin'" 3:22
  5. "Devil Eyes" 6:51
  6. "Hong Kong Bar" 7:08
  7. "Make it Right" 4:07
Link nos Cmoemtns

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Big Brother & The Holding Co. Feat. Janis Joplin - Cheap Thrills (1968)


Que saudades eu estava do blog.
Perdoai-me aquele que o julga o correto. Há muito que não escrevia aqui no blog e, se a minha primeira postagem foi desse grupo, volto postando com os mesmos.
Não preciso apresentar ela a ninguém, a Janis foi uma cantora excepcional, extrapolou qualquer limite antes pensado para uma cantora. Inspirada em cantoras como Big Mama Thornton (já presente aqui no Saqueando) e Billie Holliday, cheio da indisciplina psicodélica e sessentista de São Francisco, hoje inspira cantoras como Amy Winehouse e Joss Stone.
Vale também explicar o título do post, por que raios esse nome enorme? Simplesmente porque assim a banda se denominava, destacando bem que eram o Big Brother & The Holding Co. (que veio a seguir carreira separadamente da cantora, após a separação) com Janis Joplin. Preciso ainda expressar minha indignação com quem ousa chamar a Big Brother de banda de apoio. Me perdoem, mas banda de apoio nenhuma faz o som que eles faziam.
O cd, gravado em 1968, ao vivo no Bill Graham's Fillmore Auditorium é tido como o melhor da carreira da banda e da cantora, traz clássicos como "Piece of My Heart", "Ball and Chain" (cover da já citada Big Mama Thornton) e a belíssima e praticamente mítica "Summertime" de George Gershwin e DuBose Heyward, cantada, é claro, por Janis Joplin e com os arranjos maestrais de Sahm Houston Andrew III.
Última curiosidade, a capa do disco é do cartunista americanon Robert Crumb. Ei-la em alta resolução para vocês fuçarem-na.

Faixas:

  1. "Combination of The Two" (S. Andrews) 5:47
  2. "I Need A Man To Love" (J. Joplin, S. Andrews) 4:53
  3. "Summertime" (G. Gershwin, D. Heyward) 3:58
  4. "Piece of My Heart" (J. Ragavoy, B. Berns) 4:13
  5. "Turtle Blues" (J. Joplin) 4:21
  6. "Oh Sweet Mary" (J. Joplin, P. Albin, S. Andrew, D. Getz, J. Gurley) 4:14
  7. "Ball and Chain" (W. M. Thornton) 9:28

Link nos Comments,

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Beefeaters - Beefeaters (1967)


Dinamarca, 1967.

Qual a chance de aparecer uma banda antenada com o que acontece fora de seu país, que está teoricamente longe da efervescência da época, mandar bem e ser precursora em certos aspectos musicais? Tá, se tomarmos como exemplo o álbum que temos aqui a chance é até que grande, e ainda sai bom pra caralho.

O protótipo dos Beefeaters foi formado em Copenhagen no comecinho de 1964, mas a formação final se fez com a entrada do guitarra e vocal Peter Thorup, em 1966: época do freakbeat(garage europeu), do garage e da psicodelia (sim senhor, o ano do Psychedelic Sounds, do 13th, entre tantos outros). Em 1967, os Beefeaters tocaram como banda de apoio pra Pink Floyd e Jimi Hendrix nas suas turnês pelos países nórdicos, o que mostra o calibre dos dinamarqueses.

Em relação a essa sonzeira, é uma levada meio garage, mas bem inovadora em alguns aspectos: várias músicas tem uma levada meio soul/funk, com um orgão/piano tocado pelo ser chamado Morten Kjærumgård (SUPREMO), que complementa perfeitamente a voz fudida de Thorup, também um guitarrista de mão cheia. Amostras dessa união são "I Want You", além de em "Papa's Got A Brand New Bag", sem contar o resto do álbum.

