segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Tim Buckley - Goodbye And Hello (1967)

Antes de tudo, gostaria de deixar bem claro que este magnífico álbum não tem absolutamente nada a ver com a música "Hello Goodbye" dos Beatles. Para falar a verdade, o som psico-barroco de Tim Buckley foi um grande marco para a história da música popular americana, tanto por causa das características trovadorísticas do jovem intérprete quanto pela originalidade de suas canções (Buckley é, na opinião deste humilde redator, um dos mais inspirados compositores de sua geração, vencendo até de Bob Dylan e Nick Drake). Para ser mais ousado, atrevo-me a dizer que os Beatles sequer chegariam perto de gravar uma obra deste nível de criatividade no ano de 1967.
Goodbye And Hello, como já foi anteriormente explicado, tem suas influências medievais e barrocas. Buckley abusa da fantasia circense na hipnotizante valsa "Carnival Song", leva a loucura e o abandono ao extremo em "Hallucinations" e lança àsperas críticas à sua mulher e expressa sua saudade pelo filho Jeff (sim, Jeff Buckley, aquele sujeitinho meio cult lá que morreu afogado, lembram dele? Então, o cara é bom mas o pai dele é melhor) em "I Never Asked To Be Your Mountain".
Não posso desconsiderar, é claro, a faixa de abertura "No Man Can Find The War", hino de protesto contra a guerra do Vietnã, uma das mais belas e contagiantes músicas do álbum inteiro. "Goodbye And Hello", peça-título, é um épico acompanhado de instrumentação medieval, realmente hipnotizante e em alguns pontos emocionante. "Phantasmagoria In Two", "Pleasant Street" e "Once I Was" revelam o lado mais rockeiro de Buckley, sem esquecer, é claro, do tempero psicodélico que dá a elas um gosto incrível. O disco encerra em grande estilo com a pacífica "Morning Glory" (não confundir com a do Oasis, por favor), balada excelente para uma bela seção de relaxamento.
É um disco fantástico, pouco valorizado pelo popular, mas que vale a pena ser apreciado.

Faixas:
1. No Man Can Find The War
2. Carnival Song
3. Pleasant Street
4. Hallucinations
5. I Never Asked To Be Your Mountain
6. Once I Was
7. Phantasmagoria In Two
8. Knight-Errant
9. Goodbye And Hello
10. Morning Glory

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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

King Crimson - Beat (1982)

Lançado em 1982, Beat é um álbum diferente da maioria dos outros da discografia do King Crimson. Na década de 80, os tempos áureos da banda (vai, do In The Court, de 69, a até o Red, de 74) já haviam há muito ficado pra trás, assim como quase toda a formação original (só restando o líder, Robert Fripp). Este disco aqui se encaixa numa fase que é, não à toa, desprezada pelos fãs de progressivo, na qual o conjunto adquiriu em certos aspectos um tom mais pop.
Sugiro, portanto, que para a audição deste álbum, você se desapegue de qualquer preconceito bobo de fã chato de prog-rock. Injustamente discriminado, Beat é na verdade uma puta obra. Nele, a banda faz sua homenagem aos Beatniks, a geração de escritores que abalou os EUA no fim dos anos 50, se tornando referência para, mais tarde, outros movimentos contraculturais, tais quais o Hippie e o Punk.
Abre direto com a embalada e envolvente "Neal and Jack and Me", a viagem do Crimson com Jack Kerouac e Neal Cassady pelas estradas americanas. Em seguida vem enrolada e bem marcada "Heartbeat", o "hit" do disco, que ficou 57º lugar na Billboard em 1982. "Satori in Tangier" (remetendo ao livro "Satori In Paris" de Kerouac) é o auge do disco, que já declina com "Waiting Man", melhorando um pouco em "Neurotica" e encerrando com estilo em "The Howler" (referência ao poema "Howl" de Allen Ginsberg).
No fim das contas acaba sendo, apesar de subestimado, um disco bom. Pra fãs do King Crimson, pra interessados na geração Beat, pra apreciadores de boa música de modo geral, mas não pra chatos do rock progressivo. Enfim, problema deles.

Faixas:
1. Neal and Jack and Me
2. Heartbeat
3. Sartori in Tangier
4. Waiting Man
5. Neurotica
6. Two Hands
7. Requiem
8. The Howler

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domingo, 6 de setembro de 2009

The Crazy World Of Arthur Brown - The Crazy World Of Arthur Brown (1968)

Chamas infernais, explosões dinâmicas, mares incandescentes e... dinheiro? Sim, o mundo de Arthur Brown é uma loucura completa. Mas isso já era de se esperar, afinal de contas, no fim da década de 60 a psicodelia chocava o mundo e colocava-o num estado de choque como se este tivesse sido atingido por um meteoro. O fato é que esse disco sobre o qual eu estou tentando falar é uma puta obra de arte. Começando, primeiramente, pelo fato de ser o álbum de estréia de uma das primeiras bandas de rock a abolir completamente as guitarras elétricas, o que possibilitou uma abertura de espaço gigantesco para riffs de órgão e baixo (aliás, que riffs, hein! Vincent Crane é um dos melhores organistas que eu já ouvi na minha vida! O cara tem um dedilhado insano sobre as teclas que só ouvindo pra crer!). Outro fator que diferencia esta das demais bandas de rock é o lado teatral do vocalista Arthur Brown, que foi, junto com Jim Morrison, um dos primeiros a introduzir performances durante as apresentações ao vivo (aliás, suas maquiagens e roupas de palco influenciaram deveras astros como Peter Gabriel e Alice Cooper), deixando os shows mais eletrizantes, dinâmicos e inusitados.
A faixa de abertura do álbum, "Nightmare", começa com uma seção de cordas arqueadas que érapidamente interrompida por uma explosão organística de tirar o fôlego, do mesmo modo que o hit "Fire", que atingiu o topo das paradas britânicas e deixou Arthur conhecido como "The God Of Hellfire" (ou "O Deus do Fogo Infernal"). Além destas, outras faixas insanas se destacam, todas elas temperadas com cores, gritos e uma certa dose de piromania da parte de Brown. A criatividade é tanta que versões de músicas de James Brown ("I've Got Money") e Screamin' Jay Hawkins ("I Put A Spell On You") parecem até originais!
Juro, esses caras são sonzeira pura, vale escutar cada segundo dessa maravilha psicodélica. É uma pena que o grupo tenha se dissolvido no ano seguinte ao lançamento dessa pérola, apesar dos membros deste terem seguido para destinos brilhantes e maravilhosos (o batera Carl Palmer seguiu para o Atomic Rooster e depois para o famoso Emerson, Lake and Palmer e o baixista Nicholas Greenwood seguiu carreira solo e logo depois foi para a banda de prog Khan), deixando sobre a areia incandescente da psicodelia esta pérola única.