Também tem uma levada psicodélica bem da época, em "Night's Flight" ee "Let Me Down Easy", que me parece um Doors soulzado, fortíssimo. Há a presença também de blues, como dá pra ver em "My Babe" e "Summer Scene", sem deixar o beat dos anos 60 de lado, claro: "It Ain't Necessarily So" e "Crossroads" marcam seu território. E o baixista e o baterista ( respectivamente Fleming "Kieth" Volkersen e Erling "Mozart" Madsen) seguram bem a cozinha, mantendo o som forte e bem organizado.

Concluindo, é um excelente álbum dessa banda nórdica que conseguiu mesclar elementos bem variados, criando uma música muito boa, muito concisa e madura pra época e local em que foi feita, e mesmo hoje em dia se sobressai. Com certeza merece mais atenção do que foi dada até hoje.

Ouçam agora, que vale - e muito - a pena!


Faixas:
01 - It Ain't Necessarily So
02 - Crossroads
03 - My Babe
04 - I Want You
05 - Hey Little Girl
06 - Papa's Got a Brand New Bag
07 - Let Me Down Easy
08 - Shakin' Fingerpop
09 - Night Flight
10 - Summer Scene


e está lá, como sempre.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pharoah Sanders - Africa (1985)

Em quase a totalidade do século XX, havia vários saxofonistas que rondavam os Estados Unidos de costa a costa fazendo um som e ganhando a vida. Sanders era apenas mais um desses. Tocou em diversas bandas já jovem e viajado, e fez parte de uma das enormes bandas de Sun Ra, que lhe cunhou o título/apelido de Pharoah. Como já sabemos, Sun Ra era todo metido em egiptologia, sabe-se lá de onde veio essa alcunha.
Nos anos 60, a fama de Pharoah foi consagrada. Colhendo os frutos de seu reconhecimento com Sun Ra, gravou, em 64, seu primeiro álbum como líder do grupo. O disco se chamou, com efeito, “Pharoah’s First”, e acarretou num convite deveras importante para Sanders: um convite de John Coltrane.
Coltrane, naquela época, estava gostando muito da sonzeira mais libertária de ícones como Ornette Coleman, e decidiu ramificar seu trabalho para essa área. Formou uma infantaria de dois trompetes, dois sax-alto e três sax-tenor. Sanders entrou nessa terceira categoria, e lá começou, definitivamente, seu momento no Jazz. O disco se chamou Ascension, e é marco da história da música, com muitos solos e liberdade com licença.
Daí em diante, Pharoah fez a festa. Consagrou-se no estilo que atualmente é chamado de Cutting-edge Jazz, uma forma mais ácida do jazz que seria como um fusion-tradicional-contemporâneo. Não se preocupe, explicarei-me.
O fusion fica na liberdade, na dinâmica nova dos timbres e efeitos, no caso do sax o preferido de Pharoah é o over-blowing, técnica que consiste em estourar mesmo o som do instrumento, soprando pesado.
O tradicional está, principalmente, nas formações usadas e, em certos momentos, na execução de temas. Há, é claro, momentos que essa tradição foi deixada de lado.
A contemporaneidade está no som. No som anárquico de Sanders, no timbre, na técnica, na primazia. Cabe dizer que o referido som é único, mesmo apresentando influencias claras de Coltrane e Sun Ra, além de Freddie Hubbart.
Em 85, Pharoah lançou o álbum “Africa”, no qual é além de intérprete, fazedor de grandes temas. Tocou, nesse álbum, músicas como “Naima” ou “Speak Low”, mas com um arranjo que é bem só.
A música que dá nome ao disco é bem interessante, é um som um tanto étnico que não parece ter muita etnia, raça ou cor. Os gritos de do coro são, sem duvida, palavras de ordem da música, ou de desordem da música. Há influências de ritmos popularizados na América central, como a salsa além, é claro do bom batuque africano, que acoberta e é bom de escutar.
Minha faixa favorita é “You’ve Got to Have Freedom”. Nela percebemos a versatilidade do som de Sanders, que caminha do estridente ao aveludado em um mesmo compasso. O over-blowing é bem perceptível nessa faixa também.
Alias, se alguém souber o que está escrito na capa, depois me conte, por favor.
Escute Pharoah. Escute-o.

Faixas:
01. You've Got To Have Freedom
02. Naima
03. Origin
04. Speak Low
05. After The Morning
06. Africa
07. Heart To Heart
08. Duo

link pra downloadar tá nos comentários.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Dom Um Romão - Hotmosphere (1976)


Agora eu tenho um disco digno.
Dom Um Romão, é o meu sujeito digno, baterista carioca nascido no dia 3 de Agosto de 1925, junto a João Gilberto é tido como um dos criadores da batida da Bossa Nova. Trabalhou na Rádio Tupi, acompanhando cantores e nos anos 50 formou o Copa Trio, é tido como o responsável por introduzir Elis Regina no meio do Beco das Garrafas, lendário local onde surgiu a bossa nova.
Na década de 60 juntou-se a Sérgio Mendes para executar shows nos EUA, na disseminação da música brasileira por lá. Tocou em shows com Elis Regina, Quarteto em Cy, Elizeth Cardoso entre outros.
No final da década de 60, casado com Flora Purim, voltou aos EUA e participou de discos de Jobim e Tonny Bennet.
Na década de 70 entretanto vem um grande marco de carreira, quando tornou-se integrante do Weather Report, banda de Fusion, comparável aos Headhunters de Herbie Hancock e ao Pat Matheny Group, foi considerado um dos grandes inovadores da linguagem do Jazz. Apenas então em 1972 que lançou seu primeiro disco solo, "Dom Um Romão". Na década de 80 foi morar na Suiça e sempre participou de festivais de Jazz e Samba ao redor do mundo.
É um baterista diferenciadíssimo e o disco de hoje é de 1976, já depois das suas experimentações jazzísticas e fusiônicas (?!), arranjado por Célia Vaz, formada pelo Conservatório Brasileiro de Música e Instituto Villa Lobos e pela Berklee School of Music em Boston, com Dom Salvador no piano, pianista que tornou-se profissional aos doze anos e excursionou pela Europa com Edu Lobo entre outros, Cláudio Roditti no Trompete, incrível trompetista que cativou Dizzy Gillespie e Ed Lincoln, e Sivuca no Violão e vocais, conhecido por disseminar a sanfona do meu nordeste, além de multiinstrumentista e virtuose como seu colega, Hermeto Pascoal, que não requer introdução.
Tudo isso em mente esse disco traz uma sonoridade incrível, músicas diferenciadas, tocadas de forma única, com arranjos bem brasileiros, e genialidade fluindo pela janela nisso que é um brilhante e legítimo Jazz Brasileiro.

Faixas:

  1. "Escravos de Jó" 4:06
  2. "Mistura Fina" 3:01
  3. "Caravan" 5:14
  4. "Spring" 3:33
  5. "Pra Que Chorar" 4:44
  6. "Amor en Jacuma" 5:28
  7. "Tumbalele" 3:21
  8. "Piparapara" 3:53
  9. "Chovendo na Roseira" 3:16
Link nos COmmENTS

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Grateful Dead - Workingman's Dead (1970)