Faixas:
1. Prelude-Nightmare
2. Fanfare-Fire Poem
3. Fire
4. Come and Buy
5. Time/Confusion
6. I Put a Spell On You
7. Spontaneous Apple Creation
8. Rest Cure
9. I've Got Money
10. Child Of My Kingdom
11. Devil's Grip
12. Give Him a Flower
13. What's Happening?
14. Prelude-Nightmare (Mono)
15. Fanfare-Fire Poem (Mono)
16. Fire (Mono)
17. Come and Buy (Mono)
18. Time/Confusion (Mono)

Baixar (esse link eu peguei não me lembro mais aonde, e é o melhor de todos. Se pedirem uma senha pra descompactar o arquivo, a senha é "xara", sem as aspas, por favor.)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Luizinho & Seus Dinamites - Choque Que Queima! (1964)

Gravado em 1964, "Choque Que Queima" é o único álbum do grupo Luizinho & Seus Dinamites e também, sem dúvidas, uma das maiores preciosidades do twist em todo o mundo. As doze faixas trazem consigo a marca da época, com um pé no rock instrumental do fim dos anos 50 e outro na beatlemania, porém sem aquele tom ingênuo característico da Jovem Guarda (sem querer desmerecê-la, é claro).
O disco, composto por abrasileirações de músicas de Cliff Richards & The Shadows ("Choque Que Queima", por exemplo, é uma versão de "Choppin' and Changin'"), passeia entre canções de amor ("As Estações" e "Eu Vou À Lua"), twists embalados ("Dinamite" e "Carango Twist") e faixas instrumentais dançantes ("Ventures Twist" e "Guitar Twist"). As letras em geral giram em torno do universo das festas de twist, dos tempos em que se pegava a caranga e estacionava na contramão na Rua do Rock.
E, como canta o próprio Luizinho na faixa de abertura, "os Dinamites quando tocam botam pra quebrar". Nessa mesma canção o vocalista apresenta seus companheiros de banda, Carlinhos (na bateria, sempre a batucar), Jair (que na sua guitarra faz a marcação), Antônio (barbarizando o contrabaixo) e Euclides (o guitarrista, que quando sola mais parece um canhão). Alguns desses participaram também dos Blue Jeans Rockers, ex-grupo de Luizinho nos anos 50.
Enfim... Concluindo, digo que é um puta disco. Raro achar coisa tão boa desse gênero aqui pelo Brasil (a maioria de seus contemporâneos ficavam fechados na imitação). Extra-recomendado pelos saqueadores de cidades.
"Esse choque me queima, esse choque me deixa maluco!"

Faixas
1. Dinamite
2. Choque que Queima
3. Ventures twist
4. Eu Vou à Lua
5. As Estações
6. Apache
7. A Raposa e o Corvo
8. Carango Twist
9. Bongo Blues
10. Uma Voz na Solidão
11. Lâmpada do Amor
12. Guitar Twist


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(peguei lá do brazilian nuggets esse link...)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Harry Manfredini - Friday The 13th Soundtrack (1980, 1981,1982)

A história é mais ou menos a mesma na cabeça de todos. Em 1958, um garoto chamado Jason se afoga no acampamento Crystal Lake, por negligência dos monitores (eles estavam fazendo sexo, tchanam!). Em 1980, uma série de homícidios no mesmo local poderia ser atribuída ao próprio Jason, que retornou dos mortos? Ou à sua mãe? Ah... Todos sabem o final dessa droga de filme. Bom, pode até ser uma droga, mas é um dos meus favoritos.

Mas continuando... Três meses depois da chacina mostrada no primeiro capítulo, mais 13 adolescentes são mortos por Jason em Sexta-Feira 13 Parte 2. Na noite seguinte (Sexta-Feira 13, Parte 3), Jason comete outra chacina! E depois ele morre e revive, morre e revive e continua assim por mais eternos 7 capítulos... Mas o mais impressionante da franquia, a meu ver, é a trilha sonora. Todo o sucesso não seria alcançado sem o trabalho de Harry Manfredini, o compositor das dos filmes 1-6. Seu trabalho nunca foi reconhecido e lançado corretamente para um público grande.

Eu já tinha desistido de procurar além da porcaria que já tinha sido lançada (três músicas com 10 minutos cada, com pedaços da trilha original) porque o próprio Harry Manfredini tinha me dito (Sim, eu mandei e-mails pra ele) que os negativos em que o material bom de verdade ficava estavam danificados demais para serem recuperados.

Mas ontem eu tive uma surpresa! Navegando pelo orkut, descobri que foram lançados 3 CD's com a soundtrack original inteira! Depois de 3 anos esperando alguma luz, ela chegou, e aí vão eles:



Friday The 13th (1980)

Faixas:
1. Camp Blood New (0:19)
2. Prelude (0:51)
3. We Weren´t Doin´Anything (1:35)
4. Main Title (1:04)
5. Kill The Cook (1:36)
6. The Snake (0:07)
7. Ralph´s Warning (0:29)
8. What´s In The Top Bunk (0:17)
9. Jack´s Death (0:13)
10. The Outhouse (2:47)
11. The Arrow (1:52)
12. Resting (0:27)
13. Bill Behind The Door (3:20)
14. The Terror Begins (0:45)
15. Mrs.Voorhees (2:51)
16. Her Revenge (1:26)
17. The Attack Continues (1:26)
18. The Beheading (0:27)
19. End Title (Sail Away Little Sparrow) (2:37)
20. Source Music [The Ride To The Camp] (1:08)
21. Introduction To Horror (11:32)