Eita.
Tá ficando difícil manter o ritmo de postagem, bendita faculdade.
Bom, tentando agora dar uma revitalizada eu vou fugir do Funk e vou migrar para o, levemente similar, quanto à escrita, Folk.
O Grateful Dead, chamado por vezes de The Dead, é uma banda americana de 1966, mais ou menos, direto da Califórnia, surgiu junto como Jefferson Airplane, com a Janis Joplin, encaixando-se precisamente nesse meio costa Oeste americana do Rock Psicodélico. E se eu não me engano eu já citei o Jerry Garcia num post aí, acho que o do Takes Off, primeiro disco do Jefferson Airplane.
Esse sujeito, o tal Jerry Garcia, que tocava banjo e guitarra, o Bob Weir, guitarrista também, e o Ron "Pigpen" McKernan que tocava um Hammond como poucos, tocavam juntos numa banda chamada Mother McCree's Uptown Jug Champions, que não emplacou. Aos três juntaram-se o baixista de formação clássica, Phil Lesh, e o baterista Bill Kreutzmann. Em 1966 eles tocaram, alavancados pelo LSD, em um dos primeiros festivais de música psicodélica que ocorreram na história do Rock'n'Roll americano, o Trips Festival.
Há uma ou outra explicação para o nome da banda e talvez este seja o local adequado para divulgá-las. A primeira, diz que num dia, Jerry Garcia abriu uma enciclopédia e encontrou lá o verbete "Grateful Dead" que seria referente a uma alma que agradesce ao vivo pelo seu enterro. A segunda explicação diz que certo dia quando Jerry Garcia levanou um dicionário várias páginas caíram e as palavras Grateful e Dead apareceram juntas, e ficou por isso mesmo. Quem quiser acreditar, tá aí.
A banda tocou em Woodstock em 1969, junto com tantos outros, que é desnecessário listar aqui.
Bom, em 1970 o Dead lançou seu quarto disco de estúdio, o Workingman's Dead. É um disco curtinho, 35 minutos da sua vida, que deveram se repetir, porque são bons. Para qualquer apreciador de boa música, há nesse disco uma mescla entre Blues, Folk, Bluegrass, Country e uma montanha de Rock Psicodélico. O que mais me agrada aqui, no entanto, são os vocais de Bob Weir e Jerry Garcia, que se misturam de forma brilhante. Traz belas músicas como "New Speedway Boogie", "Casey Jones" entre outras
Eu já escutei esse disco mais constantemente, agora é algo mais de eventualidades, porém é sempre agradabilíssimo escutar.

Faixas:
  1. "Dire Wolf" 3:15
  2. "Uncle John's Band" 4:45
  3. "High Time" 5:16
  4. "New Speedway Boogie" 4:08
  5. "Cumberland Blues" 3:18
  6. "Black Peter" 5:45
  7. "Easy Wind" 5:01
  8. "Casey Jones"
Link nos Comments.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Parliament - Mothership Connection (1975)


"Boa noite! não tente mudar seu rádio, não há nada errado,
nós tomamos controle para lhe trazer esse show especial,
você o terá de volta assim que estiver no Groove
Bem vindo à rádio W E F U N K, mais bem conhecida como We-Funk"
E dessa forma começa o Mothership Connection, quarto álbum gravado pela banda Parliament, banda de George Clinton (tido como um dos pais do Funk, junto de James Brown e Sly Stone), apresentada previamente no post do primeiro disco da banda, Osmium.
Pessoalmente, eu julgo ser o melhor disco da banda, no meio da década de 70, como previamente dito, o Funk no seu auge e o Parliament solta um disco conceito. Segundo George Clinton o objetivo era colocar o negro em situações na qual ninguém o veria normalmente, e o fã de Star Trek optou por colocá-lo no espaço.
Cara, na boa? É o que eu gosto de escutar todo dia, não paro de ouvir e eu não precisei me dar ao trabalho de fazer um texto muito extenso de apresentação, porque ela já tá no blog.
"P.Funk (Wants to Get Funked Up)" é fodida, "Supergroovalisticprosifunkstication" é outra sensacional, "Give Up The Funk (Tear the Roof Off The Sucker)", etc. Não meço palavras aqui. um dos meus discos favoritos, para você ouvir e curtir.
Bom feriado, bom SWU para aqueles que vão, etc e tal.

Faixas:

  1. "P. Funk (Wants to Get Funked Up)" 7:40
  2. "Mothership Connection (Star Child)" 6:12
  3. "Unfunky UFO" 4:24
  4. "Supergroovalisticprosicfunkstication" 5:04
  5. "Handcuffs" 4:03
  6. "Give Up The Funk (Tear The Roof Off The Sucker)" 5:47
  7. "Night of The Thumpasarous Peoples" 5:12
  8. "Star Child (Mothership Connection)" [Promo Radio Version] 3:08
Funkylinknoscommenstgroovielicious

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Earth Wind & Fire - That's The Way of The World (1975)


Salve salve, saqueadores e saqueatrizes!
Já havia muito tempo que eu não vinha parar nesse blog para postar qualquer coisa e eis que me veio a idéia de postar um som do Neville Brothers, mas quem diria, o disco que eu estava pensando já está presente aqui no blog, o Yellow Moon (1989), então me dobrei para achar algo que eu vinha escutando e caberia bem nesse blog. Eis que me veio à mente o Earth Wind & Fire.
Banda formada em 1970 por Verdine e Maurice White, baterista da Chess Records (Chuck Berry, Muddy Waters, Etta James, etc), só que há um problema. A banda tinha 10 membros e eu tenho preguiça.
Então vamos tentar organizar os músicos por instrumentos, já que essa cambada era capaz de tudo... O BAIXISTA era Verdine White, na BATERIA faziam turnos, Fred, Maurice White e Ralph Johnson, a FLAUTA e o SAXOFONE eram de Andrew P. Woolfolk, as GUITARRAS eram tocadas por Al McKay e Johnny Graham, a CALIMBA (para os curiosos, está na wikipedia) pertencia ao criador e produtor da banda Maurice White, PIANO, ÓRGÃO, SINTETISADOR E MOOG nas mãos de Larry Dunn, os VOCAIS por Maurice, Verdine White e Philip Bailey.
Tomara que minha confusão tenha contagiado vocês e assim eu receba uma absolvição de quem se deu ao trabalho de ler.
O disco foi trilha sonora de um filme homônimo no qual estavam os músicos da banda fazendo papéis ficcionais de si mesmos.
Enfim, o som aqui presente traz muito do Sly & The Family Stone, com uma pegada bem Disco, um xablau de Gospel e muito, muito Groove. Ficam em destaque as músicas "Happy Feeling" e "Shining Star", pelos seus ritmos acelerados e exceso de Feeling.
Aquele abraço, qualquer dia o A Whole New Thing do Sly & The Family Stone.

Faixas:

  1. "Shinnig Star" (2:51)
  2. "That's The Way of The World" 5:47
  3. "Happy Feeling" 3:37
  4. "All About Love" 6:37
  5. "Yearnin', Learnin'" 3:41
  6. "Reasons" 5:02
  7. "Africano" 5:12
  8. "See The Light" 6:21
Link devidamete posto nos comments.

domingo, 19 de setembro de 2010

The Roots Of Chicha: Psychedelic Cumbias From Peru (2007)