Friday The 13th Part 2 (1981)

Faixas:
1. Jason´s Out There (1:25)
2. Dreams Of Camp Blood (4:23)
3. Revenge For Mother (2:10)
4. Main Title (1:55)
5. Lurking (0:17)
6. Jason Moves Upstairs (1:02)
7. Jason´s Knife (1:12)
8. Attacking Paul And Ginny (1:36)
9. After Ginny (1:30)
10. Hiding In The Cabin (1:30)
11. Mother Is Talking To You (3:53)
12. Safe At Last (1:56)
13. Head Of The Family (End Credits) (2:04)
14. Source Cue [The Bar] (0:36)
15. Excerpts In Terror (5:16)




Friday The 13th Part 3 3D (1982)

Faixas:
1. A Warning (0:32) - Harry Manfredini
2. Picking Up The Story (3:11) - Harry Manfredini
3. Main Title (1:37) - Harry Manfredini
4. At The Store (2:59) - Harry Manfredini
5. Jason Watches/Shelly´s Joke (1:38) - Harry Manfredini
6. In The Barn (3:19) - Harry Manfredini
7. In The Shower (1:08) - Harry Manfredini
8. Reading Fangoria (0:08) - Harry Manfredini
9. Fire Poker (1:03) - Harry Manfredini
10. Jason Through The Window (2:03) - Harry Manfredini
11. Final Battle (1:57) - Harry Manfredini
12. Why Won´t He Die (1:00) - Harry Manfredini
13. Theme From Friday The 13th Part III (3:41) - Harry Manfredini & Michael Zager, Hot Ice
14. Moments Of Madness (11:24) - Harry Manfredini


domingo, 23 de agosto de 2009

Pierre Schaeffer & Pierre Henry - Symphonie Pour Un Homme Seul (1949)

Pierre Schaeffer foi um radialista, que trabalhando com recursos de looping, reversão e velocidade sobre fragmentos de fitas magnéticas, construiu o princípio do gênero musical que ficaria conhecido como a “musique concrète”. É o fruto de fragmentos de sons industriais ou naturais mexidos e remexidos formando composições acerca de certos assuntos (ou não), como Schaeffer faz com trens e estradas de ferro em "etude aux chemins de fer", que é reconhecida como a primeira peça do gênero.Esse movimento pretendia criar uma música "de verdade" ou "concreta", colocando, para isso, elementos naturais e musica apartir de até então ruidos cotidianos ou corriqueiros. A música concreta busca novas dimensões para o som através de experimentações, tentando situar os ruídos no meio espacial, dando um caráter concreto à música. Pierre tentou achar e classificar quantos sons fosse possível da natureza, o que lhe dava uma gama maior do que era possível criar.
Pierre Henry, compositor francês, conheceu Schaeffer em 1950, quando formaram o ”Groupe de Recherche de Musique Concrète GRMC”. Henry, por sua vez, é reconhecido por seu pioneirismo em outro gênero: a musica eletroacústica, que trabalha com criação ou modificação por computador.
Devido à extrema fragmentação e talvez certa falta de compreensão o trabalho de Schaeffer e Henry só começou a ser tomado como satisfatório certo tempo depois com trabalhos como o presente “Symphonie Pour Un Homme Seul”, que mesmo sendo de caráter ainda pouco compreensível para ouvidos leigos foi uma obra certamente marcante, por sua inovação quanto a recursos (aceleração, reversão, loop).
Retratando elementos de diversas áreas, é possível mergulhar no universo de cada ambiente retratado musicalmente. Faixas são cheias de emoção, seja como em "Colletif" ou em "Eroïca", e criam incomodo à psique, criando certa sensação enclausurante.
Outro aspecto intrigante desse movimento é a atonalidade, tal como em "Partita", onde são recortados sons de instrumentos em uma experiência metalinguística, pois se reflete sobre música na própria com fragmentos musicais.
Outro álbum completamente aberto a entendimentos diversos, e basta apenas se deixar levar pelos sons que se chega em interpretações únicas.
Tracklist:
1. Prosopopee I
2. Partita
3. Valse
4. Erotic
5. Scherzo
6. Collectif
7. Prosopopee II
8. Eroïca
9. Apostrophe
10. Intermezzo
11. Cadence
12. Strette

sábado, 22 de agosto de 2009

História da MPB: Música Sertaneja (1983)

Primeiro de tudo, quero ressaltar que, apesar do nome, este disco não é uma coletânea de música sertaneja. Pelo menos não da música romântica barata feita duplas fantasiadas de caubóis americanizados que caracteriza o gênero que chamamos de "sertanejo" atualmente. O que temos aqui nada mais é do que uma compilação de clássicos da genuína música caipira de raíz. O canto tradicional do homem rural do interior de São Paulo.
O álbum é introduzido por uma explicação de o que é o gênero gravada pelo próprio Cornélio Pires, o maior pesquisador da cultura e da figura do caipira paulista, que foi responsável pela introdução da Moda de Viola no mercado musical em 1929, por meio de uma empreitada ousada. Sobre essa empreitada, abro aqui um parênteses para contar a tal história (ou deveria dizer "causo"?): as gravadoras não aceitaram fazer a tiragem de discos proposta por Cornélio (era maior até do que as dos discos de sucesso da época) e este a bancou com dinheiro emprestado. Assim que ficaram prontos, colocou tudo num carro e saiu vendendo pelo interior de São Paulo. Antes de chegar em Bauru já tinha vendido tudo. Enfim, lenda é lenda...
Voltando a falar do disco... Após a emocionada abertura narrada por Cornélio Pires, temos "Moda de Peão", uma típica Moda de Viola, daquelas que parecem lamento. É cantada por uma dupla acompanhada por um violão e a letra tem um quê de relato, em primeira pessoa, como se fosse uma contação de causo. Em seguida vem "Fogo no Canaviar", Moda com características que surgiram no gênero no pós-guerra, tal qual o uso de instrumentos como o acordeão. Depois vem "Moda da Pinga", cantada por Inezita Barroso numa interpretação confiante de si mesma.
Daí em diante o disco vai se desenrolando em várias outras belas obras, interpretadas por grandes nomes do gênero, como Vieira & Vieirinha, Itaporanga & Itararé, Tião Carreiro & Pardinho... De Tonico & Tinoco, provavelmente a maior dupla caipira da história, temos aqui o emocionante super-clássico "Tristeza do Jeca", que mais tarde virou nome e tema do filme de Mazaroppi. Outros clássicos como a trágica "O Menino da Porteira" também estão presentes nessa compilação.
Enfim, este é um álbum que vale a pena ouvir caso se tenha interesse. É sempre bom estar disposto para ouvir... Livre dos preconceitos que geralmente são associados aos termos "caipira" e "sertanejo". Pelo menos do ponto de vista antropológico (assim como aquele disco da Sumatra que eu postei aqui há um tempo), é muito muito bom.