Ritmo tradicional da Colômbia, a Cúmbia é a mistura de tambores de origem africana com instrumentos indígenas e poesia espanhola. Apesar de sua origem colombiana, o gênero musical difundiu-se rapidamente pelos países vizinhos, tornando-se um dos mais populares das nações da América Latina de língua castelhana. Como era de se esperar, foi sofrendo variações, ganhando subgêneros regionais. Falarei aqui sobre um deles: a Cúmbia Amazônica, também chamada de Chicha (nome de um licor Inca), que surgiu na região peruana da floresta quando esta, no final dos anos 60, vivia um grande desenvolvimento urbano em função do petróleo.
Por meio da TV e do rádio, os artistas das cidades locais passaram a entrar em contato constante com o rock estadunidense e britânico. Influenciados, incorporaram à sua música popular elementos da psicodelia e do surf-rock, passando a usar instrumentos elétricos como guitarras, órgãos fárfisa e até mesmo sintetizadores moog. O resultado disso é a Chicha, miscigenação entre a Cúmbia tradicional do Peru e o pop internacional.
Em outras palavras, o rock entrou direto na música peruana como uma manifestação cultural autêntica, e não como mera imitação de padrões estrangeiros (como reclamei que acontecia no disco "Steam Kodok", de Singapura, que postei aqui semana passada). Não à toa, é comum encontrarmos por aí comparações entre a Cúmbia Amazônica e a Tropicália no Brasil, afinal ambos tinham forte caráter antropofágico. A diferença, porém, é que, enquanto o tropicalismo foi pensado e aplaudido por uma nata de artistas intelectualizados, a Chicha surgiu como uma forma popular, elogiada nas pistas de dança e não entre os críticos.
Por causa disso, o gênero acabou por ficar esquecido, sem nunca ter ido além das fronteiras de seu país de origem. Eis que, em 2007, a Barbes Records organizou "The Roots of Chicha", a primeira coletânea de Cúmbias Amazônicas lançada fora do Peru. E aqui está ela.
Trata-se de um álbum sensacional do começo ao fim, com músicas bem embaladas e envolventes. Há, entre elas, tanto faixas instrumentais (entre essas, vale dar destaque ao "Sonido Amazônico" dos Los Mirlos e "Para Elisa", versão "chichada" da música de Beethoven feita pelos Los Destellos) quanto com vocal (como "Ya Se Ha Muerto Mi Abuelo", de Juaneco y Su Combo).
Enfim, enfim, estou me prolongando demais aqui... Fiquem com o disco.

Ah, outra coisa: li que no dia 12 de Outubro vai sair a continuação da coletânea, "Roots Of Chicha vol.2". Fiquem atentos, quem sabe não posto ela aqui no Saqueando logo mais...

Faixas:
1. Sonido Amazonico - Los Mirlos
2. Linda Nena - Juaneco Y Su Combo
3. Carinito - Los Hijos del sol
4. A Patricia - Los Destellos
5. Sacalo Sacalo - Los Diablos Rojos
6. Ya Se Ha Muerto mi Abuelo - Juaneco Y Su Combo
7. El Milagro Verde - Los Mirlos
8. Para Elisa - Los Destellos
9. Linda Munequita - Los Hijos Del Sol
10. Muchachita del Oriente - Los Mirlos
11. Para Elisa - Los Destellos
12. Vacilando Con Ayahuesca - Juaneco Y Su Combo
13. El Guapo - Los Diablos Rojos
14. Mi Morena Rebelde - Eusebio y Su Banjo
15. Si Me Quieres - Los Hijos Del Sol
16. Me Robaron Mi Runa Mula - Juaneco Y Su Combo
17. La Danza de Los Mirlos - Los Mirlos

Link para download nos comentários, muchacho.
Mas se cê tiver com preguiça de baixar, dá pra ouvir pelo MySpace.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

The Kinks - Are The Village Green Preservation Society (1968)


Ah o rock'n'roll.
Outra grande banda do gênero vai pipocar hoje no saqueando, sim, The Kinks.
O The Kinks era uma banda inglesa muito boa, se você quer saber mesmo. Estouraram em 1964 com o disco The Kinks, que trazia alguns covers como "Beautiful Delilah" e "Too Much Monkey Business" de Chuck Berry, assim como tinha também músicas próprias como o sucesso "You Really Got Me", lançado em agosto do mesmo mês e razão principal do grande sucesso da banda.
A formação original do grupo consistia nos irmãos (Dave e Ray) Davies, ambos guitarristas, Pete Qualife, baixista e Mick Avory, baterista. Nos estúdios ainda tinham a companhia de Nicky Hopkins, pianista, aquele do cd Truth (1968) do Jeff Beck.
Enfim, em 1968 a banda lançou o seu último cd com a formação original. O disco em questão é esse do título enorme aí. É um disco conceito, inspirado numa viagem de Ray Davies para a cidade rural Devon.
O disco é tido como um dos melhores e mais influentes da banda, é claro que não faltam comparações com o sgt Peppers, mas eu vou me abster de falar qualquer coisa nesse aspecto, quem se interessar em falar, tem meu convite para fazer algum comentário. Músicas como "The Village Green Preservation Society", "Village Green" (música que foi o fator catalístico na gravação do disco, uma vez que ela foi tocada pela primeira vez nas gravações de Something Else (1967)), "Picture Book", "Animal Farm" e várias outras mostram o que é o disco, uma mescla de baixo e bateria bem tocados, precisos, conscientes, uma guitarra sem pressa e arranjos vocais espetaculares (aqui vale um comentário próprio, lembrei da Tulipa Ruiz, na música "Picture Book" (do Kinks), os backing vocals do grupo inglês lembram o vocal da cantora em "Às Vezes").
Aquele abraço, em breve pirações peruanas do Caião.