Faixas:
1. Moda do Peão - Cornélio Pires
2. Fogo no Canaviar - Alvarenga & Ranchinho
3. Moda da Pinga -Inezita Barroso
4. Boi Amarelinho - Torres & Florêncio
5. Sertão do Laranjinha - Tonico & Tinoco
6. O Menino da Porteira - Tião Carreiro & Pardinho
7. Beijinho Doce - Irmãs Castro
8. Mágoa do Boiadeiro - Ouro & Pinguinho
9. Quatro Coisas - Vieira & Vieirinha
10. Tristeza do Jeca - Tonico & Tinoco
11. Três Nascentes - João Pacífico
12. Jorginho do Sertão - Itaporanga e Itararé

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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Joelho de Porco - Saqueando a Cidade (1983)

Saqueando a Cidade! Fiquei surpreso quando me dei conta que justamente o disco que deu o nome ao blog não tinha ainda um post aqui... Pois aqui vai, então:
O Joelho de Porco surgiu em São Paulo em 1972, liderado por Tico Terpins (ex-guitarrista dos Baobás) e Próspero Albanese. Sempre irreverente e caçoador, em termos de atitude o grupo é considerado por alguns uma manifestação precoce do punk no Brasil, detentor de um autêntico "espírito de porco". Graças a isso, carregou durante muito tempo a fama de "banda de segunda". Não porque eram ruins, pelo contrário. Foram vítimas do preconceito ouvintes desatenciosos e incapazes de perceber que as músicas não são bregas, mas sim puro deboche!
Por outro lado, o tom humorístico da banda conquistou (e continua conquistando) uma legião de fãs fiéis ao longo dos anos, que disputam seus vinis e CDs. Além, é claro, de preparar o cenário para uma série de grupos que surgiriam nos anos 80 seguindo uma linha similar, tal qual o Língua de Trapo.
Enfim, feita a apresentação, vamos ao álbum: Saqueando a Cidade. O título explica bem o conteúdo, pois as faixas nada mais são do que uma grande salada de frutas de músicas, tudo aquilo de diferente que você consegue quando saqueia uma cidade. Desde duas versões roqueiras da clássica tarantella italiana "Funiculi Funiculá", variações resumidas de sucessos B, como "Dianna" e "Afrikaan Beat" a até tirações de sarro de temas de séries de TVs antigas, tais quais as aberturas "Bonanza" e "Vigilante Rodoviário" (do clássico da televisão nacional). Estão espalhadas aleatoriamente ao longo do disco algumas vinhetas, como "Hora de Dormir" e "Repórter Esso", dando um tom non-sense pro álbum como uma obra inteira. A faixa "Ue O Muite Aruokou" (canção de um seriado japonês...), por exemplo, vem introduzida por uma narração sobre o descobrimento da América e o impressionante espetáculo do moderno capitalismo que aconteceu em consequência. Ah, é: a explicação de tantas referências a televisão tá no fato de que o líder Tico Terpins fazia jingles pra ganhar a vida.
Mas o Saqueando traz também composições próprias do Joelho (que, aliás, encontrava-se em sua melhor formação: estrelando Billy Bond e Zé Rodrix!). "Home do Imposto de Renda" é um reggae bem enrolado que reclama dessa burocracia e bandalheira toda. Economia também é motivo crítica em "Vai Fundo" ("Vai fundo, monetário internacional"), que tem até a manha de caçoar abertamente de políticos da época ("Parece o carnaval de Veneza/Como diz o Montoro"). Ataques mais diretos ainda tão em "Telmo Martírio", quatro minutos e meio debochando do impiedoso crítico de música Telmo Martino. Além, é claro, de "Um Trem Passou Por Aqui", que conta a história de como o Rei Roberto Carlos conseguiu sua perna mecânica (apelidada aqui de "Margarida"). Meu, eles fizeram uma música pra tirar sarro do Roberto Carlos! Que coragem! Não perdoavam ninguém....
Ah, e não acabou por aqui. Tem ainda "Bom Dia São Paulo" (nº1 e nº2), dois Souls/Golspels cafonérrimos sobre a cidade! Além de "Rock do Relógio", um roquezinho bem-embalado (que o vocal do Zé e o órgãozinho deixam parecendo música do Sá, Rodrix & Guarabyra) e "Pé na Senzala", um funkzão pra dizer que "o samba não é mais uma música negra, deixando louca a crítica especializada". E, é claro, uma nova versão do clássico do Joelho de Porco, "Mardito Fiarpo de Manga", lançado originalmente no disco "São Paulo 1554-Hoje". Por fim, ainda vale citar "Noite de Natal", a hilária história de um católico que se apaixonou por uma judia, filha de Isaac Isaias. E, encaixada no fim, meio que como uma faixa-bônus, está "A Última Voz Do Brasil", canção com a qual a banda venceu o Festival dos Festivais da TV Globo de 1985.

Faixas:
1. Repórter Essso
2. Vai Fundo
3. Apache
4. Funiculi Funiculá
5. Noites de Moscow
6. Home do Imposto de Renda
7. Dianna
8. Mardito Fiarpo de Manga
9. Bom Dia São Paulo
10. Bonanza
11. Pé Na Senzala
12. Vigilante Rodoviário
13. Bom Dia São Paulo nº2
14. Rock do Relógio
15. Sons de Carrilhões
16. Funiculi Funiculá (Playback)
17. Ue O Muite Arukou
18. Telmo Martírio
19. Conjunto de Beira de Piscina de Filme Italiano
20. Afrikaan Beat
21. Noite de Natal
22. Um Trem Passou Por Aqui
23. Hora de Dormir
24. A Última Voz do Brasil [Bônus]

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Itamar Assumpção & Banda Isca de Polícia - Beleléu, Leléu, Eu (1980)


Beleléu! Ilustríssimo artista e compositor, Itamar Assumpção é certamente um marco (talvez esquecido) da musica popular. Foi membro do movimento cultural da vanguarda paulista, conjuntamente com a seu amigo Arrigo Barnabé e outros músicos e compositores tais como os grupo Língua de Trapo e Joelho de Porco (que tem um álbum que, por “coincidência”, se chama “Saqueando a Cidade”!)
Como poucos artistas da era pós-Beatles, Itamar era dos que tinha menos destaque nos estúdios (independentes, por sinal) que nos palcos (fazia fama no teatro Lira Paulistana) e mesmo assim Itamar lançou 8 discos à venda em sua vida.
“Beleléu, Leléu, eu” foi a primeiro álbum de reconhecimento de Itamar, lançado em conjunto com a Banda Isca de Polícia. Neste ele interpreta crises e fases “Benedito João de Santos Silva Beleléu, vulgo Nego Dito”(letra de “Nego Dito”) um paulista comum, que só se interessa por futebol e briga com sua mulher, Luzia. Essa questão de trabalho sobre um tema remete muito a Arrigo Barnabé, em seu primoroso disco “Clara Crocodilo”.
O interessante desse álbum é que toda a faixa tem sua originalidade explícita, tanto num vocal sempre supremo, quanto numa banda pra lá de apropriada para todas as ocasiões, quanto nas letras provocativas e fases musicais. Encontram-se vocais femininos muito bacanas, mas incomparáveis a Itamar. Mesmo em gravações, a vivacidade que ele passava nos palcos ainda prevalecerá por um bom tempo.


Track list:
01-Vinheta (Itamar Assumpção)
02-Luzia (Itamar Assumpção)
03-Fon fin fan fin fun (Older Brigo - Itamar Assumpção)
04-Fico louco (Itamar Assumpção)
05-Aranha (Luiz A. Rondó - Neusa P. Freitas - Arrigo Barnabé)
06-Se eu fiz tudo (Márcio Werneck - Itamar Assumpção)
07-Vinheta (Itamar Assumpção)
08-Vinheta (Itamar Assumpção)
09-Baby (Itamar Assumpção)
10-Embalos (Itamar Assumpção)
11-Nega música (Itamar Assumpção)
12-Beijo na boca (Itamar Assumpção)
13-Nego Dito (Itamar Assumpção)

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terça-feira, 18 de agosto de 2009

Amsterdam Loeki Stardust Quartet - Die Virtuose Blockflöten (1985)

Piccolo, Sopranino, Soprano, Contralto, Tenor, Baixo, Grã-Baixo, Contrabaixo, Subcontrabaixo e Octocontrabaixo. Que me perdoe o colega Batista pela cópia descarada na introdução do texto, acontece que a família das flautas doces é um pouquinho mais extensa que a dos saxofones, e os quartetos baseados nesse instrumento datam de tempos medievais, onde era este o favorito dentre os compositores (e não pense que eu estou implicando com seu disco mineiro, os caras são sonzeira pacas!).
O Amsterdam Loeki Stardust Quartet se formou (não me diga!) na Holanda, no ano de 1975 e consiste de (vamos lá, adivinhem) quatro virtuoses em sopro medieval, mestres em todo tipo de flauta. Logo, é de se esperar que as harmonias vindas desse disco possuam desde o grave mais potente já emitido por um instrumento de madeira (e convenhamos, as flautas mais graves são colossais! Algumas medem até 2,5 metros de altura!) até o mais belo som agudo proveniente de flautins de menos de meio palmo de comprimento. Com um repertório baseado única e exclusivamente em peças clássicas escritas por compositores familiazirados com o instrumento (Vivaldi, Locke, Frescobaldi etc.), o disco não deixa a desejar, afinal de contas, quando juntas, as flautas possuem um potencial e beleza impressionantes.
Muito provavelmente, alguns de meus leitores já torceram o nariz. "Música clássica? Flautas Doces?", tenho certeza absoluta que algum infeliz pensou isso enquanto lia o texto. Pois saibam, caros amigos, que este instrumento, hoje desvalorizado por ser utilizado na musicalização infantil, não serve só para tocar "O Soldadinho" e "Mary Tinha Um Carneirinho". Há um potencial pouquíssimo explorado nos dias de hoje, infelizmente. Então, hora de vencer os preconceitos e clicar no botão "Baixar" lá embaixo.

Tirem ótimo proveito.

Faixas:

1. Istampita 'Tre Fontane' (Anon)
2. Ricercar del secondo tuono (G.P.d. Palestrina)
3. Canzon Prima (G. Frescobaldi)
4. Canzon 'La Lusignuola' (T. Merula)
5 ~ 7. Concerto per flautino in C maj (A. Vivaldi)
8~11. Suite No. 5 in G min (M. Locke)
12. In Nomine (Gibbons)
13. Recercar 'Bonny Sweet Robin' (Thomas Simpson)
14. Report upon 'When Shall my Sorrowful Sighing Slake' (J. Black)
15. The Temporiser (R. Johnson)
16. Sermone blando (W. Byrd)

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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Minasax - Quarteto de Saxofones (1997)