Faixas:
  1. "The Village Green Preservation Society" 2:53
  2. "Do You Remember Walter?" 2:28
  3. "Picture Book" 2:36
  4. "Johnny Thunder" 2:30
  5. "Last of The Steam-Powered Trains" 4:12
  6. "Big Sky" 2:52
  7. "Sitting By The Riverside" 2:25
  8. "Animal Farm" 3:03
  9. "Village Green" 2:13
  10. "Starstruck" 2:30
  11. "Phenomenal Cat" 2:40
  12. "All of My Friends Were There"
  13. "Wicked Anabella" 2:45
  14. "Monica" 2:20
  15. "People Take Pictures of Each Other" 2:18
Link devidamente colocado onde pertence, nos palpites.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Cream - Fresh Cream (1966)


Seguindo a toada daquele último post, eu confirmo o que disse e trago para vós um novo disco no saqueando, depois do primeiro disco de Jimmy Page pós Yardbirds e do primeiro disco Jeff Beck pós Yardbirds trago o primeiro disco de Eric Clapton pós Yardbirds.
O Cream foi formado em 1966 após a saída do gênio, guitarrista e vocalista Eric Clapton do Grupo Yardbirds e da John Mayall's Bluesbreakers, por sentir-se sufocado (parece papo de namorado), mas quem diria que naquele momento ele (Clapton) já era considerado o melhor guitarrista da Inglaterra, e não por falta de razões.
Foi nesse mesmo ano que encontrou Ginger Baker, baterista do Graham Bond Organisation, que apresentou Jack Bruce, baixista, pianista e gaitista, que também tocava na GBO e estava cansado dos ataques de Graham. O acordo se deu numa estrada para Londres, Baker propôs e Clapton aceitou sob uma condição, que Jack Bruce fosse o baixista.
Senhoras e senhores temos o primeiro grande trio da história do Rock'n'Roll, isso por que além deles eu penso na Jimi Hendrix Experience, vale lembrar que Hendrix era fã assumido do Cream e quis uma banda apenas com três membros em função da banda inglesa, além dessas duas eu consigo lembrar só do Rush e do Emerson, Lake & Palmer, mas nenhuma é tão emblemática quanto a Experience ou o Cream.
Bom, meus caro o primeiro cd traz excelentes músicas além de grandes demonstrações de aptidão dos músicos (leia-se fodelância [sic] músical, e me desculpem pelo termo, mas hoje eu vou deixá-lo aqui) o Cream é uma das primeiras sementes do Rock Psicodélico que englobaria tantos artistas que nem vale à pena citar.
Músicas como "I Feel Free" e "Toad" são mais conhecidas ao ouvido, mas fica a dica para "Spoonful", "Cat's Squirrel", o blues, que aponta muito bem o gosto de Clapton, "Sleepy Time Time" e todas as outras. CDZAÇO