Soprano, Alto, Tenor e Barítono. Cá entre nós, um quarteto de saxofones não é algo que se ouve todos os dias. Esse álbum é dos primeiros de quartetos de sax no Brasil. Composto de músicos condecorados, o Minasax é um grupo muito peculiar: o encontro de mineiros que tocavam um repertório eclético: Tom Jobim, Dorival Caymmi, frevo, temas nordestinos.
Os instrumentos se cruzam muito alinhados, e essa integração cria belas harmonias e melodias inacreditáveis. Quanto à “funções” dentro dos temas, há uma alternância de papéis que quebra a monotonia que poderia ter sido criada em algum momento. As claras etapas musicais e a simplicidade tornam essa obra única no universo de quartetos, pois cada um parece entender seu lugar nessa ocasião.
A versatilidade também é um aspecto a ser citado: O conjunto consegue dar cara nova as musicas apresentadas, e colocando nelas sentimento e paixão, de maneira suave e apropriada para a ocasião. Além do mais, consegue achar temas nordestinos, que coloca em modo de “suite” nas últimas 5 faixas do álbum.
Afinal, não é todo dia que se vê quatro mineiros tocando música nordestina.
Track list:

1- Mojave (Antonio Carlos Jobim)
2- Upa neguinho (Edu Lobo e Gian Francesco Guarnieri)
3- Tango N° 1 (Edson Rodríguez)
4- Odeon (Ernesto Nazareth)
5- Cantos nordestinos (Gilberto Gagliardi)
6- Solfejando (Altamiro Carrilho)
7- Mata burro (Wagner Tiso)
8- San Vicente (Milton Nascimento e Fernando Brant)
9- Insensatez (Antonio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes)
10- Remechendo (Radamés Gnattali)
11- Luiz, eça é pra você (Gilson Peranzzetta)
12- Melancólico (Gilberto Gagliardi)
13- Vatapá / Requebre que eu dou um doce (Dorival Caymmi)
14-18. Suíte - Temas nordestinos (José Urcisino da Silva-Duda)
Bruno - côco
Melissa - serenata
Gilmacy - valsa
Rafael - desafio
Lucinha no frevo

Fábio - LSD: Lindo Sonho Delirante (1968)

Nascido no Paraguai em 1946, Juan Senón Rolon naturalizou-se brasileiro ainda nos anos 60 e adotou o nome de Fábio. Em sua carreira como músico no Brasil gravou cerca de 23 discos, incluindo parcerias com Tim Maia (de quem era amigo pessoal), além de uma série de vinhetas para a TV. É lembrado principalmente pelo seu hit "Estella", do começo dos anos 70.
Este compacto aqui ele gravou no fim da década de 60 e com o tempo foi esquecido, se tornando uma das maiores raridades do rock brasileiro. Polêmico desde seu lançamento, traz no lado A "Lindo Sonho Delirante", referência explícita (pô, veio até abreviado na capa, só podia tar de sacanagem...) ao ácido lisérgico e no B, "Reloginho", um roquezinho interessante.
Mas ó, pra falar a verdade, a graça da primeira faixa de longe não tá na letra, que não só fala da droga como também da geração da época ("O pentágono não sabe/Que agora é hora de amor"). O mais bacana da música é de longe o ritmo bem embalado, capaz de chacoalhar qualquer esqueleto. É um puta Soul sacudido com umas pitadas de Funk! Bom pra explicar a amizade do Fábio com o Tim Maia.
Quanto ao lado B, vale dizer que lembra algumas músicas da Jovem Guarda. Sabe, daquelas de amor meio baratas do Roberto Carlos? Pois é. Mas não se engane, pois LSD compensa.

Lado A:
Lindo Sonho Delirante

Lado B:
Reloginho

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(Link retirado do Brazilian Nuggets)

domingo, 16 de agosto de 2009

The Chocolate Watchband - No Way Out (1967)

No Way Out! Lançado dois anos depois do formação da banda, em 67, o álbum de estréia do Chocolate Watchband obteve sucesso imediato na cena local. Misturando Rock, Blues e Soul com uma bela dose de psicodelia e experimentação, tinham impresso em seu som parte do espírito daquela juventude que andava pela Califórnia na época.
O conjunto foi redescoberto lá pros anos 90, em coletâneas como Nuggets e com o advento da internet, vindo a ganhar, assim, a fama de "grupo de garagem". Bobagem. Quase injustiça. Eram tão populares na época que ainda no mesmo ano do lançamento deste disco, estrelaram o filme "Riot On Sunset Strip" (sobre os insurreições de jovens contrários à guerra do Vietnã em São Francisco), ao lado dos The Standells.
Quanto ao álbum, vale destacar algumas faixas, como os hits "Are You Gonna Be There? (At The Love-In" e "Let's Talk About Girls" (puro R&B, nos anos 80 foi regravada pelo grupo punk The Undertones), a versão de "In The Midnight Hour" clássico de Wilson Pickett (assumindo a influência do Soul) e pérolas como "Come On", "No Way Out", a belíssima instrumental "Expo 2000"... Ah, é daqueles discos que todas as músicas são boas, sabe?
Guitarras, órgãos vox, cítaras, blues, ácido e muito embalo fazem de No Way Out uma jóia de seu tempo. Só ouvindo pra entender.

Tracklist:
1. Let's Talk About Girls
2. In the Midnight Hour
3. Come On
4. Dark Side Of The Mushroom
5. Hot Dusty Roads
6. Are You Gonna Be There (At The Love-In)
7. Gone and Passes By
8. No Way Out
9. Expo 2000
10. Gossamer Wings
11. In the Midnight Hour [Previously Unissued Version]
12. Milk Cow Blues
13. Psychedelic Trip [Previously Unissued Version]

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Arnaldo Baptista - Disco Voador (1987)



Inclassificável. Esse disco é raríssimo, definitivamente um "Disco-Voador", seja pela sua raridade, seja uma excentricidade absurda colocada nas letras.
Esse álbum foi lançado em edição limitada- só para fãs e experts- e foi considerado para Arnaldo uma experiência “terapêutica”. É uma boa representação do mundo musical de Arnaldo, e conseqüentemente sua visão de mundo na época em que esse foi lançado. Anteriormente, ele fora internado no setor psiquiátrico de um Hospital em São Paulo, e essa é de suas primeiras experimentações musicais desde então.
Produção caseira ao extremo, de um homem só. Majoritariamente as faixas tem letras excêntricas e bateria elétrica de teclado, orgão no caso. Como inovação, Arnaldo faz gravação da “Balada de Louco” em duas outras línguas, o inglês (“Crazy One’s Ballad”) e o francês (“Le Foulle Balad”), no entanto é difícil entender o que ele diz devido a má qualidade da gravação.
Só nesse álbum se encontra Baptista contando sobre carros e viagens (“Rodas”), seu amor por Maria Lucia (“Maria Lucia”) ou assuntos quaisquer e sem nexo (“Eu”).
Certamente uma experiência inesquecível, aberta a "interpretações".