Faixas:
  1. "I Feel Free" 2:53
  2. "N.S.U." 2:48
  3. "Sleepy Time Time" 4:24
  4. "Dreaming" 2:01
  5. "Sweet Wine" 3:20
  6. "Spoonful" 6:29
  7. Cat's Squirrel" 3:08
  8. "Four Until Late" 2:11
  9. "Rollin' And Tumblin'" 4:44
  10. "I'm So Glad" 3:59
  11. "Toad" 5:12
  12. "The Coffee Song" 2:47
  13. "Wrapping Paper" 2:24
Link nos Comments

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Monsueto Menezes - Mora na Filosofia dos Sambas de Monsueto (1962)

Carioca da extinta Favela do Pinto, Monsueto Menezes foi uma peculiar figura da cultura popular brasileira dos anos 50 e 60. Com um metro e oitenta de altura e inquestionável bom-humor, fez fama como comediante em quadros de programas rádio e TV, atuou em 17 filmes (nacionais e estrangeiros) e ainda ganhou, no fim de sua curta vida, respeito como pintor primitivista. Porém, o que lhe garantiu entrada para a história foi, sem sombra de dúvidas, seu talento musical.
Sambista da melhor categoria, Monsueto foi, antes de um bom cantor, um grande compositor. Não à toa, suas melhores canções foram eternizadas nas vozes de outros intérpretes. É o caso dos clássicos "Me Deixa Em Paz", gravado por Milton Nascimento em "Clube da Esquina", e "Mora Na Filosofia", que Caetano gravou no álbum "Transa". Entretanto, na ocasião do lançamento dessas duas versões, em 1972, Monsueto já era há muito um artista consagrado, cujo auge da carreira já tinha inclusive ficado pra trás (viria a falecer no ano seguinte).
Pois é, falemos logo então da carreira do cara... Menezes começou a vida artística nos anos 40 tocando bateria em conjuntos como a Orquestra do Copacabana Palace. Em 1952 teve sua primeira canção gravada: "Me Deixa em Paz", na voz de Linda Batista. Daí em diante, foi ganhando destaque como compositor e passou a ser sucesso nos carnavais e shows cariocas. Assim, em 1962, já consagrado, Monsueto gravou seu único álbum, que trago aqui hoje.
Em "Mora na Filosofia dos Sambas de Monsueto", o sambista interpreta a nata de sua obra em uma série de embalados pout-pourris. As letras, quase sempre bem-humoradas, transitam principalmente entre temas amorosos (em especial a dor de corno), mas não só ("Lamento da Lavadeira" e "Fogo no Morro", por exemplo, têm certo cunho social). É possível ainda ouvir, entre as paradas e breques, Monsueto exclamando algumas das gírias que cunhou e/ou popularizou em seus quadros de TV na época, tais quais "ziriguidum", "diz!", "castiga..." e, é claro, "morou?".
Enfim, trata-se de um grande álbum, bom pra chacoalhar os quadris, mas talvez um pouco repetitivo para ser ouvido de cabo a rabo em função da maior parte das faixas repetir uma forma muito parecida de samba. Resta agora que você more no disco. Boa sorte.
(Ah... Procurei por cenas do Monsueto na TV no youtube e não achei nada de relevante senão um vídeo dele cantando "Ziriguidum" com a Elza Soares. Se alguém tiver algum registro melhor, deixa nos comentários, por favor! Valeu)

Faixas:
1. Bateria e solo de percussão
2. Mora na Filosofia/Couro do Falecido
3. Tá Pra Acontecer/Levou Fermento
4. Me Empresta Teu Lenço/Me Deixa em Paz
5. Rua Dom Manuel/Senhor Juíz
6. A Fonte Secou
7. Copacabana de Tal/Esse Samba Tem Parada
8. Água e Azeite/Na Menina dos Meus Olhos
9. Lamento da Lavadeira/Na Casa de Antônio Jób
10. Nó Molhado/Morfeu
11. Segunda Lua de Mel/Fogo no Morro
12. Eu Quero Essa Mulher Assim Mesmo

Link nos comentários, morou?