Track list:

1. Eu
2. Rodas
3. Crazy-One's Ballad
4. Traduções
5. Ovni
6. Maria Lucia
7. Jesus Volte Até a Terra
8. Le Foulle Balad
9. I Wanna To Take Off Every Morning

Zé da Flauta & Paulo Rafael - Caruá (1980)

Ex-flautista e pifarista do Quinteto Violado, Zé da Flauta se destaca dos outros músicos nordestinos não só por sua seriedade, mas por sua técnica incomparável. Paulo Rafael é, junto com o artista supracitado, um dos principais responsáveis pela qualidade musical das obras do aclamado Alceu Valença. Qual seria o resultado da união dessas duas personalidades musicais? Certamente, música para nossos ouvidos! Ok, agora pense que, além desses dois, participam do disco o gênio Lula Côrtes (criador das pérolas psicodélicas Paêbirú e Satwa), Lenine e ainda Luciano Pimentel (baterista do já citado Quinteto Violado). É, meu caro leitor, é isso mesmo que você está pensando. Música de excelente qualidade.
Essencialmente instrumental (com uma exceção, a buliçosa "Zé Piaba", uma das primeiras obras vocais de Lenine), o disco investe na tradicionalidade da musica nordestina mesclada com o acid-rock e o progressivo europeus (não há como não perceber, por exemplo, as influências de Robert Fripp nas guitarras de Rafael). Não há como não se animar com músicas como "Sai uma Mista", ou até mesmo relaxar ouvindo "Tema da Batalha".
Pérola, assim como a maioria das obras do Udigrudi nordestino, Caruá é um disco único, que vale a pena ser ouvido e divulgado. Afinal de contas, música séria tem que ser encarada com seriedade!

Faixas:
1. Sai uma Mista
2. Rebimbela da Parafuseta
3. Baião da Barca
4. Ponto de Partida
5. Tema da Batalha
6. Fora de Órbia
7. Entardecer
8. Zé Piaba
9. Gôta Serena

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Grace Slick & The Great Society - Collector's Item (1965/1971)


Poucos sabem, mas antes de entrar para o famoso grupo Jefferson Airplane, a tchuqui-tchuqui ex-modelo Grace Slick participou de um outro projeto musical, igualmente lisérgico e melódico, o Great Society. A banda, composta por Slick, seu marido Derby, seu cunhado Jerry e outros membros menos conhecidos cujo nome só vale ser citado: Jean Piersol, Bard Dupont, Peter Van der Gelder e Oscar Daniels.
O disco aqui postado é uma reunião de gravações ao vivo feitas pelo grupo durante sua curta existência (1965-1966). Trata-se de um som leve, agradável, inovador (para a época, evidentemente) e apaixonante. Certamente, não há ouvinte que não se perca nos uivados de Grace em "Sally Go Round The Roses", quem não viaje no baixo potente de "Father Bruce", no solo de flauta doce Contralto de Slick em "Nature Boy" (cover excelente da original de Nat King Cole) ou ainda nas gravações originais de "White Rabbit" e "Somebody To Love" (é, sinto informar-lhes que não só a autoria dessas canções não pertence ao Airplane como o Great Society as excecuta 10 vezes melhor).
Melódico, hipnotizante e doce, Slick & The Great Society foi um grupo que, infelizmente, para nossos ouvidos, se dissolveu muito precocemente. Como consolo, escutemos esse álbum pelo menos 30 vezes ao dia. Limpa a alma, acreditem!

Faixas:
1. Sally Go Round The Roses
2. Didn't Think So
3. Grimly Forming
4. Somebody To Love
5. Father Bruce
6. Outlaw Blues
7. Often As I May
8. Arbitration
9. White Rabbit
10. That's How It Is
11. Darkly Smiling
12. Nature Boy
13. You Can't Cry
14. Daydream Nightmare
15. Everybody Knows
16. Born To Be Burned
17. Father

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terça-feira, 11 de agosto de 2009

[Sublime Frequencies 001] Folk And Pop Sounds Of Sumatra - Vol. 1 (1989)

A Sublime Frequencies é um grupo de pesquisadores sediado em Seattle cujo principal objetivo é desenterrar e divulgar expressões musicais genuinas de culturas de regiões exóticas do globo. Música folclórica, tradicional, popular, colagens de rádio... Qualquer tipo de manifestação sonora que revele algo sobre a riqueza cultural dos povos desses lugares interessa pros caras.
Este álbum aqui é o primeiro de uma série de muitos (49, até agora - incluindo alguns volumes em LP e outros em DVD) e se dedica unicamente à Sumatra. Sim, pop e folk direto da Sumatra! Muito interessante mesmo, mas aonde raios fica isso?
A Sumatra (ou Samatra) é a sexta maior ilha do mundo. Situa-se no sudeste asiático e hoje seu território pertence inteiramente a Indonésia. A população local é composta por uma série de grupos étnicos distintos e lá são falados cerca de 50 idiomas diferentes. Diversidade não falta.
As faixas presentes nesta compilação foram retiradas de fitas cassetes coletadas na ilha em 1989, variando entre a música tradicional ("Sitigol" é o melhor momento do álbum) e a pop, que apresenta claros elementos da influência americana, tal como o uso de instrumentos elétricos. Porém, de modo geral, todas (descontando as da cantora Samsimar) são carregadas de emoções intensas. Destaque para a melancólica Sri Mersing e a (aparentemente) romântica Borungku Si Derita.
O disco é, sem dúvidas, um artefato raro. E interessante. Muito bom do ponto de vista antropológico (eu disse antropológico).

Faixas:
1. Sitigol #1 - Haba Haba Group
2. (desconhecido)
3. Borungku Si Derita - Mario's Group
4. Siti Payung - Pimp Rubiah
5. Indang Pariaman - Samsimar
6. Piso Somalim #1 - Unknown Drama
7. Sri Mersing - Pimp Rubiah
8. Bapikek Balam - Samsimar
9. Piso Somalim #2 - Unknown Drama
10. Sitigol #2 - Haba Haba Group

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(Link retirado do Chocoreve... Ou seja, a senha para o .rar é "posted_first_at_chocoreve")

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Fred Katz - Folk Songs for Far Out Folk (1959)


Este álbum é espetacular. Fred Katz se mostrou único no campo musical instrumental. E assim permanece. Além de um compositor espetacular, se mostrou um arranjador fora de série.
Fred Katz sempre teve um amor pelo novo na musica, tanto que é considerado o pioneiro do violoncelo no Jazz. Sempre buscou inovação em seu som, procurando instrumentos alternativos para encaixar nos temas em que trabalha, deixando assim suas composições e arranjos com ar de novíssimos, muito contemporâneos.
A pesquisa de Fred Katz quanto à esse álbum é genial, escolhendo poucos temas Norte-Americanos (como “Sometimes I Feel Like a Motherless Child”) e abrindo espaço para um novo mundo de musica pouco reconhecida. Encaixam-se nesse CD temas tanto de origem/ influência africana como hebraica.
Quanto aos recursos musicais, mostra uma versatilidade incrível. Na faixa“Mate’ka”, por exemplo, temos solos de percussão e uma “Big Band” que foge completamente do conceito popular desse termo, mas mesmo assim se adapta à faixa. Em faixas como “Old Paint” encontramos um jazz mais padrão, mas com muito sentimento, mesmo assim. Em “Rav’s Nigun”, um tema de origem/influência hebraica, temos um belíssimo diálogo entre diversos instrumentos de sopro, e alternância entre eles. Em outras faixas, descobre-se outras coisas diversas, como harmonias instáveis, interação musica-pessoas, melodias intensas, entre outras.
Muita expressão, conceito e inovação. Espetacular.
Tracklist:
1. Mate'ka
2. Sometimes I Feel Like a Motherless Child
3. Been in the Pen So Long
4. Chili'lo (Lament)
5. Rav's Nigun
6. Old Paint
7. Manthi-Ki
8. Baal Shem Tov
9. Foggy, Foggy Dew

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domingo, 12 de abril de 2009

The Fuzztones & Sean Bonniwell - The People In Me/I'm Gonna Make You Mine (1998)

Uma das principais bandas revivalistas do rock de garagem sessentista que surgiu nos anos 80, os Fuzztones gravaram ao longo de sua carreira uma série de versões de clássicos da psicodelia garageira da segunda metade dos anos 60, entre eles Sonics, Haunted e Bolds. Porém, as músicas desse single aqui não são meros covers. São regravações valiosíssimas, uma vez que a banda toca acompanhada do gênio do gênero, Sean Bonniwell.
O lado A é "The People In Me", composta e gravada pelo próprio Sean em 1966 para o álbum "Turn On" do Music Machine enquanto o B, sem a participação de Bonniwell, é "I'm Gonna Make You Mine", do Shadows Of Knight, que mais parece uma reprodução piorada da música original.
Ainda assim, é uma obra interessante. Vale ser baixada pelo simples fato de estrelar o grande líder do Music Machine.

Lado A:
The People In Me

Lado B:
I'm Gonna Make You Mine

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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Fever Tree - Fever Tree (1968)

"Nunca julgue um livro pela capa". Eu acho que eu passei minha infância inteira ouvindo tal frase. De fato, nunca julguei um livro pela capa. Mas esqueceram de me ensinar a não julgar um disco pela capa. Muito bem feito, por sinal. Feita a introdução, vou lhes contar como eu descobri o Fever Tree.
Lá estava eu, matutando pela internet, procurando sonzeiras novas, quando, de repente, topo com um post contendo uma banda de nome muito bacana e uma capa absolutamente linda. Ao ver aquela árvore psicodélica surgindo por trás dos membros da banda, eu não pensei duas vezes antes de baixar o álbum. Vocês, caros leitores, podem achar que eu estou sendo exagerado e dramático. Pois vocês em muito se enganam, Fever Tree é, de longe, uma das melhores bandas do cenário psych-folk de São Francisco que eu já tive a felicidade de conhecer. A qualidade e a originalidade das composições do grupo estão em tão perfeita sincronia com meus ouvidos que não há palavras para descrever o quanto eu apreciei esta obra.
O disco começa com "Imitation Situation 1", uma peça com excertos da "Toccata" de Bach, o que acabou dando um clima obscuro à canção (gostaria de pontuar que o cantor do grupo, Denis Keller, com seus vocais normalmente graves já é capaz de fazer isso sozinho, apesar de tudo). Ganham destaque também "San Francisco Girls" (que atingiu 91º lugar nas paradas americanas) e "Ninety-Nine and One-Half", com linhas de baixo e guitarras (por Bud Wolfe e Michael Knust respectivamente) muito à frente de seu tempo.
Outro grande ponto forte do disco é o 2 em 1 "Day Tripper/We Can Work It Out", uma versão "compacta" das canções dos Beatles que (sim, eu me atrevo a dizer isso), supera em muito as originais, apesar da pegada estar completamente diferente.
Fechando o disco, temos canções calmas como "Unlock My Door" e "Come With Me (Rainsong)". Um curioso fato sobre esta última faixa é que ela foi gravada durante uma tempestade, o que confere a ela uma harmonia impressionante.
É muito provável que você, caro leitor, não tenha lido esse texto, assim como eu fiz antes de baixar este álbum. Caso você tenha apreciado (ou não) a leitura, creio que não há dúvidas de que esteja na hora de clicar na palavrinha "Download" algumas linhas abaixo, não é mesmo?

Tracklist:
1. Imitation Situation (Toccata And Fugue)
2. Where Do You Go
3. San Francisco Girls (Return Of The Native)
4. Ninety-Nine And One-Half
5. Man Who Paints The Pictures
6. Filligree And Shadow
7. The Sun Also Rises
8. Day Tripper/We Can Work It Out
9. Unlock My Door
10. Come With Me (Rainsong)

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